Notícias, Notícias das Unidades de Conservação

Artesanato resgata identidade seringueira em Cazumbá-Iracema

Produção associada ao látex gera renda e promove autonomia financeira para as mulheres

© Todos os direitos reservados. Foto: Luciano Malanski

Esquecido por um longo período, o látex extraído da seringueira ganhou novamente ares de protagonista na Reserva Extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema, Unidade de Conservação administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com sede no município de Sena Madureira, no Acre.

A retomada da utilização do látex como matéria-prima foi possível graças à iniciativa das mulheres da comunidade, que enxergaram nele uma alternativa sustentável de trabalho e passaram a produzir peças de artesanato feitas com borracha.

“Hoje, nós conseguimos tirar nosso sustento da Reserva, mas sempre cuidando e mantendo a floresta em pé. Não precisamos agredir nem derrubar nossas árvores nativas”, conta a artesã Leonora Maia, que coordena o Grupo de Mulheres da Resex Cazumbá-Iracema, responsável pela produção das peças.

Ainda segundo a coordenadora, a primeira experiência de comercialização dos produtos aconteceu em 2011 e, desde então, os moradores da Reserva vêm experimentando mudanças significativas na sua qualidade de vida, tanto pelo aumento na renda quanto pela preservação da identidade seringueira.

“Os homens também participam e auxiliam em alguns processos, a exemplo da coleta do látex, atividade que havia sido abandonada pela comunidade”, pontua Leonora.

© Todos os direitos reservados. Foto: Aurelice Vasconcelos

Cadeia produtiva

Utilizando a técnica conhecida como encauchados de vegetais, as participantes do Grupo de Mulheres misturam ao látex coletado um agente vulcanizante, substância que permite que a borracha seque sob o sol já na forma do produto final. “O agente vulcanizante é fornecido pelo Projeto Encauchados de Vegetais, que atua em diversas comunidades da Amazônia”, afirma Tiago Juruá, chefe da Reserva.

Réplicas de folhas da floresta, em geral usadas como objeto de decoração ou jogo americano, as peças são produzidas em larga escala durante a época do ano em que ocorre maior incidência da luz solar: entre abril e novembro. Ao longo desse período, o Grupo de Mulheres fabrica aproximadamente 4 mil itens por mês.

Para garantir a comercialização dos produtos, o ICMBio articula a participação das artesãs em feiras e exposições, sempre contando com dois importantes parceiros: o Governo do Estado do Acre e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que oferece oficinas de empreendedorismo, design e análise de preços. “Nas feiras, elas recebem também diversas encomendas, inclusive de outros estados”, destaca Tiago.

Emancipação feminina

De acordo com Leonora Maia, antes dessa iniciativa as mulheres viviam entre a roça e os afazeres domésticos, numa rotina muito dura que as levava a pensar em ir embora para a cidade. “Elas dependiam dos maridos, não tinham autonomia financeira. Agora, com esse complemento na renda, as mulheres têm sua independência”, argumenta a coordenadora.

Para Tiago Juruá, a importância do projeto reside justamente na geração de renda fruto desse envolvimento feminino no processo produtivo, o que eleva a autoestima e garante autonomia em relação aos homens. “Além disso, outro aspecto relevante é o fato de que o trabalho com a borracha resgata e fortalece a identidade seringueira”, conclui o chefe da Resex.

* Matéria assinada por Nana Brasil e publicada no site do ICMBio em 10/08/2015

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Centro avalia população de onças-pintadas em Gurupi (MA)

Os animais serão fotografados durante quatro meses

© Todos os direitos reservados. Foto: Adriano Gambarini

O Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap/ICMBio) e a Reserva Biológica (Rebio) do Gurupi (MA) iniciaram um projeto para avaliar a população de onças-pintadas na Unidade de Conservação (UC). As primeiras atividades de campo foram realizadas entre 15 e 29 de junho, quando a equipe instalou 21 pares de câmeras trap – máquinas fotográficas sensíveis ao movimento – em diferentes locais da Reserva, administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Durante os próximos quatro meses, as armadilhas irão registrar onças-pintadas, mas também poderão fazer registros de outras espécies da fauna local. As onças-pintadas serão identificadas a partir da fotointerpretação, pois cada animal apresenta um padrão de manchas único. Segundo a equipe da Reserva, esta atividade vai permitir fazer uma estimativa do tamanho e a densidade populacional desta espécie na UC e no mosaico que engloba as Terras Indígenas Awá, Carú, Alto-Turiaçu e Alto-Guamá.

