Notícias, Notícias das Unidades de Conservação

Artesanato com borracha resgata identidade seringueira na Resex Cazumbá-Iracema (AC)

Esquecido por um longo período, o látex extraído da seringueira ganhou novamente ares de protagonista na Reserva Extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema, com sede  no município de Sena Madureira, no Acre.

A retomada da utilização do látex como matéria-prima  foi possível graças à iniciativa das mulheres da comunidade,  que  enxergaram  nele  uma  alternativa  sustentável  de trabalho e passaram a produzir peças de artesanato  feitas com borracha.

“Hoje, nós conseguimos tirar nosso sustento da Reserva, mas sempre cuidando e mantendo a floresta em pé.  Não precisamos agredir nem derrubar nossas árvores nativas”, conta a artesã Leonora Maia, que coordena o  Grupo  de  Mulheres  da  Resex  Cazumbá-Iracema,  responsável pela produção das peças.

Ainda  segundo  a  coordenadora,  a  primeira  experiência  de comercialização dos produtos aconteceu em 2011 e,  desde então, os moradores da Reserva vêm experimentando mudanças significativas na sua qualidade de vida,  tanto pelo aumento na renda quanto pela preservação da  identidade seringueira.

“Os  homens  também  participam  e  auxiliam  em  alguns  processos, a exemplo da coleta do látex, atividade que havia sido abandonada pela comunidade”, pontua Leonora.

CADEIA PRODUTIVA

Utilizando a técnica conhecida como encauchados de vegetais, as participantes do Grupo de Mulheres misturam  ao látex coletado um agente vulcanizante, substância  que permite que a borracha seque sob o sol já na forma  do produto final. “O agente vulcanizante é fornecido  pelo  Projeto  Encauchados  de  Vegetais,  que  atua  em  diversas comunidades da Amazônia”, afirma Tiago Juruá,  chefe da Reserva.

Réplicas de folhas da floresta, em geral usadas como objeto de decoração ou jogo americano, as peças são produzidas em larga escala durante a época do ano em que  ocorre maior incidência da luz solar: entre abril e novembro. Ao longo desse período, o Grupo de Mulheres fabrica aproximadamente 4 mil itens por mês.

Para garantir a comercialização dos produtos, o ICMBio  articula a participação das artesãs em feiras e exposições,  sempre contando com dois importantes parceiros: o Governo do Estado do Acre e o Serviço Brasileiro de Apoio  às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que oferece oficinas de empreendedorismo, design e análise de preços.  “Nas feiras, elas recebem também diversas encomendas,  inclusive de outros estados”, destaca Tiago.
EMANCIPAÇÃO FEMININA

De acordo com Leonora Maia, antes dessa iniciativa as  mulheres viviam entre a roça e os afazeres domésticos,  numa  rotina  muito  dura  que  as  levava  a  pensar  em  ir  embora para a cidade. “Elas dependiam dos maridos, não  tinham autonomia financeira. Agora, com esse complemento  na  renda,  as  mulheres  têm  sua  independência”,  argumenta a coordenadora.

Para Tiago Juruá, a importância do projeto reside justamente na geração de renda fruto desse envolvimento  feminino no processo produtivo, o que eleva a autoestima e garante autonomia em relação aos homens. “Além  disso, outro aspecto relevante é o fato de que o trabalho  com a borracha resgata e fortalece a identidade seringueira”, conclui o chefe da Resex.

* Matéria publicada no informativo ICMBio em Foco 354

Notícias, Notícias sobre o Arpa

Arpa seleciona especialistas para o Painel Científico de Aconselhamento do Programa

Até 25 de agosto, especialistas em mudanças climáticas
, aspectos socioambientais e efetividade de gestão de áreas protegidas poderão se candidatar ao Painel Científico de Aconselhamento (PCA) do Programa Arpa. O mandato é de dois anos e os trabalhos têm caráter voluntário e colaborativo.

