Notícias, Notícias das Unidades de Conservação

Parque Estadual Sucunduri do Amazonas receberá recursos de compensação ambiental

Implantação de usina hidrelétrica na divisa do Pará com o Mato Grosso implicará em investimentos em UC do Amazonas

Para compensar os impactos ambientais decorrentes da implantação da Usina Hidrelétrica (UHE) Teles Pires, na divisa dos Estados do Mato Grosso e Pará, o Comitê de Compensação Ambiental Federal do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (CCAF/IBAMA) elegeu o Parque Estadual Sucunduri, no Amazonas, como uma das Unidades de Conservação destinatárias da compensação ambiental do referido empreendimento.

O Parque Estadual Sucunduri, localizado no Município de Apuí (a xx quilômetros de Manaus), receberá o repasse no valor de R$ 500 mil para ser aplicado em regularização fundiária (R$ 67 mil), implantação do Programa de Uso Público (R$ 80 mil) e proteção e monitoramento ambiental (R$ 353 mil).

“O recurso vai contribuir diretamente para a manutenção do Parque Estadual por meio de investimentos relacionados à vocação daquela região rica em beleza cênica por concentrar cachoeiras e corredeiras”, explicou a titular da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS), Kamila Amaral.

A UHE Teles Pires está localizada na divisa dos Estados do Mato Grosso e Pará. O eixo do barramento localiza-se no rio Teles Pires, entre os municípios de Paranaíta (MT) e Jacareacanga (PA). A usina tem capacidade instalada total de 1.820 MW e energia firme de 890,7 MW médios. Possui como empreendedor a Companhia Hidrelétrica Teles Pires e a Licença de Operação Nº. 1272/2014 – Ibama.

Legislação

A Compensação Ambiental tem como fundamento o art. 36 da Lei Federal nº. 9.985, de 15 de junho de 2000, que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC) Segundo ele, nos casos de licenciamento ambiental de empreendimentos de significativo impacto ao meio ambiente, conforme avaliação do órgão licenciador responsável, e com fundamento no Estudo de Impacto Ambiental e respectivo Relatório (EIA/Rima), fica o empreendedor obrigado a apoiar a implantação e manutenção de Unidades de Conservação.

Licenciamento

O licenciamento ambiental do Empreendimento UHE Teles Pires foi efetuado na esfera federal, no âmbito do Ibama, e o cálculo e a destinação da Compensação Ambiental foram definidos pelo Comitê de Compensação Ambiental Federal, por meio de parecer técnico vinculado ao processo de compensação ambiental.

* Matéria publicada no site do jornal A Crítica em 20/01/2015

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Cabo Orange, sítio Ramsar desde 2013

O Parque Nacional do Cabo Orange localiza-se entre as cidades de Calçoene e Oiapoque, no extremo norte do Amapá, a 450 km da capital Macapá.

Tem como limites, ao norte, a região fronteiriça à Guiana Francesa; ao sul, a Área Quilombola de Cunani; ao leste, o Oceano Atlântico; e, a oeste, o Projeto de Assentamento de Vila Velha, bem como as terras indígenas Uaçá e Juminã, cujos nativos, por séculos, disputaram o território com portugueses, franceses, ingleses e holandeses.

E foi um destes últimos que, em homenagem à realeza de seu país, batizou o acidente geográfio do extremo norte brasileiro com o nome da cor que é a marca nacional da Holanda, resultando em Cabo Orange.

O Parque foi criado em 1980, pelo Decreto n° 84.913, e tem gestão do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), instituição vinculada ao Ministério do Meio Ambiente.

Foi a primeira unidade de conservação federal criada no Amapá, que tem 55% de seu território protegido por parques, reservas e terras indígenas. Juntamente com os parques nacionais Montanhas do Tumucumaque, do Monte Roraima, do Pico da Neblina e da Serra do Divisor, O PNCO forma o conjunto de Parques Nacionais fronteiriços da Amazônia brasileira.