A pesquisa também avaliará a dieta da onça-pintada na região e variações genéticas populacionais, por meio da análise de amostras de fezes coletadas na área e levadas ao Laboratório de Ecologia Trófica do Cenap.

Parceria Cenap e Rebio

A parceria entre o Cenap e a Rebio surgiu em 2012 quando teve início o projeto “Inventário de mamíferos terrestres de médio e grande porte como subsídios ao manejo de Unidades de Conservação Federais pouco conhecidas”. Segundo Elildo Carvalho Junior, analista ambiental do Cenap, “os resultados obtidos na ocasião indicaram que a Unidade abriga uma rica biodiversidade de mamíferos de médio e grande porte, indicando densidades populacionais relativamente altas”.

A Reserva Biológica está localizada em uma das áreas prioritárias para conservação da onça-pintada, como consta no Plano de Ação Nacional (PAN) da espécie. O projeto em andamento atende demandas previstas naquele PAN, além de ser um estudo inédito na região.

“A onça-pintada é uma espécie carismática, com forte apelo junto à sociedade, por isso consideramos que a pesquisa ajudará a divulgar e difundir a importância da Reserva para a conservação da biodiversidade, principalmente na região, visto que a UC sofre grandes ameaças, como extração ilegal de madeira, invasão e desmatamentos. Esta pesquisa ajuda a chamar a atenção da opinião pública local para a grande importância que o mosaico de áreas protegidas tem como único refúgio da biodiversidade da Amazônia oriental”, declarou a equipe de gestores da Rebio.

Os gestores também destacam a importância do desenvolvimento de trabalhos conjuntos entre as Unidades de Conservação e os Centros de Pesquisa do Instituto Chico Mendes, pois geram dados e informações consistentes que subsidiam a tomada de decisão para o manejo da UC. O Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa) apoia as pesquisas com onças-pintadas na Reserva Biológica do Gurupi desde 2012.

* Matéria publicada em 30/07/2015 no site do ICMBio

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Reserva Biológica do Jaru (RO) recepciona Festa da Colheita

A Reserva Biológica (Rebio) do Jaru, localizada no município de Ji-Paraná (RO), organizou, em parceria com  a Igreja Católica local e a Escola Municipal Jorge Teixeira, a “Festa da Colheita”. O objetivo foi promover a  educação ambiental junto à comunidade do pequeno e  aconchegante Distrito de Santa Rosa, em Vale do Paraíso (RO), no entorno da Rebio.

As atividades do dia tiveram início com um saboroso café da  manhã preparado pelas cozinheiras da comunidade e servido  aos participantes, seguido de uma celebração realizada pela  Igreja Católica local e por palestras realizadas pelos analistas  ambientais da Rebio, acerca de temas como Legislação Ambiental aplicada à Rebio do Jaru e Prevenção e Combate a  incêndios Florestais e Áreas de Pastagem.

Também participaram do evento a Secretaria Municipal do  Meio Ambiente de Vale do Anari (RO), por meio do secretário e conselheiro da UC. Ele ministrou uma palestra sobre  Legislação Ambiental aplicada a propriedades rurais.

Representante  da  Empresa  de  Assistência  Técnica  e  Extensão Rural de Rondônia (Emater-RO) ministrou  palestras  sobre  Piscicultura  e  Bovinocultura,  assuntos  de interesse da população local. Enquanto os adultos  participavam das palestras e tiravam suas dúvidas sobre os temas, as crianças tiveram o seu próprio espaço  e atividades relacionadas ao meio ambiente preparadas  especialmente para elas.