O PCA do Arpa tem cinco especialistas em sua composição e é uma instância consultiva do Programa. O grupo fornece embasamento científico e orienta a tomada de decisão da Unidade de Coordenação do Programa (UCP) em relação a temas ligados à biodiversidade, mudanças climáticas, aspectos socioambientais, valoração ambiental e efetividade de gestão de áreas protegidas.

Quando convocados, os membros do PCA recebem diárias e passagens para participarem das reuniões do Painel, realizadas preferencialmente em Brasília (DF). Embora as atividades de aconselhamento dos especialistas não sejam remuneradas, são oportunidades de colaborar com o maior programa de conservação de florestas tropicais do planeta. É o que explica um dos atuais membros do Painel: “Temos a chance de fazer parte de uma iniciativa que tem como meta a conservação de 60 milhões de hectares amazônicos. É uma contribuição singular à humanidade”.

Interessados em integrar o PCA do Arpa devem enviar até 25 de agosto seu currículo editado na plataforma Lattes para o e-mail arpa_ucp@mma.gov.br, indicando no campo “Assunto” em qual dos temas é especialista, seguindo o formato “PCA_especialista_em________”. O resultado da seleção será divulgado site www.programaarpa.gov.br a após deliberação do Comitê do Programa.

Acesse aqui a chamada pública nº 03/15, referente à seleção de especialistas para o PCA do Arpa

Saiba mais sobre o PCA do Programa Arpa

Notícias, Notícias das Unidades de Conservação

Esec Rio Acre (AC) promove expedição para mapear fauna de anfíbios e répteis

A Estação Ecológica Rio Acre, localizada no Acre, promoveu entre os dias 07 e 29 de abril uma expedição para inventariar a herpetofauna (fauna de anfíbios e répteis) existente  na Unidade de Conservação. Para a ação, que envolveu dias  em campo, gestores da Esec contaram com a coordenação  do  pesquisador  e  analista  ambiental  do  Parque  Nacional  do Catimbau (PE), Marco Antonio de Freitas, o pesquisador da Universidade Federal do Acre (UFAC), Nathocley  Venêncio, o analista ambiental da Esec Rio Acre, Lincoln  Schwarzbach,  e  o  técnico  de  agroecologia  Arley  Veloso,  além de uma equipe de apoio entre barqueiros e mateiros  totalizando 15 pessoas em campo.

A expedição contou com o apoio logístico do analista ambiental Anselmo Silva, e da chefe da Esec Rio Acre Aldalúcia Carvalho. A pesquisa contou com apoio e recursos  do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa). Outra  expedição será necessária no período seco para complementar o inventário e melhor conhecimento acerca da herpetofauna da Estação Ecológica. As metodologias utilizadas em campo foram a busca-ativa  durante o dia e a noite, além da instalação de quatro linhas  de armadilhas de interceptação e queda (pitfalls). A pesquisa é importantíssima pois se sabe muito pouco acerca da  fauna de anfíbios e répteis da Estação Ecológica, localizada  em uma área remota, na fronteira com o Peru.

Nesse primeiro inventário foram encontradas 88 espécies,  sendo 43 espécies de anfíbios e 45 espécies de répteis, destacando-se o sapo-cururu-mirim ( Rhinella poeppigii ), como  primeiro registro da espécie para o Brasil, pois esta espécie  é conhecida apenas na Bolívia, Peru e Equador numa faixa  estreita de florestas de montanhas pré andinas.  A serpente Drymobius rhombifer, foi o quinto registro para  o Brasil, sendo uma espécie muito rara e pouco conhecida. A  serpente  Bothrops bilineatus,  também foi outro achado. A  equipe de pesquisadores estará preparando um artigo em que  detalharão melhor os registros feitos na expedição.

