Notícias, Notícias das Unidades de Conservação

Comunitários contribuem para conservação de quelônios amazônicos

A Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Amazonas, possui grandes aliados para a conservação de sua biodiversidade. Os moradores dessa região trabalham pela proteção das áreas, evitando a invasão e exploração ilegal dos recursos naturais. O aparecimento das praias, no início da estação seca na região, indica também o começo da temporada reprodutiva de algumas espécies de tartarugas fluviais amazônicas. Por meio de uma escala de revezamento, os comunitários vigiam as praias durante o dia e a noite, contribuindo para a conservação dessas espécies.

“Eles vivem na área da Reserva e em contato direto com esses animais. É muito importante termos esse retorno dos comunitários, porque além de auxiliar na conservação das espécies, pode nos ajudar a obter informações cientificas. Por exemplo, quantas fêmeas estão desovando em cada área”, contou Ana Júlia Lenz, pesquisadora do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Atualmente, são 12 comunidades atuantes na Reserva Mamirauá e três na Reserva Amanã. Seis dessas comunidades paralisaram as atividades de proteção das áreas de desova por longo período e retornaram ao trabalho este ano. Além de vigiar as áreas, diminuindo a pressão da caça sobre as espécies, os comunitários também percorrem as praias e registram em relatório a quantidade de ninhos ou fêmeas desovando avistados. Os dados coletados pelos moradores ajudam na composição da série histórica, do monitoramento populacional, mantida pelo Instituto.

A equipe do Programa de Pesquisa em Conservação e Manejo de Quelônios, realizado pelo Instituto Mamirauá, estuda a ecologia reprodutiva de três espécies de quelônios da região do Médio Solimões: a iaçá (Podocnemis sextuberculata), o tracajá (Podocnemis unifilis) e a tartaruga-da-amazônia (Podocnemis expansa).

Também é feito o monitoramento populacional de iaçás há vinte anos pela equipe do Instituto Mamirauá. Durante esse período, já foram capturados e avaliados mais de sete mil indivíduos.  Os dados estão sendo analisados pela equipe para chegar aos resultados de estimativa e viabilidade populacional da espécie.

Ana Júlia também reforça que “além de contribuir para a conservação das espécies de quelônios, as praias protegidas pelos comunitários beneficiam uma série de outros animais, como as aves de praia que também constroem seus ninhos nas mesmas áreas que os quelônios, e muitas espécies de peixes que vivem nas proximidades e se beneficiam do fato de não ser permitida a pesca nestas áreas”.

Dois alunos do Centro Vocacional Tecnológico do Instituto Mamirauá estão trabalhando a conservação comunitária de quelônios como tema central dos seus projetos de conclusão de curso. E o trabalho já está dando resultado. O envolvimento dos alunos com as comunidades e o incentivo à conservação das áreas de desova fez com que novas comunidades aderissem à proteção das praias. Os alunos Fabricio Faustino de Castro e Sandro dos Santos Ferreira continuam o encaminhamento da parte prática do trabalho nas comunidades, e defendem seus projetos no final do ano para uma banca examinadora.

* Matéria assinada por Amanda Lelis e publicada no site do Instituto Mamirauá em 29/09/2015

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Monitoramento da biodiversidade será ampliado

Programa do ICMBio vai ser implantado em pelo menos 40 UCs

© Todos os direitos reservados. Foto: João Freire

O Instituto Chico Mendes da Conservação da Biodiversidade (ICMBio) participou, na quarta-feira (23), de reunião técnica, no VIII Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação (CBUC), sobre as perspectivas futuras do Programa Nacional in Situ de Monitoramento da Biodiversidade em Unidades de Conservação (UCs). O CBUC está sendo realizado em Curitiba (PR) e segue até esta sexta-feira (25).

Selo-Arpa1No encontro, a coordenadora de Monitoramento da Conservação da Biodiversidade, da Diretoria de Pesquisa, Avaliação e Monitoramento da Biodiversidade (Dibio), do ICMBio, Tathiana Chaves, citou três experiências de implantação do programa no Parque Nacional (Parna) do Jaú e Reserva Extrativista (Resex) do Rio Unini, no Amazonas, com o monitoramento de quelônios (animais com casco) aquáticos; na Resex do Riozinho do Anfrísio, na Terra do Meio, em Altamira (PA); e na Resex do Uatumã, no Amazonas.