Após o término das atividades os comunitários saborearam  um delicioso almoço ao som da música ao vivo do cantor e  compositor regional Lu Ferreira. A maior parte dos recursos para o evento foram provenientes do Programa Áreas  Protegidas da Amazônia (Arpa), porém parte dos alimentos  e mão de obra foram doados pelos próprios comunitários,  incluindo o apoio dos brigadistas do ICMBio na montagem  e desmontagem das barracas.

A equipe gestora da Rebio do Jaru avalia que a “Festa  da Colheita” foi bem sucedida e alcançou seu objetivo.  “Ela será utilizada como base para realização de outros  trabalhos semelhantes nas demais comunidades do entorno da Rebio Jaru, que futuramente poderão receber  suas próprias edições do evento”, destacou o analista  ambiental e coordenador de Integração Externa da Rebio, Luciano Jesus de Lima.

* Matéria publicada no informativo ICMBio em Foco 354

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Moradores do rio Unini (AM) se reúnem em assembleia para apresentação de propostas de melhorias às famílias

A Associação de Moradores do Rio Unini (Amoru), no interior do Amazonas, realizou nos dias 22, 23 e 24 de julho, a 4ª Assembleia Geral da Reserva Extrativista (Resex) do Rio Unini, reunindo na comunidade do Tapiira aproximadamente 70 pessoas de outras dez vilas de moradores do rio.

O enconto faz parte de uma série de atividades organizadas pela associação criada em 2006 em parceria com a Fundação Vitória Amazônica (FVA), e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), que possibilitaram a criação da Resex do Rio Unini, concedendo aos moradores do rio, o acesso aos benefícios das políticas públicas e o direito a manter o seu modo tradicional e sustentável de vida.

Em três dias de evento, o encontro foi pautado por um conjunto de discussões acerca de alternativas econômica e ecologicamente viáveis em prol da qualidade de vida dos moradores das comunidades que integram o Unini.

Além do FVA, participaram diversas lideranças comunitárias, um membro do IBAMA, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), além de palestra com dois representantes do Batalhão Ambiental da Policia Militar do Estado do Amazonas e a Cooperativa dos Moradores do Rio Unini (Comaru).

Para o presidente de Amoru, José Dionísio da Silva, a assembleia reacendeu o desejo de mais mudanças positivas na vida dos povos tradicionais do Unini. “Essa assembleia foi especial, pois foi organizada exclusivamente pela nossa associação. Nada seria possível se não houvesse parceria e união entre as instituições que nos apoiam, além da preocupação dos nossos jovens envolvidos nas causas do rio”, disse.

Lideranças jovens

A novidade desta quarta edição ficou por conta do engajamento direto do grupo de Jovens Protagonistas do Rio Unini criado em 2013. A participação da equipe trouxe um olhar crítico e dinâmico para o evento.

Segundo o vice-presidente do grupo, Washington Souza da Silva, 21, a ocasião motivou ainda mais a participação dos jovens diante dos desafios encontrados nas comunidades do Rio Unini. “Esses três dias foram de extrema importância, pois aproximou mais os nossos jovens das discussões de interesse de todos que moramos aqui. O espaço foi uma forma de desenvolvimento para nós de uma forma geral”, falou.

Chamado da Floresta- A assembleia também foi uma oportunidade para apresentação da pauta que será apresentada no “Chamado da Floresta’’ que será realizada nos dias 28 e 29 de outubro, na comunidade São Pedro em Santarém, no Estado do Pará. Ao todo, três representantes jovens, acompanhados de um membro do ICMBio.

A ocasião também possibilitou pela primeira vez, o intercâmbio entre três representantes do projeto Jovens Protagonistas do Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do rio Negro, composto por cerca de 100 membros de 20 comunidades ao longo da bacia.

“Ficamos bastante gratos pelo convite, pois foi uma forma de conhecermos a realidade dos moradores de um ponto mais distante da nossa comunidade. Nesses três dias, trocamos experiências que deram certo em nossa localidade e no rio Unini, e abrimos uma nova possibilidade de mantermos contato”, destacou um dos membros do projeto, Moisés Freitas.

Artesanato- Além dos Jovens Protagonistas, a assembleia possibilitou a participação dos membros da Associação de Artesãos de Novo Airão (AANA) que trouxeram alternativas de interação profissional com a coleta e o uso do Arumã.