* Matéria publicada no informativo ICMBio em Foco 354

Notícias, Notícias das Unidades de Conservação

Escola em área isolada da Resex Chico Mendes (AC) é modelo

A Escola de Ensino Fundamental e Médio Cumarú está localizada na Colocação Cumarú, Seringal São Francisco do  Iracema, na Reserva Extrativista Chico Mendes, município  de Rio Branco (AC). Seu único acesso se dá entre 5 e 8 horas  de viagem, após se percorrer um trajeto de 25 km de estrada  de terra e mais 20 km a pé ou a cavalo.

Os alunos pertencem à comunidade dos seringais São Francisco do Iracema e Macapá, na Reserva Extrativista Chico  Mendes e seu entorno onde foram feitos os estudos para  criação da Reserva Extrativista Riozinho do Rola. Essa comunidade vive basicamente do comércio da castanha, borracha e agricultura familiar, tendo na pesca e na caça fontes  primordiais de proteína animal.

A criação de bovinos também está presente em algumas  áreas, porém apenas como complemento na renda. Trata-se  de uma comunidade extremamente jovem. A região conta  com cinco escolas rurais de ensino fundamental.

Entretanto, a Escola Cumarú se destaca pela dedicação e  trabalho do professor Francisco Barbosa Leite, pedagogo e  teólogo, que transformou o local com projetos e iniciativas de gestão escolar diferenciada para áreas de floresta.

Ele construiu uma horta comunitária com os alunos,  iniciou o plantio de um Sistema Agro-florestal (SAF)  para abastecer a escola com apoio apenas da comunidade. Nesta horta existem espécies como acerola, café,  ingá, araçá-boi, coco, limão, laranja, cupuaçu, graviola, açaí, entre outros.

Foi do professor a ideia da construção de uma biblioteca, tendo criado um material didático próprio para a  comunidade, com materiais que integram a realidade  local. Um alojamento provisório foi estruturado para  os estudantes que moram há mais de três horas de distância e que, por este motivo, permanecem a semana  toda na escola.

Atualmente o maior desafio para gestão da escola é a implementação do telecentro, que já possui os computadores armazenados desde 2012, à espera da instalação. Não  foi por falta de apoio da comunidade que o espaço até  hoje não foi construído, tendo em vista que ainda não  há todos os equipamentos necessários para a instalação e para o fornecimento de energia – cujo fornecimento  precisa ser por placas solares.

Ação gerenciada pela Secretaria de Inclusão Digital, do Ministério das Comunicações (MC), os telecentros são espaços sem fins lucrativos, de acesso público e gratuito, com  computadores conectados à internet, disponíveis para diversos usos. Segundo dados do portal do MC, existem 7.755  telecentros em funcionamento em todo o Brasil, instalados  por meio de uma parceria entre ministérios, prefeituras e  entidades responsáveis pela manutenção desses espaços.

Outros desafios são a falta de valorização da carreira do magistério na área rural e o fornecimento da merenda escolar,  que poderia ser feito por meio da compra de produtos locais  pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) do Ministério de Desenvolvimento Social (MDS).

A escola conta com o apoio da Secretaria de Educação do  Estado do Acre, entretanto a carência de recursos é grande,  e falta principalmente um projeto político-pedagógico que  dê conta das especificidades do ensino formal em uma Unidade de Conservação de Uso Sustentável.

Os analistas ambientais Melina Andrade e Fernando França Maia realizaram uma visita ao local e fizeram um planejamento para dar início a atividades conjuntas do ICMBio com a gestão da escola, na comunidade e entorno.

A equipe de gestão do ICMBio na Resex Chico Mendes  também irá fornecer materiais específicos sobre a Reserva,  para auxiliar nas atividades escolares.

* Matéria publicada no informativo ICMBio em Foco 354

Notícias, Outras Notícias

Biodiversidade brasileira só ganha com unidades de conservação

Lei que regulamentou o Sistema de UCs no Brasil celebra 15 anos

© Todos os direitos reservados.

