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Amazônia: cientistas descobrem 441 novas espécies em regiões inexploradas

Um macaco que ronrona como um gato, uma piranha vegetariana e um lagarto “pintado para a guerra” estão entre as mais de 400 novas espécies de animais e plantas descobertas nos últimos quatro anos na floresta amazônia. O anúncio foi feito nesta quarta-feira por conservacionistas do Fundo Mundial para a Natureza (WWF, na sigla em inglês), e faz parte da I Love Amazon Week (Semana Eu Amo a Amazônia, em tradução livre), que vai até 27 de outubro com a proposta de conscientizar sobre a floresta.

As descobertas aconteceram durante centenas de expedições científicas realizadas entre 2010 e 2013 e somam 441 novas espécies – todas inéditas para a ciência -, incluindo 258 plantas, 84 peixes, 58 anfíbios, 22 répteis, 18 pássaros e um mamífero. Esses números não incluem novos insetos e invertebrados encontrados.

“Quanto mais os cientistas procuram, mais encontram”, afirmou ao site do WWF Damian Fleming, chefe dos programas para o Brasil e a Amazônia na organização não governamental no Reino Unido, que compilou a lista. “Com uma média de duas novas espécies identificadas a cada semana pelos últimos quatro anos, fica claro que a extraordinária Amazônia permanece como um dos principais centros de biodiversidade global.”

Entre as espécies recém-descobertas estão um macaco “ronronante” da espécie Caquetá titi (Callicebus caquetensis), habitante da Amazônia colombiana, cujos filhotes têm uma característica peculiar: “todos os bebês ronronam como gatos”, garante o cientista Thomas Defler, que participou de expedições em que que descobertas as novas espécies. “Quanto estão muito felizes, eles ronronam um para o outro, e aqueles que pegamos ronronaram para nós.”

Algumas dessas novas espécies podem já estar em risco, mesmo tendo sido apenas recentemente documentadas, segundo alertaram os cientistas. Um pequeno sapo recebeu o nome em latim Allobates amissibilis, que significa “que pode ser perdido”, porque vive em uma área da Guiana que pode em breve ser aberto ao turismo, de acordo com o WWF.

Outras espécies já estão sendo ameaçadas. A herbívora piranha vegetariana (Tometes camunani) habita corredeiras rochosas na Amazônia brasileira, onde sua principal fonte de alimento – a família de plantas Podostemaceae – é encontrada. Nesse local, porém, projetos hidrelétricos e atividades de mineração no Estado do Pará ameaçam a saúde e o fluxo do rio onde esse peixe vive. Com informações do The Guardian.

* Matéria publicada no Portal Terra em 23/10/2013