O Parque compreende uma área total de 657.318,06 hectares de bioma Marinho Costeiro. Desse total, a maior porção foi definida como Zona Primitiva (54,64%, com 358.760 hectares), seguida pelas Zonas de Uso Extensivo (20,82%, com 100.891 ha) e Zona de Ocupação Temporária (20,15%, com 119.366 ha). O restante da área total é composto zonas de Superposição Indígena, de Uso Conflitante, de Uso Especial e Zona Histórico-cultural.

Das zonas predominantes, a Primitiva é aquela em que ocorreu pouca ou mínima alteração, contendo espécies da flora e fauna ou fenômenos naturais de grande valor científico.

A de Uso Extensivo são constituídas, em sua maioria, por áreas naturais, podendo apresentar alterações humanas. Por fim, a de Ocupação Temporária envolve áreas onde ocorrem concentrações de populações humanas residentes e suas respectivas áreas de uso.

Para estas e demais zonas, sempre integrado às comunidades do entorno, o Parque tem como objetivos basilares:

  • preservar ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica;
  • preservar áreas marinhas, úmidas costeiras, manguezais, florestas, manchas de cerrado amazônico e fauna associada;
  • manutenção de um ambiente natural com impacto humano mínimo;
  • facilitar a realização de pesquisas científicas e incentivar o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, bem como de turismo e de recreação em contato com a natureza.

 

O cumprimento de tais metas se reflete no excelente estado de conservação do PNCO, garantindo abrigo e fartura de alimentos para a preservação e reprodução  de aves, répteis e mamíferos, muitos ameaçados de extinção pela destruição de seus ambientes naturais.

Dentre as espécies preservadas no Parque, o guará, o flamingo, a garça-branca-grande, a tartaruga-verde, a onça-pintada e a suçuarana, o gato-do-mato, veado-campeiro, lontra, tamanduá-bandeira, peixe-serra , tatu-canastra, peixe-boi marinho e peixe-boi da Amazônia.

As espécies vegetais mais comuns, de ecossistemas amazônicos com correntes do Oceano Atlântico, são manguezais, várzeas, campos inundáveis e limpos, mangues vermelho e amarelo. Já nos campos de planície, o capim-arroz, o buriti, o caimbé e o mururé.

O parque também guarda uma flora diversificada, onde vicejam espécies como a siriúba, o periquiteiro, o buriti, a andiroba e o açaí, além de árvores de grande porte, como a maçaranduba, acariquaras e quarubas.

SÍTIO RAMSAR

O Parque Nacional Cabo Orange tornou-se Sítio Ramsar em  fevereiro de 2013, correspondendo à diretriz do governo brasileiro, cumprida desde sua adesão à Convenção de Ramsar, de indicar para a Lista deste tratado internacional somente Áreas Úmidas que sejam unidades de conservação, assim favorecendo a adoção de medidas necessárias à implementação dos compromissos assumidos pelo país perante a Convenção.

Além do PNCO, o Brasil tem outras 11 áreas úmidas na Lista de Ramsar. Com essa série, apresentaremos cada uma delas.

Assessoria de Comunicação Social (Ascom/MMA) – Telefone: 61.2028 1227

* Matéria assinada por Marcelo Carota e publicada em 21/01/2015

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Arpa contrata consultoria para elaboração do plano de manejo da Resex Rio Preto Jacundá (RO)