Em seu poema de 1959, Receita de Mulher, Vinícius de Moraes faz uma provocação “As muito feias que me perdoem; Mas beleza é fundamental”. Ele segue sua narrativa sobre a beleza e a não beleza mesmo sabendo que o conceito, para cada um de nós, é particular. O belo para um pode não ser para outro. E só há um consenso no mundo da beleza. A da natureza, em todas as suas manifestações. E o poeta prossegue: “É preciso que haja qualquer coisa de flor em tudo isso…”

Sejam experiências de mergulho em Noronha, de caminhadas na Tijuca, de passeios nas dunas de Lençóis Maranhenses, de trilhas intensas em Veadeiros ou na Diamantina, ou mesmo a vivência do modo de vida rico dentro de uma reserva extrativista. Tudo isso é extremamente intenso. Conecta cada pessoa que experimenta algum parque ou reserva desse Brasil.

E basta pensar em uma beleza cênica brasileira para constatar: ela é uma beleza cênica protegida por lei. Está materializada em um parque, reserva ou floresta. E se a beleza que vem à mente não é protegida por lei federal, certamente é uma unidade de conservação estadual ou municipal. Ou seja, as 12 categorias de Unidades de Conservação federais elencadas no Sistema Nacional de Unidades de Conservação – conhecido popularmente como SNUC (Lei 9.985/2000) se materializaram no Brasil. Para nosso bem e de todo o planeta.

Do primeiro parque brasileiro – Itatiaia (RJ), em 1937 – até a última unidade de conservação criada em 2014 – Estação Ecológica Alto Maués (AM) –, o Brasil chegou ao patamar de 320 Unidades de Conservação (UCs) federais e mais de 76 milhões de hectares de rica biodiversidade protegida. Os desafios para implementá-las continuam, mas há que se fazer o reconhecimento dos avanços que aconteceram de quando Itatiaia foi criado até hoje.

Celebrar os 15 anos da Lei 9.985/2000 significa celebrar a vitória da natureza e sua opulência. Mais do que rememorar os embates e lutas travadas para que o Brasil possuísse um Sistema de Unidades de Conservação próprio, é preciso constatar que ganhamos todos nós, cada ser humano ganhou a natureza e toda a biodiversidade. E que venham mais 15, mais 15, mais 15 e muitos outros 15 anos desta Lei. E que essas 320 Unidades se multipliquem ainda mais ao longo da história da conservação da biodiversidade brasileira.

Veja o Mapa Temático das Unidades de Conservação Federais.

Cronologia da aprovação da Lei que criou o SNUC

1989 – O anteprojeto foi entregue ao Ibama e encaminhado à Casa Civil da Presidência da República. A Casa Civil introduziu a primeira grande modificação na proposta original: suprimiu os dispositivos que criminalizavam as agressões às Unidades de Conservação, substituindo-os por sanções administrativas, sob protestos da comunidade ambientalista.

1992 – O anteprojeto chegou à Câmara dos Deputados, recebeu o nº 2.892 e foi encaminhado à Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias – CDCMAM, única Comissão designada para se pronunciar sobre o mérito do projeto, com poderes conclusivos.

Relator: Deputado Fábio Feldmann

Assessor: Maurício Mercadante

1994 – Ministério do Meio Ambiente organizou um importante workshop sobre Unidades de Conservação, onde um primeiro substitutivo ao projeto de lei foi amplamente debatido.

Final de 1994 – O deputado Feldmann entregou à CDCMAM, um substitutivo preliminar.

1995 – Novo relator: o deputado Fernando Gabeira.

CDCMAM, sob a presidência do deputado Sarney Filho: seis audiências públicas fora do Congresso, para promover um amplo debate sobre o projeto de lei do SNUC.

Cidades: Cuiabá, Macapá, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador.

1996 – Foram realizados três eventos: um workshop organizado pelo Instituto Sócio-Ambiental – ISA para analisar experiências concretas de conservação envolvendo populações tradicionais ou rurais, e dois seminários na Câmara dos Deputados, o primeiro, bastante polêmico, sobre a presença humana em Unidades de Conservação e o segundo dedicado às Reservas Particulares do Patrimônio Natural – RPPNs.

