Notícias, Notícias sobre o Arpa

Alemanha destina mais de R$ 200 milhões para conservação da Amazônia

Acordos de cooperação entre Brasil e Alemanha vão garantir mais de R$ 200 milhões para a preservação do meio ambiente e regularização ambiental no Brasil. Os investimentos serão feitos por meio do financiamento do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa) e do incentivo à realização do Cadastro Ambiental Rural na Amazônia Legal e em áreas de transição para o Cerrado.

O aporte dos recursos foi anunciado hoje (19) pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira e pelo embaixador da Alemanha no Brasil, Dirk Brengelmann, durante a Conferência Florestas, Clima e Biodiversidade, em Brasília, sobre os projetos na área ambiental entre os dois países. Ela informou que a cooperação entre os países gira em torno da questão florestal, da biodiversidade e do clima, “em uma trajetória única de desenvolvimento sustentável para o país”.

“Porque temos que tirar a ilegalidade associada ao desmatamento da Amazônia. E substituir por atividades econômicas sustentáveis, que viabilizem para o produtor rural, que planta na floresta, uma oportunidade de geração de renda e de proteção do meio ambiente”, afirmou. A ministrla disse que este é um caminho que parte de uma agenda de clima, já que plantar árvores significa capturar gás carbônico da atmosfera e não emitir gases de efeito estufa, porque não há desmatamento.

O Fundo de Transição Arpa para a Vida – que é a terceira fase do programa Arpa – foi estabelecido por uma cooperação entre o Ministério do Meio Ambiente (MMA), o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), o Ministério para Cooperação e Desenvolvimento da Alemanha (BMZ), por meio do Banco Alemão de Desenvolvimento (KfW), e outras entidades de financiamento. Neste fundo, a Alemanha vai investir mais de R$ 116 milhões (cerca de 31,7 milhões de euros).

Uma das metas do Arpa, nesta fase, é financiar a manutenção de 60 milhões de hectares de unidades de conservação na Amazônia pelos próximos 25 anos. O valor total que será investido no fundo foi anunciado em maio de 2014 pelo MMA e chega a R$ 447 milhões.

Já o Cadastro Ambiental Rural ganhou uma contribuição financeira de mais de R$ 84 milhões (cerca de 23 milhões de euros) para o cadastramento de propriedades de agricultores familiares, povos e comunidades tradicionais de Rondônia, Mato Grosso e Pará. Também serão promovidas ações de recuperação dos passivos ambientais das áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal encontradas nessas áreas. Este acordo foi assinado entre o MMA, a Caixa Econômica Federal e o KfW.

Recursos adicionais no valor de R$ 14,6 milhões (cerca de 4 milhões de euros) também foram destinados hoje ao Fundo Amazônia, por um cofinanciamento entre a Noruega, por meio da Agência Norueguesa de Cooperação para o Desenvolvimento (Norad), e a Alemanha, por meio do BMZ. Esses recursos visam melhorar os mecanismos do Fundo Amazônia para proteção da floresta e redução das emissões de gases de efeito estufa em atividades de fomento e concessões.

O representante do Ministério Federal do Meio Ambiente, Conservação da Natureza, Construção e Segurança Nuclear da Alemanha, Franzjosef Schafhausen, afirmou que a cooperação entre os países pode evoluir no futuro para o estabelecimento de um mercado de carbono. “Por isso o Fundo Amazônia é muito importante. Sabemos que existe a possibilidade de reduzir ainda mais o desmatamento, houve grandes progressos no Brasil, mas temos que dar um passo adiante. Ano passado, foi instituído o diálogo climático e acreditamos que é importante que o Brasil estabeleça os projetos, porque o país sabe melhor das necessidades do país”, afirmou Schafhausen. Ele adiantou que já foram deliberados quatro projetos entre os dois países para 2016, com valor total de 20 milhões de euros.

As ações de cooperação firmadas estão relacionadas à visita da chanceler alemã Ângela Merkel ao Brasil. Segundo a ministra Izabella Teixeira, a agenda climática comum que será defendida por Brasil e Alemanha na 21ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP de Paris, deve fazer parte da declaração conjunta que deverá ser apresentada por Merkel e pela presidenta Dilma Rousseff durante a visita.