O Programa Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA), maior iniciativa de proteção de florestas tropicais do mundo, tem como objetivo a expansão e fortalecimento do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) na Amazônia, a partir da proteção de 60 milhões de hectares na Amazônia – 12% da região, assegurando recursos financeiros para a gestão destas áreas e contribuindo para o desenvolvimento sustentável regional. Criado em 2002, é coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) e financiado com recursos do Global Environment Facility (GEF)/Banco Mundial, do governo da Alemanha/KfW, do Fundo Amazônia/ BNDES, WWF-Brasil e setor empresarial (Natura e O Boticário), além de contrapartida do Governo Federal e governos estaduais, totalizando 395 milhões de dólares.O Fundo Brasileiro para Biodiversidade (FUNBIO) é a instituição responsável pelo gerenciamento dos recursos financeiros, pelas atividades de aquisições e contratações para as unidades de conservação (UCs) e pela gestão de ativos do Fundo de Áreas Protegidas (FAP), um fundo fiduciário que irá garantir a continuidade das ações em longo prazo.Convidamos as empresas / instituições interessadas neste processo seletivo a manifestarem-se até o dia 31 de janeiro de 2015, demonstrando que são qualificadas para desempenhar os serviços descritos no TdR (Termo de Referência) abaixo.

Clique aqui para ler o TdR

Os documentos, comprovando a capacidade técnica adquirida a partir da realização de trabalhos que se enquadrem no perfil estabelecido no TdR, deverão ser enviados por e-mail para juliana.penna@funbio.org.br, identificado como “Manifestação de interesse consultoria PJ – plano de manejo Resex Rio Preto Jacundá”.

Somente serão selecionados para participação no processo as empresas e instituições que cumprirem com os requisitos solicitados.

O processo será conduzido em acordo ao Manual para Contratações e Aquisições do Funbio, que se encontra neste site.
Os recursos para pagamento dos serviços advêm do contrato assinado entre o BNDES e o Funbio para a implementação do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA) fase II.

* Originalmente publicado no site do Funbio em 15/01/2015

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Cresce número de mulheres pescadoras de pirarucu na Amazônia

O aumento de mulheres na pesca do pirarucu tem chamado a atenção de pesquisadores que acompanham a atividade na região do Médio Solimões, no Amazonas.

Em 2014, o Instituto Mamirauá iniciou um projeto de pesquisa com o objetivo de caracterizar o trabalho e o perfil destas mulheres que participam das etapas de manejo do pirarucu nas reservas Mamirauá e Amanã.

A antropóloga Edna Alencar, pesquisadora do instituto desde 1993, é a coordenadora da pesquisa e explica que a pesca deste peixe sempre teve o predomínio dos homens, mas que agora muita mulheres têm participado de diferentes etapas do processo até a venda.

“Tradicionalmente a pesca do pirarucu não é uma pesca feminina, está muito associado a uma questão da afirmação de uma identidade do homem como pescador, então a gente resolveu saber quem são estas mulheres, como é que elas estão participando”, afirmou ela.

De acordo com dados do Instituto, atualmente 420 mulheres e 712 homens fazem parte dos projetos de manejo de pesca desenvolvidos na área da Reserva Mamirauá, e 120 mulheres e 324 homens na Reserva Amanã. O percentual de participação feminina na atividade já é de 34,26%.

Mas a pesquisadora destaca que, em geral, as pescadoras na região amazônica ainda encontram algumas dificuldades no reconhecimento da profissão. Uma barreira que as mulheres do Médio Solimões estão conseguindo ultrapassar.
“Elas têm uma grande dificuldade de serem reconhecidas como pescadoras. As próprias entidades não querem reconhecê-las como pescadoras…. de dar a carteira, de aceitá-las como sócias..então estas informações a gente quer obter nessa região aí que o Mamirauá tá atuando pra saber que levou essa maior aceitação da presença das mulheres nessa atividade que é essencialmente masculina que é a pesca do pirarucu”, explicou.

A vice-presidente da Associação de Produtores do Setor Jarauá, Maria Luziliane Lima de Castro, explica que na comunidade do Jarauá as mulheres sempre participaram do processo, e ganhavam menos que os homens. Mas, segundo ela, depois de muita luta, foi possível um tratamento mais igualitário.
“Quem era só associado, os homens ganhavam mais e as mulheres menos. E aí nós lutamos por isso né, de dizer porque que os homens ganhavam mais que as mulheres. Aí nós reunimos né, e aí criamos este grupo e dissemos: ‘não, as mulheres vão ter que se envolver!’. Fomos conquistando espaço… e hoje quando é pra escolher alguém pra diretoria, sempre estão apontando as mulheres. É assim que a gente sabe que a gente tem o nosso lugar na sociedade”, conta.