Final de 1996 – O relator ofereceu o seu substitutivo para ser votado pela Comissão. Votação do projeto não ocorreu.

Começo de 1998 – O relator deputado Gabeira solicitou e foi aprovado o regime de urgência para o projeto, mas a falta de uma decisão política impediu que ele entrasse na ordem do dia do Plenário.

Primeiro semestre 1998 – Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos Sociais para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento Sustentável, entidades ambientalistas “conservacionistas” e “sócio-ambientalistas” se reuniram para tentar encontrar uma proposta de consenso para o SNUC.

Início de 1999 – O Fundo Mundial para a Natureza – WWF, o ISA e o Instituto de Estudos Sócio Econômicos – INESC, deram início a uma campanha e mobilização em favor da aprovação do projeto.

Junho de 1999 – O governo apresentou sua proposta, com o apoio da Casa Civil. As modificações sugeridas foram, no essencial, aceitas pelo relator.

9 de junho de 1999 – O projeto foi finalmente a votação e aprovado na CDCMAM no dia 9 de junho, com algumas modificações pouco importantes em função de emendas apresentadas por deputados da Comissão.

10 de junho – Votado e aprovado no plenário da Câmara dos Deputados, com uma modificação importante: uma área protegida agora só pode ser criada mediante lei.

18 de julho de 2000 – Votado e aprovado no plenário do Senado Federal.

Fases do projeto

O primeiro texto é o projeto original do Poder Executivo.

O segundo é o substitutivo do deputado Fernando Gabeira antes das modificações propostas pelas entidades ambientalistas em 1998.

E o terceiro é o texto aprovado no Plenário da Câmara dos Deputados.

Mudanças no texto

art. 2º, inciso XV (população tradicional foi definida de forma mais rigorosa do que no texto final);

art 5º (introduziu princípios ausentes no projeto original);

art. 9º (a categoria Reserva Biológica, conceitualmente idêntica à Estação Ecológica, foi reintroduzida no texto final);

art. 14 (a RPPN foi elevada à condição de categoria de Unidade de Conservação do Sistema, em relação ao texto original; as categorias Reserva Produtora de Água e Reserva Ecológica Integradas foram suprimidas no texto final; a Reserva Ecológico-Cultural foi renomeada como Reserva de Desenvolvimento Sustentável;);

art. 17 (a presença de população tradicional, admitida no substitutivo, passa a depender de autorização do órgão competente no texto final);

art. 24 (introduziu a consulta pública prévia como condição para a criação de Unidades de Conservação; no texto final, esta consulta deixa de ser obrigatória no caso da criação de Estação Ecológica e Reserva Biológica; a já referida emenda apresentada no Plenário da Câmara conferiu ao Congresso a competência exclusiva para aprovar a criação de uma Unidade de Conservação);

art. 25 (introduzia a figura da interdição administrativa provisória; foi suprimido no texto final); art. 26 (as Florestas Nacionais foram excluídas do texto; o termo “contrato de concessão de direito real de uso” foi transformado em “contrato” apenas);

arts. 32, 35 e 38 (introduzidos pelo substitutivo);

art. 40 (as agressões às Unidades de Conservação foram criminalizadas);

art. 44 (o Poder Público, que antes se obrigava a relocar as populações residentes nas Unidades de Conservação agora obriga-se apenas a apoiar a relocação; o contrato de que trata o § 3º foi substituído, no texto final, por autorização do órgão competente);

art. 47 (foi suprimido);

art. 48, 49, 50 e 51 (introduzidos pelo substitutivo)

art. 58 (foi suprimido).

Fonte: Artigo ‘Breve histórico da origem e tramitação do Projeto de Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação – SNUC’, de autoria de Maurício Mercadante.

Confira a Lei na íntegra, clicando aqui.

Leia mais sobre o SNUC aqui.