Sobre os próximos passos, a coordenadora adiantou que outras UCs federais devem implantar o programa nacional ainda este ano. “Vinte e seis unidades já estão no caminho para a implantação e outras 16 estão sendo capacitadas para isso. Pretendemos implantar o Programa in situ em pelo menos 40 unidades, na busca pela consolidação da iniciativa, contando para tanto com uma rede de apoio bastante importante, formada por 15 centros Nacionais de Pesquisa, gestores das UCs e parcerias locais”, afirmou.

Segundo Tathiana, a consolidação do Programa passa, também, pela integração com as outras várias iniciativas existentes, o estabelecimento de análises robustas aptas para serem utilizadas na atualização de planos de manejo e em demais pesquisas.

No início da palestra, Tathiana explicou que o Programa Nacional in Situ de Monitoramento da Biodiversidade em Unidades de Conservação é coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e Instituto Chico Mendes. Segundo ela, o programa foi desenvolvido no contexto da Cooperação Brasil-Alemanha, no âmbito da Iniciativa Internacional de Proteção ao Clima (IKI), do Ministério do Meio Ambiente alemão, por meio do apoio técnico da Agência GIZ.

“O desenvolvimento do programa ocorreu dentro de um contexto em que se havia diversas ferramentas de monitoramento no Brasil, com um trabalho bastante avançado e consolidado sobre embarcações pesqueiras e águas, por exemplo, contudo, ainda com lacunas no que se referia ao monitoramento da biodiversidade, até pelas dificuldades técnicas existentes em se monitorar ao tão complexo”, afirmou ela.

Como estratégia para garantir a sustentabilidade e continuidade das atividades do monitoramento, foram definidos princípios e diretrizes, como a definição de quatro indicadores biológicos (plantas lenhosas, borboletas frugívoras, grupo selecionado de aves e mamíferos de médio e grande porte) e a busca pela resposta à pergunta: o Sistema Nacional de Unidades de Conservação está sendo, de fato, efetivo para a conservação da biodiversidade?

“Com esse norte, o programa priorizou protocolos de avaliação rápida, que otimizassem tempo, recursos financeiros e recursos humanos, e que envolvessem a participação de agentes locais – tanto de agentes comunitários, como de analistas e técnicos ambientais – e de especialistas de nossos Centros de Pesquisa e Conservação, além dos demais parceiros como Instituições de Ensino e Pesquisa e ONGs.Para tanto, o Programa conta com dois fortes componentes: a capacitação e a gestão de informações”, explicou Tathiana.

A partir dessas definições, foram selecionadas seis unidades de conservação (UC) para cada um dos três biomas (Amazônia, Mata Atlântica e Cerrado) escolhidos para monitoramento como amostras do programa piloto.

* Matéria assinada por Julia Bandeira e publicada no site do ICMBio em 24/09/2015

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Reserva Extrativista Ituxi (AM) é exemplo de produtividade

UC faz manejo de castanha, copaíba, pirarucu e madeira

© Todos os direitos reservados. Foto: Acervo ICMBio

A Reserva Extrativista (Resex) Ituxi, unidade de conservação administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em Lábrea (AM), distribui-se por 18 comunidades, envolvendo atividades sustentáveis conduzidas por 123 famílias.

Somente dentro da reserva, são 523 pessoas que, juntamente com a gestão do ICMBio, têm avançado na condução de uma série de atividades produtivas, promovidas pelas comunidades tradicionais.

Entre os produtos explorados de forma sustentável, estão a castanha-do-Brasil, o óleo de copaíba e o pirarucu. A unidade desenvolve ainda o Plano de Manejo Florestal Sustentável (PMFS) que iniciou as atividades no dia 4 de setembro.