A pesquisa sobre o perfil dessas mulheres ainda está no início e tem o apoio do CNPq, O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. A previsão de finalização é 2016, quando será possível conhecer um pouco mais da vida das pescadoras do Amazonas.

* Matéria assinada por Maíra Heinen e publicada no site da EBC em 11/01/2015

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Documentário retrata comunidades extrativistas

Foi lançado na última semana no auditório do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em Brasília, o filme “Cidadãos Extrativistas – da luta pelo território ao empoderamento comunitário”, do analista ambiental Sérgio Lelis. O documentário foi produzido pela Coordenação de Educação Ambiental (Coedu/Disat/ICMBio) e lançado durante a apresentação do diagnóstico socioeconômico das famílias.

Cidadãos Extrativistas é um filme que perpassa por elementos da trajetória de empoderamento comunitário das comunidades extrativistas presentes em Unidades de Conservação (UCs) federais de uso sustentável. A luta pelo território, a regularização fundiária, o manejo sustentável dos recursos naturais, a tecnologia social e a moeda social são temas que compõem o roteiro.

Participam do filme a Floresta Nacional do Tapajós (PA) e as Reservas Extrativistas de Canavieiras, de Cassurubá, do Corumbau (BA), do Ciriaco (MA), de São Documentário retrata comunidades extrativistas João da Ponta (PA), do Extremo Norte do Tocantins (TO) e do Rio Cajari (AP).

Segundo Sérgio Lelis, Cidadaõs Extrativistas é um filme educacional e também é um manual de empoderamento comunitário em UCs de uso sustentável. “O roteiro segue uma linha do tempo que se inicia na luta dos extrativistas pelo território e perpassa por casos de sucesso no desenvolvimento de tecnologia social, na organização da cadeia produtiva extrativista, no manejo dos recursos naturais e na implantação de moeda social”, explicou Sérgio. Nessa composição, há também elementos da gestão dessas Unidades, como o cadastramento de famílias, a reunião de definição do perfil do beneficiário da UC e a assinatura do Contrato de Concessão de Direito Real de Uso (CCDRU).

A produção já está disponibilizada no canal Educachico, no YouTube, e pode ser acessada em http://youtu.be/nS2SIEKfzxA.
* Matéria publicada no informe ICMBio em Foco 325

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Diagnóstico da fauna orienta ações de proteção

ICMBio apresentou maior estudo do mundo sobre risco de extinção

Diagnóstico da fauna orienta ações de proteção
A elaboração da nova Lista de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção foi coordenada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e envolveu 1.300 especialistas de mais de 200 instituições. O resultado dos cinco anos de trabalho foi apresentado pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, nesta quarta-feira (17), em Brasília.

Elaborada pela Coordenação Geral de Manejo para Conservação do Instituto Chico Mendes (CGESP/ICMBio), a lista traz um total de 1.173 espécies da fauna ameaçadas de extinção (incluindo peixes e invertebrados aquáticos), num universo de 12.256 espécies analisadas.

Veja a lista completa das espécies ameaçadas de extinção 2014

O estudo representa a maior avaliação de risco de extinção já feita no mundo. 100% dos mamíferos, répteis, anfíbios e aves foram pesquisados. De acordo com a coordenadora substituta de Manejo para Conservação, Rosana Subirá, as metas estabelecidas foram superadas. “O objetivo, que era chegar a 10 mil espécies em 2014, foi ultrapassado com as 12.256 espécies avaliadas. A ideia era também obter registros e informações sobre as espécies que não estão ameaçadas, para identificar lacunas e apontar quais delas ainda precisam de mais estudo”, explicou a coordenadora.