* Matéria assinada por Sandra Tavares e publicada em 18/07/2015 no site do ICMBio

Notícias, Notícias das Unidades de Conservação

Concluída sinalização em Anavilhanas (AM)

Placas foram fixadas sobre árvores de grande porte

© Todos os direitos reservados. Foto: Enrique Salazar

Aproveitando o período de cheia do Rio Negro, a equipe do Parque Nacional de Anavilhanas – unidade de conservação administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) localizada no Amazonas – instalou 20 novas placas de sinalização. As placas, com dimensões de 3 metros por 1,5 metros, foram fixadas sobre árvores de grande porte com cabos de aço emborrachados e flexíveis, garantindo a sua durabilidade com o tempo.

Elas foram construídas com chapas de plástico reciclado cobertas com dupla camada de alumínio, também reciclado e emolduradas com madeira plástica maciça (Wood Plastic Composite – WPC), visualmente parecida com madeira convencional.

Imagens e textos foram impressos diretamente na chapa por sistema de impressão UV, tendo sido utilizadas tintas a base de pigmentos orgânicos, isentas de solventes.

Anavilhanas é um parque pioneiro na utilização dessas placas “ecológicas” com recursos do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa). Além de mais bonitas, se for comprovada a maior durabilidade em campo, é provável que esse modelo venha substituir as placas de ferro galvanizado comumente utilizadas.

* Matéria publicada no site do ICMBio em 17/07/2015

Notícias, Notícias das Unidades de Conservação

Operação Quelônios acontece na RESEX do Baixo Juruá (AM)

Entre os dias 23 de junho a 07 de julho, aconteceu a primeira etapa da Operação Quelônios na Reserva Extrativista do Baixo Juruá (AM). Com o objetivo de coibir a captura, transporte e venda dos quelônios amazônicos, a operação coordenada pelo ICMBio e financiada com recursos do Programa Arpa contou ainda com o apoio do IBAMA e do Batalhão de Polícia Ambiental do Amazonas.

Fiscalização em embarcação regional

Com o início do verão amazônico e a queda dos volumes de chuva na região, o nível dos rios diminui, época em que surgem as praias, ambientes ideais para a desova dos quelônios, em especial o Tracajá (Podocnemis unifilis); o Iaça (Podocnemis sextuberculata); e a Tartaruga (Podocnemis expansa). Aproveitando-se deste período, os caçadores de quelônios armam malhadeiras nos igarapés e beiradas de praia, capturando os animais antes mesmo da desova. Nos tabuleiros de desova a captura também acontece, já que nesses locais os ovos também despertam o interesse dos caçadores. Nesse sentido, a presença da fiscalização nesta época é fundamental para coibir possíveis ilícitos e possibilitar que os quelônios realizem a desova, iniciando um novo ciclo para as espécies.

Aproximação para abordagem em balsa

Em 15 dias de operação, a equipe de fiscalização realizou vistorias nos igarapés da RESEX, além de abordagens em embarcações que transitavam no rio Juruá e Andirá. Em cada abordagem, mesmo sem a constatação de irregularidades, a equipe transmitia aos tripulantes, viajantes e moradores locais a informação quanto à proibição da captura e venda de quelônios, bem como a importância destas espécies para ecossistema local e as populações ribeirinhas.

Abordagem em casa de pescaria no entorno da RESEX

Foram lavrados 2 autos de infração, referentes ao abate de Pirarucu (Arapaima gigas) e Jacaré-Açu (Melanosuchus Níger). Nas próximas semanas, a Operação Quelônios continuará na área da RESEX do Baixo Juruá, intensificando os trabalhos nos tabuleiros de desova que estarão mais salientes com a contínua vazante do rio Juruá.

Texto: Gerson Roessle Guaita / Fotos: ICMBio

Notícias, Notícias das Unidades de Conservação

Moradores constroem espigão na Resex Cururupu (MA) para conter erosão

Na reserva extrativista maranhense canal-de-maré está erodindo

© Todos os direitos reservados. Foto: Acervo ICMBio

Selo-Arpa1No final de junho foi concluída a primeira etapa do Projeto Restinga de Guajerutiua, que visa reverter o processo de erosão costeira na Reserva Extrativista de Cururupu, unidade de conservação administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) localizada no Maranhão.