* Matéria publicada no site da EBC em 19/08/2015

Destaque Especial, Notícias, Notícias dos Parceiros do Arpa, Notícias sobre o Arpa

116 milhões de reais para as unidades de conservação da Amazônia

11223309_10153618531331803_4586264172778821025_nNa manhã desta quarta-feira (19/8), o governo da Alemanha confirmou a doação de R$ 116 milhões (cerca de 31,7 milhões de euros) para o Fundo de Transição do Arpa – Áreas Protegidas da Amazônia, considerado o maior programa de conservação de florestas tropicais do mundo. O valor doado fará parte dos 215 milhões de dólares que compõem o Fundo, e que vai contribuir para a conservação de 60 milhões de hectares da Amazônia, uma área do tamanho da França.

O acordo foi feito na abertura da Conferência Florestas, Clima e Biodiversidade, organizada pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) em parceria com o governo alemão, em Brasília (DF). Na ocasião, foram firmados outros acordos de cooperação para a conservação florestal e a regularização ambiental de imóveis rurais na Amazônia e em áreas de transição do Cerrado. No total serão investidos cerca de R$ 200 milhões no Brasil.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, celebrou a histórica parceria de 20 anos dos dois países na conservação da biodiversidade brasileira. “A relação bilateral deu início com o investimento em programas de redução do desmatamento da Amazônia como o PPG7 e o PPCDAm até chegarmos ao Arpa. Hoje estamos num novo patamar e sabemos que o investimento alemão fez toda a diferença. Isso vai contribuir fortemente para estabelecermos nossas metas de clima rumo à COP de Paris, em dezembro”, explicou.

O WWF, como um dos parceiros do Arpa, tem dado suporte financeiro e técnico nos processos de gestão e monitoramento das unidades de conservação (UCs) da Amazônia. “O Fundo é um modelo de financiamento inovador. A ferramenta vai assegurar até 2039 a alocação de recursos financeiros para a gestão das UCs apoiadas pelo Programa, aliando a conservação e a promoção do desenvolvimento socioeconômico regional”, avalia Marco Lentini, coordenador do Programa Amazônia do WWF-Brasil.

O financiamento sustentável das UCS do Arpa só será possível por meio do aumento gradativo de recursos públicos para gestão e manejo destas áreas, sendo que, após 25 anos, o Governo assumirá 100% do custeio de manutenção destas Unidades.

Sobre o Arpa

O Arpa é um programa do governo federal, coordenado pelo MMA, criado em 2002, considerado o maior programa de conservação de florestas tropicais do mundo. Atualmente, o Arpa protege 105 unidades de conservação (UCs) na Amazônia brasileira, que representam 58 milhões de hectares, com a perspectiva de alcançar 60 milhões em breve. Foi criado com o objetivo de expandir e fortalecer o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) na Amazônia, além de assegurar recursos financeiros para a gestão destas áreas, a curto e longo prazo e promover o desenvolvimento sustentável da região.

Reconhecido internacionalmente, o Arpa combina biologia da conservação com as melhores práticas de planejamento e gestão. As unidades de conservação apoiadas pelo programa são beneficiadas com bens, obras e contratação de serviços necessários para a realização de atividades de integração com as comunidades de entorno, formação de conselhos, planos de manejo, levantamentos fundiários, fiscalização e outras ações necessárias ao seu bom funcionamento.

São parceiros do Programa o Ministério para a Cooperação e Desenvolvimento Alemão (BMZ), o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o Funbio, a Fundação Gordon e Betty Moore, o WWF-Brasil, o WWF Estados Unidos, o Fundo Amazônia, a fundação Margaret A. Cargill e o Global Environment Facility (GEF), e os governos estaduais do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Rondônia, Pará, Tocantins, e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

* Texto assinado por Frederico Brandão e publicado no site do WWF Brasil em 19/08/2015

Notícias, Notícias das Unidades de Conservação

Pesquisa avaliará turismo com botos em Anavilhanas (AM)

Objetivo é mensurar contribuição financeira da atividade

© Todos os direitos reservados. Foto: Dirceu Martins

Analistas ambientais do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Sócio-biodiversidade Associada a Povos e Comunidades Tradicionais (CNPT) e do Parque Nacional de Anavilhanas, no Amazonas, reuniram-se com gerentes de hotéis e pousadas de Novo Airão (AM) para discutir a realização conjunta de pesquisa sobre a contribuição financeira que o turismo interativo com os botos (Inia geoffrensis) gera para a cidade.