Segundo Rosana, o Programa Nacional de Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção (Pró-Espécies), lançado em fevereiro pelo Ministério do Meio Ambiente, definiu a periodicidade para a apresentação de novas listas. “A partir do Pró-Espécies, ficam estabelecidos ciclos de cinco anos para o lançamento de novas listas, com a ressalva de que é possível revisá-las e atualizá-las anualmente”, afirmou.

Resultados da avaliação

Das 720 novas espécies incluídas na lista, muitas não tinham sido avaliadas anteriormente ou os dados disponíveis sobre elas eram insuficientes. Dentre as espécies incluídas, estão o macaco-prego-galego – espécie descrita após 2003 cujo habitat (Mata Atlântica nordestina) vem sofrendo redução desde o século XVII – e o maçarico-rasteirinho – ave migratória com declínio populacional. Outros fatores de inclusão na lista: espécies descobertas recentemente e, em menor número, aquelas que tiveram seu estado de conservação agravado.

Os principais aspectos que contribuem para o risco de extinção das espécies da fauna são: a perda e fragmentação de habitat (expansão agrícola e urbana, grandes empreendimentos etc), a captura direta, a degradação de habitat (poluição, queimadas), as espécies invasoras, a mortalidade indireta (causada pelas queimadas, por exemplo) e o uso não sustentável do habitat (turismo desordenado, extração vegetal etc).

Risco reduzido

Por outro lado, é importante ressaltar que 170 espécies saíram da lista de animais ameaçados de extinção. Outras tantas melhoraram de situação, como o mico-leão-preto, que passou de Criticamente em Perigo para Vulnerável; o bacurau-de-rabo-branco, que saiu da categoria Em Perigo para Vulnerável; a arara-azul-de-lear; e o peixe-boi-marinho, que passaram de Criticamente em Perigo para Em Perigo.

O diagnóstico apresentado é o passo inicial e indispensável para o desenvolvimento de ações de proteção. De acordo com a coordenadora Rosana Subirá, o próximo passo é a criação dos chamados Planos de Ação Nacional (PANs) para as espécies ainda não possuem. O PAN estabelece compromissos e responsabilidades para melhorar a conservação de determinadas espécies.

Proteção da fauna

As Unidades de Conservação (UCs), desempenham importante papel na proteção da fauna. “Temos espécies que só continuam existindo por conta das áreas protegidas, como o bacurau-de-rabo-branco, que hoje só é encontrado no Parque Nacional das Emas”, avaliou Rosana.

Das 1.173 espécies apontadas na lista como ameaçadas de extinção, 663 (56,5%) estão presentes em Unidades de Conservação e 498 (42%) já são contempladas por algum Plano de Ação Nacional. Apenas 20% das espécies ameaçadas não estão sob algum regime de proteção. “Estamos identificando as espécies que não se encontram em Unidades de Conservação e nem possuem Planos de Ação consolidados, pois elas deverão ser priorizadas a partir de agora”, argumentou.

Além da consolidação de novos PANs e da criação de UCs, outras medidas que devem ser tomadas são a qualificação do processo de licenciamento, o estímulo ao uso de recursos da compensação ambiental para proteção da fauna e os programas de apoio à conservação, como o Bolsa Verde.

Casos emblemáticos

Dentre os vários casos de êxito na recuperação das espécies, podemos destacar o peixe-gramma, que aparecia na lista de espécies ameaçadas em 2004 e agora já não corre mais risco de extinção. Com ocorrência no litoral brasileiro (do Maranhão até o Rio de Janeiro), o peixe-gramma teve sua captura e comercialização proibidas após a divulgação da lista de 2004. “Com a proibição, a população dessa espécie conseguiu se recuperar ao longo dos últimos 10 anos”, esclareceu Carlos Eduardo Guidorizzi, analista ambiental do ICMBio.

A arara-azul-grande é mais um exemplo de sucesso das políticas de proteção, pois também saiu da lista de espécies ameaçadas. Incluída em dois Planos de Ação, o PAN para Conservação das Aves do Cerrado e Pantanal e o PAN para Conservação da Fauna do Xingu, a arara-azul-grande foi beneficiada pela intensificação do combate ao tráfico de animais.