O volume a ser explorado na primeira Unidade de Produção Anual (UPA), segundo a Autorização de Exploração (Autex), pode chegar a 440,26 metros cúbicos de madeira serrada. O trabalho é conduzido em parceria com o Serviço Florestal Brasileiro, a empresa Tramity Business to Governament e o Instituto Floresta Tropical (IFT), com sede no Pará.

Conselho deliberativo

A reserva conta com conselho deliberativo constituído e atuante. “Recentemente trabalhamos o plano de ação do conselho de forma participativa e fizemos a revisão do acordo gestão da reserva”, disse Joedson da Silva Quintino, chefe da Resex Ituxi.

Situada na região do chamado arco do desmatamento, na porção sul do Amazonas, a Resex sofre com as pressões relacionadas ao desmatamento. “Estamos combatendo qualquer avanço desordenado ou qualquer tentativa de retirada de madeira de dentro da reserva”, explica Quintino.

Para isso, o gestor, que é o único lotado na reserva, conta com apoio de outras unidades de conservação circunvizinhas, localizadas na mesma área de influência, como o Parque Nacional Mapinguari, Floresta Nacional do Iquiri e Reserva Extrativista Médio Purus. “Para as ações de fiscalização contamos com esses esforços, somados”, reitera o chefe.

Na luta pela regularização fundiária, a reserva tem dialogado com outras instituições como o Conselho Nacional das Populações Tradicionais (CNS), a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e órgãos estadual e federais que atuam na área. Esse trabalho é mediado pelo Ministério Público Federal (MPF).

O diálogo já rende frutos, a exemplo dos quatro lotes vendidos por meio do mecanismo da compensação de reserva legal. “E a associação tem encaminhado documentos para o Instituto de Terras do estado para emissão dos certificados de Concessão de Direitos Reais de Uso (CCDRU)”, frisa Quintino.

Os certificados legalizam a permanência dos moradores em áreas do interior da Resex e permitem que eles possam usufruir dos recursos naturais e desenvolver suas atividades produtivas sem risco de serem expulsos da terra.

Educação ambiental

A reserva registra avanços na área de educação ambiental. Juntamente com o projeto Pé de Picha, da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), o gestor da unidade vem promovendo a capacitação de professores.

A Resex é alvo de pesquisas científicas em flora, fauna e modo de vida tradicional da comunidade. No momento, segundo o chefe, não há nenhum pesquisador atuando no interior da reserva, mas todos são bem-vindos.

“Deixo aberto o convite para que os pesquisadores, em especial das universidades locais, venham estudar esse berço de biodiversidade amazônica”, convida Quintino.

No momento, a reserva está concluindo o seu Plano de Manejo. Já foram compridas algumas etapas, como o levantamento das famílias que moram na UC e o diagnostico ambiental. “Falta agora terminar o diagnóstico socioambiental para fechar o plano de manejo da UC”, comemora o gestor.

Sobre o Projeto Pé de Picha

O Pé-de-Pincha é um programa de extensão universitária que visa conservar as populações de quelônios (animais com casco) por meio do manejo participativo, envolvendo ribeirinhos, produtores, professores e alunos. O trabalho é feito por meio de educação ambiental em 118 comunidades do Baixo Amazonas e Juruá.

Em 16 anos de trabalho, o Projeto, que tem o patrocínio da Petrobras, por meio do programa Petrobras Socioambiental, já devolveu à natureza mais 3 milhões filhotes de quelônios – tracajás (Podocnemis unifilis), tartarugas-da-Amazônia (P. expansa), iaçá ou pitiu (P.sextuberculata), irapuca ou calalumã (P. erytrocephala) e cabeçudo (Peltocephalus dumerilianus). Após a soltura, os animais são monitorados pelos pesquisadores.

Os animais devolvidos a natureza em 2014, no Médio Rio Amazonas, Madeira, Negro, e nos municípios de Nhamundá, Barcelos, Itacoatiara, Parintins, Barreirinha, Maués, Careiro da Varzea, Borba, Canutama, Novo Airão, Carauari/AM e Terra Santa, Juriti e Oriximiná/PA, por exemplo, são monitorados via Rádio VHS, satélite e microchip. O objetivo é entender a dinâmica dos quelêonios em seu ecossistema.