Outro momento importante da assembleia trouxe à tona as discussões em torno do potencial econômico do rio, com a apresentação final do planejamento realizado pelo Grupo de Trabalho (GT) do manejo do pirarucu e peixe ornamental formado pelos próprios moradores do Unini, com a participação do representante do IBAMA.

Sem a previsão de uma nova assembleia, os moradores pretendem colocar em prática nos próximos dias, todas as decisões tomadas coletivamente entre os participantes durante a reunião.

 Texto: Luciano Lima. Fotos: FVA

* Publicado no site da FVA em 27/07/2015

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Artesanato com borracha resgata identidade seringueira na Resex Cazumbá-Iracema (AC)

Esquecido por um longo período, o látex extraído da seringueira ganhou novamente ares de protagonista na Reserva Extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema, com sede  no município de Sena Madureira, no Acre.

A retomada da utilização do látex como matéria-prima  foi possível graças à iniciativa das mulheres da comunidade,  que  enxergaram  nele  uma  alternativa  sustentável  de trabalho e passaram a produzir peças de artesanato  feitas com borracha.

“Hoje, nós conseguimos tirar nosso sustento da Reserva, mas sempre cuidando e mantendo a floresta em pé.  Não precisamos agredir nem derrubar nossas árvores nativas”, conta a artesã Leonora Maia, que coordena o  Grupo  de  Mulheres  da  Resex  Cazumbá-Iracema,  responsável pela produção das peças.

Ainda  segundo  a  coordenadora,  a  primeira  experiência  de comercialização dos produtos aconteceu em 2011 e,  desde então, os moradores da Reserva vêm experimentando mudanças significativas na sua qualidade de vida,  tanto pelo aumento na renda quanto pela preservação da  identidade seringueira.

“Os  homens  também  participam  e  auxiliam  em  alguns  processos, a exemplo da coleta do látex, atividade que havia sido abandonada pela comunidade”, pontua Leonora.

CADEIA PRODUTIVA

Utilizando a técnica conhecida como encauchados de vegetais, as participantes do Grupo de Mulheres misturam  ao látex coletado um agente vulcanizante, substância  que permite que a borracha seque sob o sol já na forma  do produto final. “O agente vulcanizante é fornecido  pelo  Projeto  Encauchados  de  Vegetais,  que  atua  em  diversas comunidades da Amazônia”, afirma Tiago Juruá,  chefe da Reserva.

Réplicas de folhas da floresta, em geral usadas como objeto de decoração ou jogo americano, as peças são produzidas em larga escala durante a época do ano em que  ocorre maior incidência da luz solar: entre abril e novembro. Ao longo desse período, o Grupo de Mulheres fabrica aproximadamente 4 mil itens por mês.

Para garantir a comercialização dos produtos, o ICMBio  articula a participação das artesãs em feiras e exposições,  sempre contando com dois importantes parceiros: o Governo do Estado do Acre e o Serviço Brasileiro de Apoio  às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que oferece oficinas de empreendedorismo, design e análise de preços.  “Nas feiras, elas recebem também diversas encomendas,  inclusive de outros estados”, destaca Tiago.
EMANCIPAÇÃO FEMININA

De acordo com Leonora Maia, antes dessa iniciativa as  mulheres viviam entre a roça e os afazeres domésticos,  numa  rotina  muito  dura  que  as  levava  a  pensar  em  ir  embora para a cidade. “Elas dependiam dos maridos, não  tinham autonomia financeira. Agora, com esse complemento  na  renda,  as  mulheres  têm  sua  independência”,  argumenta a coordenadora.

Para Tiago Juruá, a importância do projeto reside justamente na geração de renda fruto desse envolvimento  feminino no processo produtivo, o que eleva a autoestima e garante autonomia em relação aos homens. “Além  disso, outro aspecto relevante é o fato de que o trabalho  com a borracha resgata e fortalece a identidade seringueira”, conclui o chefe da Resex.