Outro destaque é o do albatroz-de-sobrancelha, mais uma espécie que deixou a lista de animais ameaçados de extinção. Segundo Carlos Eduardo Guidorizzi, o albatroz-de-sobrancelha é uma ave migratória cujo estado de conservação melhorou fora do Brasil. As ações internas, porém, foram de grande importância para a espécie, que está contemplada no PAN para Conservação dos Albatrozes e Petréis desde 2006 e pela Convenção Internacional sobre Espécies Migratórias, da qual o Brasil é signatário. “É preciso destacar também o Projeto Albatroz, parceiro do ICMBio, que vem realizando atividades de educação ambiental com pescadores para diminuir a captura incidental do albatroz-de-sobrancelha, uma das aves que mais sofrem com esse tipo de captura”, ressaltou a coordenadora Rosana Subirá.

Veja o painel de conservação da fauna

* Matéria assinada por Nana Brasil e publicada no site do ICMBio em 18/12/2014

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Embaixador da Alemanha visita a UC Parque Nacional de Anavilhanas (AM)

O Embaixador da Alemanha Dirk Brengelmann e o cônsul honorário do país em Manaus, Martin Klenke, visitaram em 12 de dezembro de 2014 o Parque Nacional de Anavilhanas (AM). O objetivo da missão foi conhecer o modelo de gestão, os avanços e desafios da Unidade de Conservação apoiada pelo Programa Arpa.

Também participaram da visita Hubert Eisele, do Banco de Desenvolvimento da Alemanha (KfW), Ingrid Prem, da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ), Roberto Vizentin, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e Renata Gatti, do Ministério do Meio Ambiente (MMA). O grupo participou de um sobrevoo que evidenciou belezas naturais do Parque, navegou pelo Rio Negro, visitou o flutuante dos botos e fez um passeio noturno para observar a fauna.
                                  O governo da Alemanha, por meio do Banco KfW, apoia financeiramente o Arpa desde a sua Fase I. Saiba mais sobre os doadores do Programa aqui.
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Peixes-boi reabilitados no AM serão devolvidos à natureza

Seis animais chegaram à RDS Amanã com poucos meses de vida, após se perderem das mães, em decorrência de acidentes como emalhes em redes de pesca ou pela caça. Peixes-boi receberam atendimento e foram reabilitados

Seis peixes-boi amazônicos que estão em reabilitação serão devolvidos à natureza. Os animais estão sob os cuidados da equipe do Instituto Mamirauá e de moradores de comunidades ribeirinhas, no Centro de Reabilitação de Peixe-Boi Amazônico de Base Comunitária, o “Centrinho”, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, no município de Maraã (AM).

Todos os animais chegaram ao Centrinho com poucos meses de vida, após se perderem das mães, em decorrência de acidentes como emalhes em redes de pesca ou pela caça. Esse será o terceiro evento de soltura de peixes-boi amazônicos reabilitados, realizado pelo Instituto Mamirauá.

A soltura acontece no Lago Arati, em frente à comunidade Vila Nova do Amanã, setor Paranã do Amanã, no dia 11 de janeiro. Durante o dia estão programadas atividades nas comunidades Vila Nova do Amanã e Boa Esperança, com participação dos moradores dessas e outras comunidades da Reserva.

Os animais foram acompanhados por uma equipe formada por veterinários, oceanógrafos, educadores ambientais e técnicos, além dos comunitários que também participam e contribuem para os cuidados. Desde a chegada no Centrinho, é acompanhado o estado clínico dos animais e verificada a necessidade de cuidados especiais, no caso de ferimentos, desidratação ou doenças.

“Ao chegar no Centrinho, nossa primeira preocupação é hidratar o animal, verificar se ele está bem, avaliar o estado clínico, e oferecer a alimentação. Acompanhamos com a biometria periódica, monitorando o desenvolvimento do filhote”, afirmou Miriam Marmontel, pesquisadora do Instituto Mamirauá.