* Matéria assinada por Sandra Tavares e publicada no site do ICMBio em 23/09/2015

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Anavilhanas (AM) promove estudo sobre botos

Dados serão úteis no ordenamento do turismo no parque

© Todos os direitos reservados. Foto: Larissa Jardim

O Parque Nacional de Anavilhanas, gerido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, no Amazonas, iniciou o inventário de duas espécies de cetáceos que ocorrem na unidade de conservação: o boto-vermelho (Inia geoffrensis) e o boto-tucuxi (Sotalia fluviatilis). O objetivo é coletar informações populacionais sobre esses animais.

Segundo Marcelo Vidal, analista ambiental do ICMBio e coordenador do projeto Pesquisa e manejo do turismo interativo com botos no Parque Nacional de Anavilhanas, o inventário vai gerar importantes informações para o ordenamento da atividade turística com esses animais na unidade de conservação.

“Em julho iniciamos as atividades do inventário de cetáceos por meio de duas metodologias bastante conhecidas, os transectos lineares e os pontos fixos. Nosso interesse é estimar quantos botos-vermelhos e botos-tucuxis estão presentes no parque e saber como estas espécies estão utilizando os diferentes ambientes, como lagos, igarapés, canais principais dos rios, entre outros”, afirma Vidal.

Ainda segundo ele, o levantamento dessas informações permitirá estabelecer roteiros aquáticos para observação de cetáceos em Anavilhanas sem o oferecimento de alimentação artificial, que hoje é o modelo de turismo desenvolvido na unidade de conservação.

A primeira etapa do inventário, realizado na segunda quinzena de julho, época de cheia do rio Negro, contou com a colaboração voluntária de uma bióloga e de uma estudante de Ciências Biológicas, ambas do estado de São Paulo.

Como resultado, foram registrados 85 avistamentos de cetáceos, sendo 25 de boto-vermelho e 60 de boto-tucuxi. A intenção agora é realizar outras três etapas do inventário, cada uma delas em diferentes fases do ciclo hidrológico: vazante, seca e enchente.

A chefe do Parque Nacional de Anavilhanas, Priscila Santos, diz que os resultados do inventário poderão ainda ser utilizados no ordenamento do uso público da unidade de conservação. “Dependendo da forma de uso dos cetáceos em cada área, podemos trabalhar na proposição de zonas aquáticas de diferentes intensidades de uso, como, por exemplo, áreas usadas pelos cetáceos para descanso não serem utilizadas em atividades turísticas embarcadas”.

As ações do projeto Pesquisa e manejo do turismo interativo com botos no Parque Nacional de Anavilhanas envolvem parcerias com a Universidade Federal do Amazonas, Flutuante dos Botos, Instituto Dharma, Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Amazônica e conta com recursos do programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa) e da Diretoria de Pesquisa, Avaliação e Monitoramento da Biodiversidade (Dibio) do ICMBio.

* Matéria publicada em 10/09/2015 pelo ICMBio

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Oito UCs da Amazônia que você tem que conhecer

Hoje é o Dia da Amazônia. Dia do bioma com a maior biodiversidade do mundo em números absolutos. Para comemorar selecionamos oito Unidades de Conservação incríveis da Amazônia:

Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque (AP) *

© Todos os direitos reservados. Fotos: Leonardo Milano

 

Parque Nacional do Jaú (AM) *

© Todos os direitos reservados. Foto: Priscila Forone

 

Reserva Extrativista Rio Unini (AM) *

© Todos os direitos reservados. Foto: Josãngela Jesus

 

Parque Nacional do Viruá (RR) *

© Todos os direitos reservados. Foto: Nelson Yoneda

 

Parque Nacional de Anavilhanas (AM) *

© Todos os direitos reservados. Foto: Leonardo Milano

 

Floresta Nacional do Amapá (AP)

© Todos os direitos reservados. Foto: Tainah Corrêa Seabra

 

Parna Nacional do Monte Roraima (RR)

© Todos os direitos reservados. Foto: Taylor Nunes

 