Durante a reunião, realizada na semana passada, foi apresentada a metodologia a ser adotada, as perguntas a serem feitas nas entrevistas com os hóspedes dos hotéis e pousadas e o período em que a pesquisa será desenvolvida. As informações servirão para aprimorar as medidas de regulamentação e controle das interações dos turistas com os botos.

Anavilhanas realizará análise genética dos botos

Artigos trazem informações sobre turismo com botos

Desde 2010, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) vem promovendo ações participativas para ordenar e monitorar o turismo interativo com botos no Parque Nacional de Anavilhanas. As interações com o golfinho fluvial são consideradas o principal atrativo da unidade de conservação (UC) e da cidade de Novo Airão.

Segundo o analista ambiental Marcelo Vidal, coordenador do projeto Pesquisa e manejo do turismo interativo com botos no Parque Nacional de Anavilhanas, uma das formas de medir essa contribuição é através de informações obtidas com os turistas que se hospedam na cidade de Novo Airão e que também visitam o Flutuante dos Botos.

© Todos os direitos reservados. Foto: Acervo ICMBio“Neste primeiro momento realizaremos entrevistas com os turistas diretamente nos hotéis e pousadas da cidade. Mas, também utilizaremos a metodologia com as pessoas que visitam o Flutuante dos Botos e retornam para suas cidades de origem no mesmo dia, sem se hospedarem em Novo Airão”, diz ele.

Dentre as informações que serão obtidas na pesquisa, estão o perfil do turista e o objetivo de sua viagem a Novo Airão, as atividades desenvolvidas na cidade e no Parque Nacional de Anavilhanas, os tipos e valores das despesas realizadas e sua percepção sobre a visita ao Flutuante dos Botos.

Segundo Priscila Santos, chefe do Parque Nacional de Anavilhanas, os resultados da consulta trarão subsídios importantes para todos. “A sistematização das informações obtidas junto aos turistas permitirá ao ICMBio, à Prefeitura de Novo Airão e ao trade turístico entenderem como o turismo interativo com botos no parque contribui para a economia da cidade, permitindo assim um melhor planejamento da atividade e dos demais atrativos locais”.

As ações do projeto Pesquisa e manejo do turismo interativo com botos no Parque Nacional de Anavilhanas envolvem parcerias com a Universidade Federal do Amazonas, Associação de Turismo de Novo Airão, Flutuante dos Botos, Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Amazônica e Parque Nacional de Anavilhanas.

* Matéria publicada em 14/08/2015 no site do ICMBio

Notícias, Notícias das Unidades de Conservação

Reserva no Amazonas desbarata garimpo ilegal

Com os infratores, agentes encontraram um quilo de ouro

© Todos os direitos reservados. Foto: Acervo ICMBio

A equipe da Reserva Extrativista (Resex) do Rio Jutaí acaba de divulgar balanço da Operação Hidra, iniciada no fim de julho e encerrada na semana passada, para combater garimpo ilegal e outros crimes ambientais no interior e entorno da unidade de conservação (UC), gerida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) no Amazonas.

Segundo os agentes de fiscalização, foram apreendidos um quilo de ouro, transportado em duas embarcações, quatro dragas e uma voadeira (barco), usadas para extração do minério em um garimpo ilegal, instalado no Rio Boia, numa região fora dos limites da UC.

Ao todo, foram lavrados 14 autos de infração no interior da Resex e outros quatro na área do entorno. Somadas, as multas atingiram pouco mais de R$ 29 milhões. Já os bens apreendidos foram avaliados em R$ 2,2 milhões. O ouro foi entregue à Coordenação Regional 2, do ICMBio, para ser repassado à Polícia Federal.

Além de desbaratar o garimpo, os agentes de fiscalização encontraram 39 quelônios (animais com caso), sendo transportados por caçadores clandestinos. O grupo foi autuado e os animais soltos. Além disso, os servidores apreenderam 18 m3 de madeira, doados posteriormente a famílias da região.

O coordenador da operação, o agente de fiscalização Helder Costa de Oliveira, disse que o garimpo ilegal vinha causando muitos problemas tanto no Rio Boia como no Rio Jutaí. “Diversos moradores, inclusive indígenas, reclamavam da alteração da coloração da água dos rios e também se queixavam de dores abdominais devido ingestão de água após a instalação do garimpo no local”.

Não bastassem esses problemas, o garimpo, segundo Oliveria, provocava assoreamento das margens dos rio Jutaí e Bóia, além de contaminação e morte de peixes e outros animais.