Os seis espécimes, dois machos e quatro fêmeas, serão soltos na natureza por terem apresentado desenvolvimento adequado ao longo do tempo em que permaneceram no Centrinho. Após a soltura, os animais continuam sendo monitorados pelos pesquisadores em ambiente natural. É adaptado à cauda um cinto equipado com transmissor de sinais de rádio.

“Cada cinto tem uma frequência única, então conseguimos acompanhar esses animais individualmente. É o momento de verificar se eles estão se adaptando bem ou não. Saber se estão fazendo a rota migratória, se estão em local rico em alimentação, se estão juntos ou não, se estão se deslocando ou se permaneceram parados em algum local”, reforça Miriam.

O último evento de soltura dos animais reabilitados pelo Instituto Mamirauá aconteceu em agosto de 2012. Na época, cinco peixes-boi foram devolvidos à natureza, sendo que quatro deles foram adaptados com cintos com radiotransmissores. Foram acompanhados durante cinco meses, até a perda de sinal do último peixe-boi monitorado.

Piti foi o primeiro peixe-boi a chegar no Centrinho e participou da primeira soltura. No entanto, não se adaptou ao ambiente natural e precisou ser recapturado, para impedir a contínua perda de peso observada na época pelos pesquisadores. Nessa nova soltura, espera-se que ele esteja mais adaptado ao ambiente e se desenvolva bem.

O Centro de Reabilitação de Peixe-Boi Amazônico de Base Comunitária foi criado pelo Instituto Mamirauá em 2008, e é um criatório conservacionista autorizado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama). Há 15 anos, antes da criação do Centrinho, o Instituto Mamirauá realizou a primeira soltura de um peixe-boi reabilitado da Amazônia.

*Com informações da assessoria de imprensa

** Matéria publicada no Portal A Crítica em 08/01/2015

 

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Governo promove ações integradas entre indígenas e Parque do Chandless (AC)

Por meio do Parque Estadual do Chandless, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Acre (Sema) concorreu no fim deste ano ao edital do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (ARPA), envolvendo Planos de Ação dos Povos Indígenas (PPI) para integração das comunidades.

O projeto foi aprovado e o parque contará com um montante de R$ 130 mil, que serão utilizados em 2015 para promover a articulação interinstitucional (Sema/Funai) e comunitária (indígenas e demais populações residentes no parque) visando a utilização sustentável de recursos naturais na Unidade de Conservação.

Entre as ações previstas no projeto, foi realizada uma oficina entre os dias 26 de novembro e 1 de dezembro, com a participação de técnicos da Sema e da Funai, objetivando realizar mapeamento e estabelecimento de acordos para o uso das áreas do Parque Estadual do Chandless junto à comunidade Madijá (12 aldeias) e Huni Kuin (três aldeias).

A Terra Indígena Alto Rio Purus congrega atualmente 50 aldeias e uma população de cerca de 2,5 mil pessoas, distribuídas em 236 mil hectares. Limita-se ao sul com o Parque Estadual do Chandless, ao norte com área discriminada, a leste com a Resex Cazumbá-Iracema e a oeste com a Flona de Santa Rosa do Purus e o Projeto de Assentamento Santa Rosa.

Maurício Galvão e Cristina Lacerda

* Matéria publicada em 30/12/2014 no site página20.net

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Fiscais apreendem tartarugas em RR que seriam usadas para ceia de Natal

Quatro suspeitos de tráfico foram presos pela Cipa com 130 tartarugas. Animais podem custar R$ 500 e seriam vendidos em Boa Vista e Manaus

Na véspera de Natal, 130 tartrugas, que seriam vendidas em Boa Vista e Manaus, foram apreendidas pela equpe do Parque Viruá, em Roraima (Foto: Divulgação/ ICMBio)
Segundo fiscais ambientais, tartarugas seriam vendidas em Boa Vista e Manaus para serem consumidas em ceias natalinas (Foto: Divulgação/ ICMBio)

 

Quatro pessoas foram presas na quarta-feira (24) por policiais militares da Companhia Independente de Policiamento Ambiental (Cipa) durante fiscalização na região do Baixo Rio Branco, em Caracaraí, no sul de Roraima. Com os suspeitos de tráfico de animais silvestres, foram encontradas 130 tartarugas que, segundo um integrante do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), seriam usadas em ceias natalinas. A operação foi coordenada pelo Parque Nacional do Viruá.