Com o objetivo de se alargar a estreita faixa de areia entre o baixio, como é conhecido o canal-de-maré que está erodindo a linha de costa da ilha de Guajerutiua, e a duna frontal da praia foi construído um pequeno espigão com estruturas não-rígidas medindo 30 metros de comprimento por 5 metros de largura, estabilizando a restinga nessa localidade.

A erosão tem tirado a tranquilidade da comunidade de pescadores da reserva pelo fato dos extrativistas viverem em ilhas na costa do Maranhão distantes dos centros urbanos. E como não se pode usar máquinas nesses ambientes sensíveis da reserva, foi preciso um grande mutirão dos comunitários para construírem o espigão.

Grande parte do trabalho foi feito sobre o banco de areia formado pela ação do baixio, que impede que os sedimentos alcancem a praia. Ali os sacos foram preenchidos e costurados para depois ser feito o transporte.

As Reentrâncias Maranhenses, onde está localizada a Resex Cururupu, possuem um regime de macro-marés, com amplitude variando entre 4 a 8 metros a cada seis horas. Assim, em um turno do dia havia a possibilidade de se usar as carroças da comunidade, nos caminhos deixados durante a vazante da maré, para o transporte dos sacos. Já no outro turno, na preamar, eram os barcos que ajudavam no transporte da sacaria.

Após uma semana de trabalho, o desafio de transportar cerca de 1200 sacos de um lado para outro do canal, pesando mais de 60 kg cada, foi concluído. A soma totalizou uma estrutura com peso de aproximadamente 70 toneladas.

© Todos os direitos reservados. Foto: Acervo ICMBio

Segundo o chefe da Resex de Cururupu, Eduardo de Borba, para se definir a forma e o local do espigão foram consideradas a direção preferencial e a intensidade das correntes, a profundidade e a extensão do canal. São esperadas modificações rápidas no curso d’água que forma o baixio, visto que o ambiente possui alta hidrodinâmica, o que irá requerer outras intervenções e formas de estabilização provocada pelas mudanças subsequentes”, frisou ele.

A Resex de Cururupu conta com apoio do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa) para o desenvolvimento de suas atividades, como as de mitigação de impactos em ambientes vulneráveis.

Além dos comunitários da Ilha de Guajerutiua, estudantes do curso de oceanografia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), a Associação dos Moradores da Reserva Extrativista de Cururupu e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Cururupu e toda a equipe da reserva se envolveu nesta atividade.

* Matéria publicada no site do ICMBio em 17/07/2015

Notícias, Notícias sobre o Arpa

Turma II do curso de Geoprocessamento com QGIS do ICMBio vai receber 6 colaboradores do Arpa

Até 26 de julho, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) recebe inscrições para a segunda turma do Curso de Geoprocessamento com QGIS. O objetivo da formação é habilitar os participantes a utilizarem ferramentas de geoprocessamento para a construção de produtos que subsidiem os processos de gestão do instituto por meio do software QGIS.

Das 20 vagas disponíveis para a turma II, 6 serão destinadas a servidores, gestores e parceiros do Programa Arpa. As inscrições desses colaboradores devem ser feitas por meio deste formulário. De 31 de julho a 21 de agosto e de 29 de agosto a 5 de setembro, acontece o módulo a distância e, de 24 a 28 de agosto, a etapa presencial na ACADEBio (Iperó/SP). Acesse aqui o edital do curso.

Texto: Fábia Galvão

Notícias, Notícias das Unidades de Conservação

Operação de fiscalização combate invasão no Médio Juruá (AM)

210 quilos de pescado foram doados e 36 quelônios soltos na natureza

© Todos os direitos reservados. Foto: Acervo ICMBio

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) realizou, em parceria com o Batalhão de Polícia Ambiental do AM e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), operação de fiscalização na Reserva Extrativista do Médio Juruá e entorno – município de Carauari ( AM) – no período de 12 a18 de junho.