Afora os agentes do ICMBio, participaram da operação servidores do Ibama e policiais militares do Estado do Amazonas (Batalhão Ambiental) e do município de Tefé (AM), que fica bem próximo à Resex.

* Matéria publicada em 14/08/2015 no site do ICMBio

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Colaboradores do Arpa terão curso para prevenção de acidentes e primeiros socorros

Até 16 de agosto, a Academia Nacional da Biodiversidade (ACADEBio) recebe inscrições para o Curso de Prevenção de Acidentes e Primeiros Socorros em Áreas Remotas. A capacitação tem os colaboradores do Programa Arpa como um dos seus públicos-alvo e vai habilitar os participantes para a prevenção de acidentes, primeiros socorros e remoção de acidentados.

Das 30 vagas disponíveis para a formação, 15 serão destinadas a pessoas que atuam no Arpa, sendo 9 servidores do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e 6 para servidores estaduais e parceiros envolvidos no planejamento e na gestão das UCs apoiadas pela iniciativa. Interessados ligados ao Programa devem preencher este formulário.

O resultado da seleção será divulgado em 21 de agosto no portal da CGGP/ICMBio, e o curso presencial acontece de 21 a 25 de setembro na sede da ACADEBio, localizada em Iperó (SP). Outras informações podem ser consultadas no edital do curso.

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Reserva no Pará incentiva criação de abelhas

Mel será consumido e comercializado pelos extrativistas

© Todos os direitos reservados. Foto: Acervo ICMBio

Selo-Arpa1A Reserva Extrativista (Resex) Riozinho do Anfrísio, administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), na Terra do Meio, sudoeste do Pará, acaba de promover oficina de criação de abelhas sem ferrão (meliponicultura).

A iniciativa, que teve a participação de moradores das várias comunidades da Resex, contou com parceria do Núcleo de Gestão Integrada do ICMBio, em Altamira (PA), da Universidade Federal do Pará (UFPA) e do Instituto Socioambiental (ISA). A oficina ocorreu durante dois dias no fim de julho, após reunião do conselho deliberativo da reserva.

Importância para sustentabilidade ambiental

No primeiro dia, o professor Plácido Magalhães, do curso de Educação no Campo da Faculdade de Etnodiversidade da UFPA, fez uma apresentação sobre as características biológicas e ecológicas das abelhas sem ferrão e sua importância para a sustentabilidade ambiental. Em seguida, moradores relataram suas experiências com a coleta de mel e conhecimentos das abelhas sem ferrão na Resex.

No segundo dia, os participantes da oficina aprenderam a técnica para a montagem das caixas de madeira para fixação dos ninhos, transferência das colmeias para as caixas, além dos procedimentos mais indicados para o manejo das abelhas e divisão das colmeias.

As espécies de abelhas abordadas durante o curso foram a popular Jandaíra e a Moça Branca, mosquito e mosquitinho. A primeira, que produz muito mel e é mais fácil de ser cultivada, é a preferida entre os moradores.

Nova etapa do projeto

Ao final do curso, foi anunciada uma nova etapa do projeto, que deverá ser realizada ainda neste semestre e consistirá no recebimento de colmeias oriundas do processo de supressão vegetal em andamento na área de construção da usina hidrelétrica de Belo Monte. A ideia é, com isso, expandir o projeto de criação das abelhas para outras unidades de conservação (UC) da região, como as Resex do Rio Iriri e do Rio Xingu.

Segundo Victor Sacarddi, da gestão da Resex do Riozinho do Anfrísio, a produção do mel das abelhas sem ferrão será utilizado, prioritariamente, como reforço alimentar pelos moradores da reserva. O excedente será comercializado na cidade como uma alternativa de renda para as famílias produtoras.

Camila Bonassio, do ISA, disse que os participantes da oficina mostraram muito interesse pela meliponicultira. “Como essa é uma atividade que contribui muito para a conservação da biodiversidade e possui um grande mercado potencial, acreditamos que ela deva ser fomentada nas reservas extrativistas por meio da realização de oficinas e intercâmbios”, acrescentou.

Saiba mais

Espécies nativas, as abelhas sem ferrão possuem características, como facilidade e simplicidade no manejo (as colmeias podem ser manipuladas até por crianças), rápida multiplicação e baixo custo de investimento. Tudo isso facilita o seu cultivo por pequenos criadores, como as populações tradicionais de reservas extrativistas. Além disso, o mel produzido pelas abelhas tem alto valor de comércio por ser considerado de muito boa qualidade.

