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Anavilhanas (AM) promove estudo sobre botos

Dados serão úteis no ordenamento do turismo no parque

© Todos os direitos reservados. Foto: Larissa Jardim

O Parque Nacional de Anavilhanas, gerido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, no Amazonas, iniciou o inventário de duas espécies de cetáceos que ocorrem na unidade de conservação: o boto-vermelho (Inia geoffrensis) e o boto-tucuxi (Sotalia fluviatilis). O objetivo é coletar informações populacionais sobre esses animais.

Segundo Marcelo Vidal, analista ambiental do ICMBio e coordenador do projeto Pesquisa e manejo do turismo interativo com botos no Parque Nacional de Anavilhanas, o inventário vai gerar importantes informações para o ordenamento da atividade turística com esses animais na unidade de conservação.

“Em julho iniciamos as atividades do inventário de cetáceos por meio de duas metodologias bastante conhecidas, os transectos lineares e os pontos fixos. Nosso interesse é estimar quantos botos-vermelhos e botos-tucuxis estão presentes no parque e saber como estas espécies estão utilizando os diferentes ambientes, como lagos, igarapés, canais principais dos rios, entre outros”, afirma Vidal.

Ainda segundo ele, o levantamento dessas informações permitirá estabelecer roteiros aquáticos para observação de cetáceos em Anavilhanas sem o oferecimento de alimentação artificial, que hoje é o modelo de turismo desenvolvido na unidade de conservação.

A primeira etapa do inventário, realizado na segunda quinzena de julho, época de cheia do rio Negro, contou com a colaboração voluntária de uma bióloga e de uma estudante de Ciências Biológicas, ambas do estado de São Paulo.

Como resultado, foram registrados 85 avistamentos de cetáceos, sendo 25 de boto-vermelho e 60 de boto-tucuxi. A intenção agora é realizar outras três etapas do inventário, cada uma delas em diferentes fases do ciclo hidrológico: vazante, seca e enchente.

A chefe do Parque Nacional de Anavilhanas, Priscila Santos, diz que os resultados do inventário poderão ainda ser utilizados no ordenamento do uso público da unidade de conservação. “Dependendo da forma de uso dos cetáceos em cada área, podemos trabalhar na proposição de zonas aquáticas de diferentes intensidades de uso, como, por exemplo, áreas usadas pelos cetáceos para descanso não serem utilizadas em atividades turísticas embarcadas”.

As ações do projeto Pesquisa e manejo do turismo interativo com botos no Parque Nacional de Anavilhanas envolvem parcerias com a Universidade Federal do Amazonas, Flutuante dos Botos, Instituto Dharma, Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Amazônica e conta com recursos do programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa) e da Diretoria de Pesquisa, Avaliação e Monitoramento da Biodiversidade (Dibio) do ICMBio.

* Matéria publicada em 10/09/2015 pelo ICMBio