O objetivo foi mitigar os ilícitos ambientais cometidos dentro da Resex do Médio Juruá e da Reserva de Desenvolvimento Sustentável estadual – RDS Uacari,localizada no entorno da Resex. A operação foi coordenada pelos agentes de fiscalização do ICMBio, Helder Oliveira e do Ibama, Porfírio Gondim.

Durante a operação foram encontrados pescadores e caçadores com carnes de caça (paca, macaco guariba, nambu e jacaré), além de quelônios (tartaruga, iaçá, tracajá e jabuti) e pescados (pirarucu e tambaqui) todos extraídos ilegalmente da área das reservas.

Ao final 210 quilos de pescado foram doados e 36 quelônios foram soltos na natureza. A carne de caça foi destruída, como forma de não incentivar o consumo de tais espécies capturadas ilegalmente. Seis curiós, encontrados em cativeiro em uma comunidade, foram soltos.

Dada a riqueza e abundância de recursos naturais na região, a Resex e RDS são áreas muito procuradas pelos moradores de Carauari, que invadem as unidades de conservação nesta época de vazante do rio para capturar e comercializar pescados e quelônios. Em muitos casos eles se utilizame de práticas predatórias, como fechar bocas de lagos e igarapés, que facilitam a captura dos animais nas malhadeiras.

Plano de Proteção

No momento está em elaboração o Plano de Proteção da Resex do Médio Juruá e da RDS Uacari, que irá subsidiar as ações de proteção na região. Além da fiscalização nas UCs, o plano aponta para a necessidade de se controlar o comércio ilegal em Carauari, visto que grande parte dos recursos naturais extraídos ilegalmente nas reservas é levada para venda na cidade.

Ibama e Polícia Ambiental, com apoio do ICMBio, tem atendido às denúncias de crimes ambientais na cidade de Carauari. Um exemplo foi denúncia feita recentemente e que resultou em ações fiscalizatórias entre os dias 19 a 25 de junho. Entre os autuados estão proprietários de uma movelaria, uma serraria e três pessoas com animais em cativeiro, sendo um curió, dois quelônios, dois macacos e cinco antas. Outras três pessoas foram pegas em flagrante com duas mantas de pirarucu (24kg), 20 quelônios e 80kg de carne de caça, entre paca, veado e caititu.

Riquezas

Apesar dos problemas ambientais, as UCs do médio Juruá apresentam grande diversidade de espécies e cobrem extensa área de florestas preservadas, consideradas de extrema importância para a conservação. Possuem inúmeros lagos e grande produtividade pesqueira, que abastece o mercado local e regional. São áreas estratégicas para a conservação na bacia do rio Juruá, ambas apoiadas pelo Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa).

Além da fiscalização, o ICMBio há muitos anos apóia ações de vigilância comunitária de lagos e tabuleiros de desova de quelônios e, junto com parceiros, fomenta iniciativas de geração de renda baseadas no extrativismo, no intuito de inibir a pressão sobre os recursos naturais da região. Entre os projetos de geração de renda, estão o manejo de pirarucu, manejo de sementes oleaginosas e produção de óleos vegetais, produção de borracha e açaí.

Necessária maior fiscalização estadual

Além da fiscalização pelos órgãos federais, é fundamental que a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) atue conjuntamente na proteção da RDS Uacari, cuja gestão estadual. A RDS é constantemente invadida por moradores da cidade e barcos de outras regiões, que vêem na ausência dos órgãos fiscalizadores uma oportunidade para extração ilegal de madeira, caça, peixes e quelônios. Apesar das frequentes denúncias e pedidos de apoio das comunidades da RDS, há sete anos o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM) não realiza fiscalização na região.

* Matéria publicada no site do ICMBio em 16/07/2015