* Matéria publicada no site do ICMBio em 11/08/2015

Notícias, Notícias das Unidades de Conservação

Artesanato resgata identidade seringueira em Cazumbá-Iracema

Produção associada ao látex gera renda e promove autonomia financeira para as mulheres

© Todos os direitos reservados. Foto: Luciano Malanski

Esquecido por um longo período, o látex extraído da seringueira ganhou novamente ares de protagonista na Reserva Extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema, Unidade de Conservação administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com sede no município de Sena Madureira, no Acre.

A retomada da utilização do látex como matéria-prima foi possível graças à iniciativa das mulheres da comunidade, que enxergaram nele uma alternativa sustentável de trabalho e passaram a produzir peças de artesanato feitas com borracha.

“Hoje, nós conseguimos tirar nosso sustento da Reserva, mas sempre cuidando e mantendo a floresta em pé. Não precisamos agredir nem derrubar nossas árvores nativas”, conta a artesã Leonora Maia, que coordena o Grupo de Mulheres da Resex Cazumbá-Iracema, responsável pela produção das peças.

Ainda segundo a coordenadora, a primeira experiência de comercialização dos produtos aconteceu em 2011 e, desde então, os moradores da Reserva vêm experimentando mudanças significativas na sua qualidade de vida, tanto pelo aumento na renda quanto pela preservação da identidade seringueira.

“Os homens também participam e auxiliam em alguns processos, a exemplo da coleta do látex, atividade que havia sido abandonada pela comunidade”, pontua Leonora.

© Todos os direitos reservados. Foto: Aurelice Vasconcelos

Cadeia produtiva

Utilizando a técnica conhecida como encauchados de vegetais, as participantes do Grupo de Mulheres misturam ao látex coletado um agente vulcanizante, substância que permite que a borracha seque sob o sol já na forma do produto final. “O agente vulcanizante é fornecido pelo Projeto Encauchados de Vegetais, que atua em diversas comunidades da Amazônia”, afirma Tiago Juruá, chefe da Reserva.

Réplicas de folhas da floresta, em geral usadas como objeto de decoração ou jogo americano, as peças são produzidas em larga escala durante a época do ano em que ocorre maior incidência da luz solar: entre abril e novembro. Ao longo desse período, o Grupo de Mulheres fabrica aproximadamente 4 mil itens por mês.

Para garantir a comercialização dos produtos, o ICMBio articula a participação das artesãs em feiras e exposições, sempre contando com dois importantes parceiros: o Governo do Estado do Acre e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que oferece oficinas de empreendedorismo, design e análise de preços. “Nas feiras, elas recebem também diversas encomendas, inclusive de outros estados”, destaca Tiago.

Emancipação feminina

De acordo com Leonora Maia, antes dessa iniciativa as mulheres viviam entre a roça e os afazeres domésticos, numa rotina muito dura que as levava a pensar em ir embora para a cidade. “Elas dependiam dos maridos, não tinham autonomia financeira. Agora, com esse complemento na renda, as mulheres têm sua independência”, argumenta a coordenadora.

Para Tiago Juruá, a importância do projeto reside justamente na geração de renda fruto desse envolvimento feminino no processo produtivo, o que eleva a autoestima e garante autonomia em relação aos homens. “Além disso, outro aspecto relevante é o fato de que o trabalho com a borracha resgata e fortalece a identidade seringueira”, conclui o chefe da Resex.

* Matéria assinada por Nana Brasil e publicada no site do ICMBio em 10/08/2015

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Centro avalia população de onças-pintadas em Gurupi (MA)

Os animais serão fotografados durante quatro meses

© Todos os direitos reservados. Foto: Adriano Gambarini

O Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap/ICMBio) e a Reserva Biológica (Rebio) do Gurupi (MA) iniciaram um projeto para avaliar a população de onças-pintadas na Unidade de Conservação (UC). As primeiras atividades de campo foram realizadas entre 15 e 29 de junho, quando a equipe instalou 21 pares de câmeras trap – máquinas fotográficas sensíveis ao movimento – em diferentes locais da Reserva, administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Durante os próximos quatro meses, as armadilhas irão registrar onças-pintadas, mas também poderão fazer registros de outras espécies da fauna local. As onças-pintadas serão identificadas a partir da fotointerpretação, pois cada animal apresenta um padrão de manchas único. Segundo a equipe da Reserva, esta atividade vai permitir fazer uma estimativa do tamanho e a densidade populacional desta espécie na UC e no mosaico que engloba as Terras Indígenas Awá, Carú, Alto-Turiaçu e Alto-Guamá.