Floresta Nacional do Tapajós (PA)

© Todos os direitos reservados. Foto: Leonardo Milano

 

* Unidades de Conservação apoiadas pelo Programa ArpaSelo-Arpa1

 

 

 

 ** Matéria publicada em 05/09/2015 pelo ICMBio

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Reserva Extrativista Chico Mendes (AC) promove expedição para planejar o monitoramento e registrar sua biodiversidade

camisaDe 17 a 22 de agosto, gestores da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes (AC), lideranças comunitárias da região, representantes do comando Florestal e do Exército Brasileiro participaram de uma expedição no interior da Unidade de Conservação (UC).  A viagem, que aconteceu pelo ramal do Icuriã e seguiu até a margem do Rio Iaco,  teve como objetivo identificar a área para instalação de parcelas permanentes, ferramentas que possibilitarão o monitoramento da biodiversidade na área protegida.

rioDurante a expedição, também foi gravado um documentário sobre a vida amazônica, que retratou as principais cadeias produtivas da região e questões relativas à saúde e educação das populações locais. A produção audiovisual teve a participação de seringueiros, pescadores, ribeirinhos e outros moradores da região. Para o cineasta Guillermo Planel,  as gravações evidenciaram o trabalho de preservação da mata e das comunidades que residem nela. “O trabalho desenvolvido na Resex Chico Mendes é de uma importância vital não apenas para o Acre e para o Brasil, mas principalmente para o mundo”, declarou o diretor.

exércitoOs especialistas que participaram da viagem identificaram florestas de terra firme e de várzea. Essas áreas estão totalmente preservadas e abrigam várias espécies de mamíferos, a exemplo da Anta (Tapirus terrestris). Já o Exército Brasileiro realizou um trabalho de monitoramento na área visitada. E um sobrevoo de 7 horas pelas zonas primitivas revelou grande extensão de floresta preservada da UC, além de viabilizar o registro de imagens atualizadas da região.

Texto: Silvana Souza

Fotos: Fernando França

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Operação combate ilícitos ambientais no Amazonas

Ação reuniu agentes de três unidades de conservação, Ibama e PM

 © Todos os direitos reservados. Foto: Acervo ICMBio

Oito autos de infração, totalizando R$ 190 mil em multas, e a apreensão de um barco, um motor, carne de caça, 361 quelônios (animais com casco), sendo 360 tracajás (Podocnemis unifilis) e um irapuca (Podocnemis erythrocephala).

Selo-Arpa1Esse foi o saldo da operação de fiscalização, concluída na semana passada, pelas unidades de conservação (UCs) pertencentes ao Núcleo de Gestão Integrada de Novo Airão (Parque Nacional de Anavilhanas, Parque Nacional do Jaú e Reserva Extrativista do Rio Unini), no Amazonas.

A operação, que ocorreu entre os dias 11 e 22 de agosto, foi realizada em conjunto com o Ibama e o Batalhão de Policiamento Ambiental (BPAmb) da Polícia Militar do Amazonas.

Os quelônios apreendidos foram capturados no rio Jaú, no interior do parque e seriam vendidos a receptadores em Novo Airão. Os animais foram soltos no rio.

Três “tartarugueiros”, como são conhecidos os traficantes de quelônios, foram detidos e conduzidos à Polícia Federal, em Manaus (AM).

Segundo Henrique Salazar, do Parque Nacional de Anavilhanas, a operação conseguiu inibir, ainda que temporariamente, ilícitos ambientais comuns na região do baixo Rio Negro, tendo sido considerada exitosa pela equipe.

* Matéria publicada em 31/08/2015 pelo ICMBio

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Pesquisa avaliará turismo com botos em Anavilhanas (AM)

Objetivo é mensurar contribuição financeira da atividade

© Todos os direitos reservados. Foto: Dirceu Martins

Analistas ambientais do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Sócio-biodiversidade Associada a Povos e Comunidades Tradicionais (CNPT) e do Parque Nacional de Anavilhanas, no Amazonas, reuniram-se com gerentes de hotéis e pousadas de Novo Airão (AM) para discutir a realização conjunta de pesquisa sobre a contribuição financeira que o turismo interativo com os botos (Inia geoffrensis) gera para a cidade.