* Matéria publicada no informativo ICMBio em Foco 354

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Esec Rio Acre (AC) promove expedição para mapear fauna de anfíbios e répteis

A Estação Ecológica Rio Acre, localizada no Acre, promoveu entre os dias 07 e 29 de abril uma expedição para inventariar a herpetofauna (fauna de anfíbios e répteis) existente  na Unidade de Conservação. Para a ação, que envolveu dias  em campo, gestores da Esec contaram com a coordenação  do  pesquisador  e  analista  ambiental  do  Parque  Nacional  do Catimbau (PE), Marco Antonio de Freitas, o pesquisador da Universidade Federal do Acre (UFAC), Nathocley  Venêncio, o analista ambiental da Esec Rio Acre, Lincoln  Schwarzbach,  e  o  técnico  de  agroecologia  Arley  Veloso,  além de uma equipe de apoio entre barqueiros e mateiros  totalizando 15 pessoas em campo.

A expedição contou com o apoio logístico do analista ambiental Anselmo Silva, e da chefe da Esec Rio Acre Aldalúcia Carvalho. A pesquisa contou com apoio e recursos  do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa). Outra  expedição será necessária no período seco para complementar o inventário e melhor conhecimento acerca da herpetofauna da Estação Ecológica. As metodologias utilizadas em campo foram a busca-ativa  durante o dia e a noite, além da instalação de quatro linhas  de armadilhas de interceptação e queda (pitfalls). A pesquisa é importantíssima pois se sabe muito pouco acerca da  fauna de anfíbios e répteis da Estação Ecológica, localizada  em uma área remota, na fronteira com o Peru.

Nesse primeiro inventário foram encontradas 88 espécies,  sendo 43 espécies de anfíbios e 45 espécies de répteis, destacando-se o sapo-cururu-mirim ( Rhinella poeppigii ), como  primeiro registro da espécie para o Brasil, pois esta espécie  é conhecida apenas na Bolívia, Peru e Equador numa faixa  estreita de florestas de montanhas pré andinas.  A serpente Drymobius rhombifer, foi o quinto registro para  o Brasil, sendo uma espécie muito rara e pouco conhecida. A  serpente  Bothrops bilineatus,  também foi outro achado. A  equipe de pesquisadores estará preparando um artigo em que  detalharão melhor os registros feitos na expedição.

* Matéria publicada no informativo ICMBio em Foco 354

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Escola em área isolada da Resex Chico Mendes (AC) é modelo

A Escola de Ensino Fundamental e Médio Cumarú está localizada na Colocação Cumarú, Seringal São Francisco do  Iracema, na Reserva Extrativista Chico Mendes, município  de Rio Branco (AC). Seu único acesso se dá entre 5 e 8 horas  de viagem, após se percorrer um trajeto de 25 km de estrada  de terra e mais 20 km a pé ou a cavalo.

Os alunos pertencem à comunidade dos seringais São Francisco do Iracema e Macapá, na Reserva Extrativista Chico  Mendes e seu entorno onde foram feitos os estudos para  criação da Reserva Extrativista Riozinho do Rola. Essa comunidade vive basicamente do comércio da castanha, borracha e agricultura familiar, tendo na pesca e na caça fontes  primordiais de proteína animal.

A criação de bovinos também está presente em algumas  áreas, porém apenas como complemento na renda. Trata-se  de uma comunidade extremamente jovem. A região conta  com cinco escolas rurais de ensino fundamental.

Entretanto, a Escola Cumarú se destaca pela dedicação e  trabalho do professor Francisco Barbosa Leite, pedagogo e  teólogo, que transformou o local com projetos e iniciativas de gestão escolar diferenciada para áreas de floresta.

Ele construiu uma horta comunitária com os alunos,  iniciou o plantio de um Sistema Agro-florestal (SAF)  para abastecer a escola com apoio apenas da comunidade. Nesta horta existem espécies como acerola, café,  ingá, araçá-boi, coco, limão, laranja, cupuaçu, graviola, açaí, entre outros.

Foi do professor a ideia da construção de uma biblioteca, tendo criado um material didático próprio para a  comunidade, com materiais que integram a realidade  local. Um alojamento provisório foi estruturado para  os estudantes que moram há mais de três horas de distância e que, por este motivo, permanecem a semana  toda na escola.