A pesquisa também avaliará a dieta da onça-pintada na região e variações genéticas populacionais, por meio da análise de amostras de fezes coletadas na área e levadas ao Laboratório de Ecologia Trófica do Cenap.

Parceria Cenap e Rebio

A parceria entre o Cenap e a Rebio surgiu em 2012 quando teve início o projeto “Inventário de mamíferos terrestres de médio e grande porte como subsídios ao manejo de Unidades de Conservação Federais pouco conhecidas”. Segundo Elildo Carvalho Junior, analista ambiental do Cenap, “os resultados obtidos na ocasião indicaram que a Unidade abriga uma rica biodiversidade de mamíferos de médio e grande porte, indicando densidades populacionais relativamente altas”.

A Reserva Biológica está localizada em uma das áreas prioritárias para conservação da onça-pintada, como consta no Plano de Ação Nacional (PAN) da espécie. O projeto em andamento atende demandas previstas naquele PAN, além de ser um estudo inédito na região.

“A onça-pintada é uma espécie carismática, com forte apelo junto à sociedade, por isso consideramos que a pesquisa ajudará a divulgar e difundir a importância da Reserva para a conservação da biodiversidade, principalmente na região, visto que a UC sofre grandes ameaças, como extração ilegal de madeira, invasão e desmatamentos. Esta pesquisa ajuda a chamar a atenção da opinião pública local para a grande importância que o mosaico de áreas protegidas tem como único refúgio da biodiversidade da Amazônia oriental”, declarou a equipe de gestores da Rebio.

Os gestores também destacam a importância do desenvolvimento de trabalhos conjuntos entre as Unidades de Conservação e os Centros de Pesquisa do Instituto Chico Mendes, pois geram dados e informações consistentes que subsidiam a tomada de decisão para o manejo da UC. O Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa) apoia as pesquisas com onças-pintadas na Reserva Biológica do Gurupi desde 2012.

* Matéria publicada em 30/07/2015 no site do ICMBio

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Reserva Biológica do Jaru (RO) recepciona Festa da Colheita

A Reserva Biológica (Rebio) do Jaru, localizada no município de Ji-Paraná (RO), organizou, em parceria com  a Igreja Católica local e a Escola Municipal Jorge Teixeira, a “Festa da Colheita”. O objetivo foi promover a  educação ambiental junto à comunidade do pequeno e  aconchegante Distrito de Santa Rosa, em Vale do Paraíso (RO), no entorno da Rebio.

As atividades do dia tiveram início com um saboroso café da  manhã preparado pelas cozinheiras da comunidade e servido  aos participantes, seguido de uma celebração realizada pela  Igreja Católica local e por palestras realizadas pelos analistas  ambientais da Rebio, acerca de temas como Legislação Ambiental aplicada à Rebio do Jaru e Prevenção e Combate a  incêndios Florestais e Áreas de Pastagem.

Também participaram do evento a Secretaria Municipal do  Meio Ambiente de Vale do Anari (RO), por meio do secretário e conselheiro da UC. Ele ministrou uma palestra sobre  Legislação Ambiental aplicada a propriedades rurais.

Representante  da  Empresa  de  Assistência  Técnica  e  Extensão Rural de Rondônia (Emater-RO) ministrou  palestras  sobre  Piscicultura  e  Bovinocultura,  assuntos  de interesse da população local. Enquanto os adultos  participavam das palestras e tiravam suas dúvidas sobre os temas, as crianças tiveram o seu próprio espaço  e atividades relacionadas ao meio ambiente preparadas  especialmente para elas.

Após o término das atividades os comunitários saborearam  um delicioso almoço ao som da música ao vivo do cantor e  compositor regional Lu Ferreira. A maior parte dos recursos para o evento foram provenientes do Programa Áreas  Protegidas da Amazônia (Arpa), porém parte dos alimentos  e mão de obra foram doados pelos próprios comunitários,  incluindo o apoio dos brigadistas do ICMBio na montagem  e desmontagem das barracas.