Durante a reunião, realizada na semana passada, foi apresentada a metodologia a ser adotada, as perguntas a serem feitas nas entrevistas com os hóspedes dos hotéis e pousadas e o período em que a pesquisa será desenvolvida. As informações servirão para aprimorar as medidas de regulamentação e controle das interações dos turistas com os botos.

Anavilhanas realizará análise genética dos botos

Artigos trazem informações sobre turismo com botos

Desde 2010, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) vem promovendo ações participativas para ordenar e monitorar o turismo interativo com botos no Parque Nacional de Anavilhanas. As interações com o golfinho fluvial são consideradas o principal atrativo da unidade de conservação (UC) e da cidade de Novo Airão.

Segundo o analista ambiental Marcelo Vidal, coordenador do projeto Pesquisa e manejo do turismo interativo com botos no Parque Nacional de Anavilhanas, uma das formas de medir essa contribuição é através de informações obtidas com os turistas que se hospedam na cidade de Novo Airão e que também visitam o Flutuante dos Botos.

© Todos os direitos reservados. Foto: Acervo ICMBio“Neste primeiro momento realizaremos entrevistas com os turistas diretamente nos hotéis e pousadas da cidade. Mas, também utilizaremos a metodologia com as pessoas que visitam o Flutuante dos Botos e retornam para suas cidades de origem no mesmo dia, sem se hospedarem em Novo Airão”, diz ele.

Dentre as informações que serão obtidas na pesquisa, estão o perfil do turista e o objetivo de sua viagem a Novo Airão, as atividades desenvolvidas na cidade e no Parque Nacional de Anavilhanas, os tipos e valores das despesas realizadas e sua percepção sobre a visita ao Flutuante dos Botos.

Segundo Priscila Santos, chefe do Parque Nacional de Anavilhanas, os resultados da consulta trarão subsídios importantes para todos. “A sistematização das informações obtidas junto aos turistas permitirá ao ICMBio, à Prefeitura de Novo Airão e ao trade turístico entenderem como o turismo interativo com botos no parque contribui para a economia da cidade, permitindo assim um melhor planejamento da atividade e dos demais atrativos locais”.

As ações do projeto Pesquisa e manejo do turismo interativo com botos no Parque Nacional de Anavilhanas envolvem parcerias com a Universidade Federal do Amazonas, Associação de Turismo de Novo Airão, Flutuante dos Botos, Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Amazônica e Parque Nacional de Anavilhanas.

* Matéria publicada em 14/08/2015 no site do ICMBio

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Reserva no Amazonas desbarata garimpo ilegal

Com os infratores, agentes encontraram um quilo de ouro

© Todos os direitos reservados. Foto: Acervo ICMBio

A equipe da Reserva Extrativista (Resex) do Rio Jutaí acaba de divulgar balanço da Operação Hidra, iniciada no fim de julho e encerrada na semana passada, para combater garimpo ilegal e outros crimes ambientais no interior e entorno da unidade de conservação (UC), gerida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) no Amazonas.

Segundo os agentes de fiscalização, foram apreendidos um quilo de ouro, transportado em duas embarcações, quatro dragas e uma voadeira (barco), usadas para extração do minério em um garimpo ilegal, instalado no Rio Boia, numa região fora dos limites da UC.

Ao todo, foram lavrados 14 autos de infração no interior da Resex e outros quatro na área do entorno. Somadas, as multas atingiram pouco mais de R$ 29 milhões. Já os bens apreendidos foram avaliados em R$ 2,2 milhões. O ouro foi entregue à Coordenação Regional 2, do ICMBio, para ser repassado à Polícia Federal.

Além de desbaratar o garimpo, os agentes de fiscalização encontraram 39 quelônios (animais com caso), sendo transportados por caçadores clandestinos. O grupo foi autuado e os animais soltos. Além disso, os servidores apreenderam 18 m3 de madeira, doados posteriormente a famílias da região.