Também foram apreendidos duas embarcações, dois motores e arma de fogo. De acordo com o chefe do Parque Nacional do Viruá e analista ambiental do ICMBio, Antônio Lisboa, há anos a região é alvo da ação de traficantes de animais silvestres. Esse é o período em que as tartarugas estão desovando e as fêmeas sobem para a praia para depositarem os ovos, o que as tornam vulneráveis e alvo fácil.

“Eles colocam as tartarugas em uma espécie de curral no meio da mata e vão estocando os animais nesses locais. Quando ‘acumulam’ muitas, eles as transportam. É nessa hora que a gente consegue impedir a ação”, esclareceu Lisboa.

Ainda segundo ele, geralmente as tartarugas são vendidas em Boa Vista e Manaus. Elas custam entre R$ 300 e R$ 500. Por semana, o mercado ilegal em Manaus chega a movimentar R$ 1 milhão. A operação, que se iniciou em setembro, já salvou 250 espécimes.

A apreensão foi considerada a maior do ano. Lisboa falou que os ‘tartarugueiros’ estavam aguardando a fiscalização sair do posto na barreira para poder transportar os animais.

“Eles certamente estavam estocando as tartarugas há vários dias, mas sabiam que a gente estava na área e não ‘subiam’ para Caracaraí. Fingimos desmobilizar a operação, mas na verdade só mudamos o local da barreira. Eles foram surpreendidos e foi assim que  capturamos os animais na véspera do Natal, que era a data-limite para eles conseguirem vendê-los a tempo de serem preparados para a ceia”, esclareceu Lisboa.

Parcerias
De acordo com o sargento Jeferson Silva, da Cipa, a maior apreensão antes da ocorrida na quarta-feira foi em setembro. “Na ocasião, 84 tartarugas haviam sido apreendidas em outra operação. O sucesso dessas ações se deve à união de esforços. O apoio do Parque Nacional do Viruá, por exemplo, através de recursos e equipamentos, mesmo quando as ações se dão fora da unidade de conservação, tem sido fundamental”, destacou.

Silva acrescenta que as operações tem sido feitas em parceria entre o ICMBio, a Cipa e o Ibama desde 2011 e mais de 250 tartarugas foram salvas ao longo do segundo semestre de 2014.

“Sozinhos, nada disso seria possível. Esse é o resultado de uma parceria que vem dando certo e que conta com o excelente trabalho e a dedicação de parceiros da Cipa, do Ibama, das Polícias Rodoviária e Federal que, com muita inteligência e estratégia, têm garantido a proteção não apenas do Parque Nacional do Viruá, mas de toda a região”, concluiu Antonio Lisboa.

Espécies
Entre as espécies resgatadas, estão 90 tartarugas-da-Amazônia (Podocnemis expansa), 33 tracajás (Podocnemis unifilis) e 17 iaçás (Podocnemis tuberculata). Todas foram recuperadas vivas e 119 já voltaram ao habitat natural. Nove tartarugas, que apresentaram anzóis presos na garganta, foram encaminhadas ao Centro de Triagem do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para tratamento. Em seguida, elas serão devolvidas à natureza.

Além das operações de fiscalização, o Ibama monitora 789 covas nas regiões dos tabuleiros de desova até março de 2015, quando se encerra o período de reprodução dos animais no baixo Rio Branco. O monitoramento conta com a proteção de policiais e apoio do ICMBio.

* Matéria assinada por Anne de Freitas e publicada no portal G1 RR em 26/12/2014