Atualmente o maior desafio para gestão da escola é a implementação do telecentro, que já possui os computadores armazenados desde 2012, à espera da instalação. Não  foi por falta de apoio da comunidade que o espaço até  hoje não foi construído, tendo em vista que ainda não  há todos os equipamentos necessários para a instalação e para o fornecimento de energia – cujo fornecimento  precisa ser por placas solares.

Ação gerenciada pela Secretaria de Inclusão Digital, do Ministério das Comunicações (MC), os telecentros são espaços sem fins lucrativos, de acesso público e gratuito, com  computadores conectados à internet, disponíveis para diversos usos. Segundo dados do portal do MC, existem 7.755  telecentros em funcionamento em todo o Brasil, instalados  por meio de uma parceria entre ministérios, prefeituras e  entidades responsáveis pela manutenção desses espaços.

Outros desafios são a falta de valorização da carreira do magistério na área rural e o fornecimento da merenda escolar,  que poderia ser feito por meio da compra de produtos locais  pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) do Ministério de Desenvolvimento Social (MDS).

A escola conta com o apoio da Secretaria de Educação do  Estado do Acre, entretanto a carência de recursos é grande,  e falta principalmente um projeto político-pedagógico que  dê conta das especificidades do ensino formal em uma Unidade de Conservação de Uso Sustentável.

Os analistas ambientais Melina Andrade e Fernando França Maia realizaram uma visita ao local e fizeram um planejamento para dar início a atividades conjuntas do ICMBio com a gestão da escola, na comunidade e entorno.

A equipe de gestão do ICMBio na Resex Chico Mendes  também irá fornecer materiais específicos sobre a Reserva,  para auxiliar nas atividades escolares.

* Matéria publicada no informativo ICMBio em Foco 354

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Concluída sinalização em Anavilhanas (AM)

Placas foram fixadas sobre árvores de grande porte

© Todos os direitos reservados. Foto: Enrique Salazar

Aproveitando o período de cheia do Rio Negro, a equipe do Parque Nacional de Anavilhanas – unidade de conservação administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) localizada no Amazonas – instalou 20 novas placas de sinalização. As placas, com dimensões de 3 metros por 1,5 metros, foram fixadas sobre árvores de grande porte com cabos de aço emborrachados e flexíveis, garantindo a sua durabilidade com o tempo.

Elas foram construídas com chapas de plástico reciclado cobertas com dupla camada de alumínio, também reciclado e emolduradas com madeira plástica maciça (Wood Plastic Composite – WPC), visualmente parecida com madeira convencional.

Imagens e textos foram impressos diretamente na chapa por sistema de impressão UV, tendo sido utilizadas tintas a base de pigmentos orgânicos, isentas de solventes.

Anavilhanas é um parque pioneiro na utilização dessas placas “ecológicas” com recursos do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa). Além de mais bonitas, se for comprovada a maior durabilidade em campo, é provável que esse modelo venha substituir as placas de ferro galvanizado comumente utilizadas.

* Matéria publicada no site do ICMBio em 17/07/2015

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Operação Quelônios acontece na RESEX do Baixo Juruá (AM)

Entre os dias 23 de junho a 07 de julho, aconteceu a primeira etapa da Operação Quelônios na Reserva Extrativista do Baixo Juruá (AM). Com o objetivo de coibir a captura, transporte e venda dos quelônios amazônicos, a operação coordenada pelo ICMBio e financiada com recursos do Programa Arpa contou ainda com o apoio do IBAMA e do Batalhão de Polícia Ambiental do Amazonas.

Fiscalização em embarcação regional

Com o início do verão amazônico e a queda dos volumes de chuva na região, o nível dos rios diminui, época em que surgem as praias, ambientes ideais para a desova dos quelônios, em especial o Tracajá (Podocnemis unifilis); o Iaça (Podocnemis sextuberculata); e a Tartaruga (Podocnemis expansa). Aproveitando-se deste período, os caçadores de quelônios armam malhadeiras nos igarapés e beiradas de praia, capturando os animais antes mesmo da desova. Nos tabuleiros de desova a captura também acontece, já que nesses locais os ovos também despertam o interesse dos caçadores. Nesse sentido, a presença da fiscalização nesta época é fundamental para coibir possíveis ilícitos e possibilitar que os quelônios realizem a desova, iniciando um novo ciclo para as espécies.