O coordenador da operação, o agente de fiscalização Helder Costa de Oliveira, disse que o garimpo ilegal vinha causando muitos problemas tanto no Rio Boia como no Rio Jutaí. “Diversos moradores, inclusive indígenas, reclamavam da alteração da coloração da água dos rios e também se queixavam de dores abdominais devido ingestão de água após a instalação do garimpo no local”.

Não bastassem esses problemas, o garimpo, segundo Oliveria, provocava assoreamento das margens dos rio Jutaí e Bóia, além de contaminação e morte de peixes e outros animais.

Afora os agentes do ICMBio, participaram da operação servidores do Ibama e policiais militares do Estado do Amazonas (Batalhão Ambiental) e do município de Tefé (AM), que fica bem próximo à Resex.

* Matéria publicada em 14/08/2015 no site do ICMBio

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Reserva no Pará incentiva criação de abelhas

Mel será consumido e comercializado pelos extrativistas

© Todos os direitos reservados. Foto: Acervo ICMBio

Selo-Arpa1A Reserva Extrativista (Resex) Riozinho do Anfrísio, administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), na Terra do Meio, sudoeste do Pará, acaba de promover oficina de criação de abelhas sem ferrão (meliponicultura).

A iniciativa, que teve a participação de moradores das várias comunidades da Resex, contou com parceria do Núcleo de Gestão Integrada do ICMBio, em Altamira (PA), da Universidade Federal do Pará (UFPA) e do Instituto Socioambiental (ISA). A oficina ocorreu durante dois dias no fim de julho, após reunião do conselho deliberativo da reserva.

Importância para sustentabilidade ambiental

No primeiro dia, o professor Plácido Magalhães, do curso de Educação no Campo da Faculdade de Etnodiversidade da UFPA, fez uma apresentação sobre as características biológicas e ecológicas das abelhas sem ferrão e sua importância para a sustentabilidade ambiental. Em seguida, moradores relataram suas experiências com a coleta de mel e conhecimentos das abelhas sem ferrão na Resex.

No segundo dia, os participantes da oficina aprenderam a técnica para a montagem das caixas de madeira para fixação dos ninhos, transferência das colmeias para as caixas, além dos procedimentos mais indicados para o manejo das abelhas e divisão das colmeias.

As espécies de abelhas abordadas durante o curso foram a popular Jandaíra e a Moça Branca, mosquito e mosquitinho. A primeira, que produz muito mel e é mais fácil de ser cultivada, é a preferida entre os moradores.

Nova etapa do projeto

Ao final do curso, foi anunciada uma nova etapa do projeto, que deverá ser realizada ainda neste semestre e consistirá no recebimento de colmeias oriundas do processo de supressão vegetal em andamento na área de construção da usina hidrelétrica de Belo Monte. A ideia é, com isso, expandir o projeto de criação das abelhas para outras unidades de conservação (UC) da região, como as Resex do Rio Iriri e do Rio Xingu.

Segundo Victor Sacarddi, da gestão da Resex do Riozinho do Anfrísio, a produção do mel das abelhas sem ferrão será utilizado, prioritariamente, como reforço alimentar pelos moradores da reserva. O excedente será comercializado na cidade como uma alternativa de renda para as famílias produtoras.

Camila Bonassio, do ISA, disse que os participantes da oficina mostraram muito interesse pela meliponicultira. “Como essa é uma atividade que contribui muito para a conservação da biodiversidade e possui um grande mercado potencial, acreditamos que ela deva ser fomentada nas reservas extrativistas por meio da realização de oficinas e intercâmbios”, acrescentou.

Saiba mais

Espécies nativas, as abelhas sem ferrão possuem características, como facilidade e simplicidade no manejo (as colmeias podem ser manipuladas até por crianças), rápida multiplicação e baixo custo de investimento. Tudo isso facilita o seu cultivo por pequenos criadores, como as populações tradicionais de reservas extrativistas. Além disso, o mel produzido pelas abelhas tem alto valor de comércio por ser considerado de muito boa qualidade.

* Matéria publicada no site do ICMBio em 11/08/2015