A equipe gestora da Rebio do Jaru avalia que a “Festa  da Colheita” foi bem sucedida e alcançou seu objetivo.  “Ela será utilizada como base para realização de outros  trabalhos semelhantes nas demais comunidades do entorno da Rebio Jaru, que futuramente poderão receber  suas próprias edições do evento”, destacou o analista  ambiental e coordenador de Integração Externa da Rebio, Luciano Jesus de Lima.

* Matéria publicada no informativo ICMBio em Foco 354

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Moradores do rio Unini (AM) se reúnem em assembleia para apresentação de propostas de melhorias às famílias

A Associação de Moradores do Rio Unini (Amoru), no interior do Amazonas, realizou nos dias 22, 23 e 24 de julho, a 4ª Assembleia Geral da Reserva Extrativista (Resex) do Rio Unini, reunindo na comunidade do Tapiira aproximadamente 70 pessoas de outras dez vilas de moradores do rio.

O enconto faz parte de uma série de atividades organizadas pela associação criada em 2006 em parceria com a Fundação Vitória Amazônica (FVA), e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), que possibilitaram a criação da Resex do Rio Unini, concedendo aos moradores do rio, o acesso aos benefícios das políticas públicas e o direito a manter o seu modo tradicional e sustentável de vida.

Em três dias de evento, o encontro foi pautado por um conjunto de discussões acerca de alternativas econômica e ecologicamente viáveis em prol da qualidade de vida dos moradores das comunidades que integram o Unini.

Além do FVA, participaram diversas lideranças comunitárias, um membro do IBAMA, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), além de palestra com dois representantes do Batalhão Ambiental da Policia Militar do Estado do Amazonas e a Cooperativa dos Moradores do Rio Unini (Comaru).

Para o presidente de Amoru, José Dionísio da Silva, a assembleia reacendeu o desejo de mais mudanças positivas na vida dos povos tradicionais do Unini. “Essa assembleia foi especial, pois foi organizada exclusivamente pela nossa associação. Nada seria possível se não houvesse parceria e união entre as instituições que nos apoiam, além da preocupação dos nossos jovens envolvidos nas causas do rio”, disse.

Lideranças jovens

A novidade desta quarta edição ficou por conta do engajamento direto do grupo de Jovens Protagonistas do Rio Unini criado em 2013. A participação da equipe trouxe um olhar crítico e dinâmico para o evento.

Segundo o vice-presidente do grupo, Washington Souza da Silva, 21, a ocasião motivou ainda mais a participação dos jovens diante dos desafios encontrados nas comunidades do Rio Unini. “Esses três dias foram de extrema importância, pois aproximou mais os nossos jovens das discussões de interesse de todos que moramos aqui. O espaço foi uma forma de desenvolvimento para nós de uma forma geral”, falou.

Chamado da Floresta- A assembleia também foi uma oportunidade para apresentação da pauta que será apresentada no “Chamado da Floresta’’ que será realizada nos dias 28 e 29 de outubro, na comunidade São Pedro em Santarém, no Estado do Pará. Ao todo, três representantes jovens, acompanhados de um membro do ICMBio.

A ocasião também possibilitou pela primeira vez, o intercâmbio entre três representantes do projeto Jovens Protagonistas do Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do rio Negro, composto por cerca de 100 membros de 20 comunidades ao longo da bacia.

“Ficamos bastante gratos pelo convite, pois foi uma forma de conhecermos a realidade dos moradores de um ponto mais distante da nossa comunidade. Nesses três dias, trocamos experiências que deram certo em nossa localidade e no rio Unini, e abrimos uma nova possibilidade de mantermos contato”, destacou um dos membros do projeto, Moisés Freitas.

Artesanato- Além dos Jovens Protagonistas, a assembleia possibilitou a participação dos membros da Associação de Artesãos de Novo Airão (AANA) que trouxeram alternativas de interação profissional com a coleta e o uso do Arumã.

Outro momento importante da assembleia trouxe à tona as discussões em torno do potencial econômico do rio, com a apresentação final do planejamento realizado pelo Grupo de Trabalho (GT) do manejo do pirarucu e peixe ornamental formado pelos próprios moradores do Unini, com a participação do representante do IBAMA.

Sem a previsão de uma nova assembleia, os moradores pretendem colocar em prática nos próximos dias, todas as decisões tomadas coletivamente entre os participantes durante a reunião.

 Texto: Luciano Lima. Fotos: FVA

* Publicado no site da FVA em 27/07/2015