Aproximação para abordagem em balsa

Em 15 dias de operação, a equipe de fiscalização realizou vistorias nos igarapés da RESEX, além de abordagens em embarcações que transitavam no rio Juruá e Andirá. Em cada abordagem, mesmo sem a constatação de irregularidades, a equipe transmitia aos tripulantes, viajantes e moradores locais a informação quanto à proibição da captura e venda de quelônios, bem como a importância destas espécies para ecossistema local e as populações ribeirinhas.

Abordagem em casa de pescaria no entorno da RESEX

Foram lavrados 2 autos de infração, referentes ao abate de Pirarucu (Arapaima gigas) e Jacaré-Açu (Melanosuchus Níger). Nas próximas semanas, a Operação Quelônios continuará na área da RESEX do Baixo Juruá, intensificando os trabalhos nos tabuleiros de desova que estarão mais salientes com a contínua vazante do rio Juruá.

Texto: Gerson Roessle Guaita / Fotos: ICMBio

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Moradores constroem espigão na Resex Cururupu (MA) para conter erosão

Na reserva extrativista maranhense canal-de-maré está erodindo

© Todos os direitos reservados. Foto: Acervo ICMBio

Selo-Arpa1No final de junho foi concluída a primeira etapa do Projeto Restinga de Guajerutiua, que visa reverter o processo de erosão costeira na Reserva Extrativista de Cururupu, unidade de conservação administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) localizada no Maranhão.

Com o objetivo de se alargar a estreita faixa de areia entre o baixio, como é conhecido o canal-de-maré que está erodindo a linha de costa da ilha de Guajerutiua, e a duna frontal da praia foi construído um pequeno espigão com estruturas não-rígidas medindo 30 metros de comprimento por 5 metros de largura, estabilizando a restinga nessa localidade.

A erosão tem tirado a tranquilidade da comunidade de pescadores da reserva pelo fato dos extrativistas viverem em ilhas na costa do Maranhão distantes dos centros urbanos. E como não se pode usar máquinas nesses ambientes sensíveis da reserva, foi preciso um grande mutirão dos comunitários para construírem o espigão.

Grande parte do trabalho foi feito sobre o banco de areia formado pela ação do baixio, que impede que os sedimentos alcancem a praia. Ali os sacos foram preenchidos e costurados para depois ser feito o transporte.

As Reentrâncias Maranhenses, onde está localizada a Resex Cururupu, possuem um regime de macro-marés, com amplitude variando entre 4 a 8 metros a cada seis horas. Assim, em um turno do dia havia a possibilidade de se usar as carroças da comunidade, nos caminhos deixados durante a vazante da maré, para o transporte dos sacos. Já no outro turno, na preamar, eram os barcos que ajudavam no transporte da sacaria.

Após uma semana de trabalho, o desafio de transportar cerca de 1200 sacos de um lado para outro do canal, pesando mais de 60 kg cada, foi concluído. A soma totalizou uma estrutura com peso de aproximadamente 70 toneladas.

© Todos os direitos reservados. Foto: Acervo ICMBio

Segundo o chefe da Resex de Cururupu, Eduardo de Borba, para se definir a forma e o local do espigão foram consideradas a direção preferencial e a intensidade das correntes, a profundidade e a extensão do canal. São esperadas modificações rápidas no curso d’água que forma o baixio, visto que o ambiente possui alta hidrodinâmica, o que irá requerer outras intervenções e formas de estabilização provocada pelas mudanças subsequentes”, frisou ele.

A Resex de Cururupu conta com apoio do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa) para o desenvolvimento de suas atividades, como as de mitigação de impactos em ambientes vulneráveis.

Além dos comunitários da Ilha de Guajerutiua, estudantes do curso de oceanografia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), a Associação dos Moradores da Reserva Extrativista de Cururupu e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Cururupu e toda a equipe da reserva se envolveu nesta atividade.

* Matéria publicada no site do ICMBio em 17/07/2015