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Reocupação de ariranhas na Reserva Amanã (AM) é monitorada pelo Instituto Mamirauá

Selo-Arpa1Quase extintas na década de 1970, as ariranhas (Pteronura brasiliensis) são animais que historicamente já ocuparam quase todos os biomas brasileiros. Atualmente, as populações estáveis da espécie estão limitadas à Bacia Amazônica e ao Pantanal. A fim de conhecer a dinâmica populacional e espacial desses animais, o Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), realiza pesquisa com com a espécie há mais de dez anos na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, no Amazonas.

Como parte da iniciativa está o estudo da dinâmica espacial, que investiga a distribuição dos animais, as áreas de vida, os locais utilizados por eles, a fidelidade e temporalidade de uso desses sítios e a movimentação dos animais nas diferentes épocas do ano, na cheia e na seca, por exemplo. Outro foco é o estudo populacional, que prevê a identificação dos animais que ocorrem na região, registrando dados como número de indivíduos e grupos, casais dominantes, número de fêmeas e machos e faixa etária (número de adultos, jovens e filhotes).

André Giovanni Coelho, pesquisador do Instituto Mamirauá, destaca a importância de se conhecer a biologia dos animais, sua distribuição geográfica e dados populacionais para o desenvolvimento de estratégias de conservação. “Essas são questões apontadas como metas no Plano Nacional de Conservação da Ariranha, elaborado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com 42 metas que abrangem desde a parte de genética e ecologia até zoonoses e outros pontos”, afirma.

O esforço do Instituto para acompanhar a reocupação da espécie na região iniciou em 2003. O monitoramento populacional na Reserva Amanã realizado entre 2004 e 2008 registrou 711 indícios da presença de ariranhas, entre animais observados e vestígios, como marcas no substrato, ou seja, camada de terra sob o solo superficial, e vocalizações. Foram identificados 167 indivíduos da espécie. Entre esses, 75 faziam parte de 12 comunidades sociais, e os demais foram avistados individualmente.

“Essa pesquisa é importante porque é um levantamento dez anos depois do primeiro registro de reocupação dos animais nessa região, pretendemos continuar acompanhando o possível crescimento populacional da espécie. Conforme a população aumenta, o conflito com as pessoas também pode aumentar, principalmente pela disputa do recurso pesqueiro”, afirmou o pesquisador.

Para monitorar a ocorrência da espécie, desde o início do projeto nos anos 2000, a equipe percorre os principais cursos d’água ao longo do Lago Amanã de lancha ou canoa em busca de indícios da presença de ariranhas, como rastros ou latrinas e locas, que são abrigos utilizados pelos animais. As localizações dos sítios encontrados são marcadas pelo GPS e os locais avaliados se estão ativos ou inativos, e é observada a continuidade de utilização pelos animais. Uma novidade do projeto realizado atualmente é a instalação de armadilhas fotográficas na área, visando o registro remoto de atividades. As câmeras são ferramentas que auxiliam na identificação dos animais, do tamanho do grupo, da frequência de utilização das áreas e outras informações.

De acordo com o pesquisador, a utilização dos sítios de ocupação por esses animais é muito dinâmica, assim como a movimentação deles dentro das áreas de vida. “Essa variação acontece principalmente em função da disponibilidade do recurso, ou para marcar território”, ressaltou. As fotografias também são feitas nos momentos de encontro da equipe de pesquisadores, técnicos e assistentes de campo e os grupos de animais. As fotografias ajudam na identificação individual de cada animal avistado, pelas marcas que possuem no pescoço.

A espécie sofreu grande redução populacional em meados da década de 1970, principalmente em função da caça para venda de peles, além de outros conflitos com humanos. Atualmente, é considerada ameaçada pela International Union for Conservation of Nature (IUCN) e vulnerável pela lista nacional de espécies ameaçadas do ICMBio e Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A espécie também faz parte da lista Cites CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção) desde 1973.

O estudo já registrou a ocupação de novas áreas da Reserva Amanã por ariranhas. Grupos de animais foram avistados nos igarapés do Ubim, Açu e Samaúma. As áreas já haviam sido monitoradas anteriormente e, embora na época houvesse algum vestígio da presença dos animais, esses grupos nunca foram avistados durante os quatro anos de monitoramento de sua presença nessa área.

“Esses são indícios de que a população continua crescendo. A região tem ambientes adequados para a espécie ocorrer, mas os grupos ainda não tinham chegado até lá”, ressaltou André. O registro de nova ocupação foi uma contribuição dos comunitários, que informaram aos pesquisadores da recente presença dos animais na localização, confirmada posteriormente com o registro por meio de armadilhas fotográficas.

Os dados levantados nos anos anteriores servem como referência de comparação para o estudo atual. As imagens registradas na época contribuem para a identificação dos animais, possibilitando que os pesquisadores verifiquem se os mesmos grupos continuam ocupando essas áreas, com as mesmas características, o mesmo casal dominante ou mesmo número de indivíduos, por exemplo.

O projeto prevê capturas na próxima estação de seca. Com a captura e marcação de alguns indivíduos será possível monitorar, por meio de telemetria, os padrões de movimentação dos animais pela região.

* Texto assinado por Amanda Lelis e publicado em 16/06/2015

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Feira dos Povos reúne diversidade cultural do Médio Xingu

Evento conta com a participação de seis Unidades de Conservação federais

 © Todos os direitos reservados. Foto: Bruna Schrickte

Formada por áreas protegidas de fundamental importância para a conservação da floresta e dos territórios de povos indígenas e comunidades tradicionais, a região do Médio Xingu, no Pará, sediará um evento à altura da sua diversidade sociocultural: a primeira Feira dos Povos do Médio Xingu.

Uma realização do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em parceria com a Fundação Nacional do Índio (Funai), a Feira acontece nos dias 20 e 21 de junho, das 16h às 20h, na Praça Matias, em Altamira (PA). O objetivo do evento é mostrar a riqueza cultural da região, o potencial relativo aos produtos da agrobiodiversidade, a cadeia produtiva do artesanato e a importância dos povos indígenas e extrativistas.

Por conta das suas estreitas relações com a natureza e do conhecimento que possuem do ambiente onde vivem, essas populações são consideradas verdadeiras guardiãs da biodiversidade. A primeira Feira dos Povos do Médio Xingu contará com a participação de indígenas pertencentes a três troncos linguísticos distintos e com costumes singulares – Tupi, Macro-Jê e Karib – além de seringueiros, castanheiros, pescadores, coletores de óleos e sementes, entre outros.

De acordo com o chefe da Reserva Extrativista (Resex) Riozinho do Anfrísio, Rafael Barboza, a ideia é que a Feira dos Povos se consolide como um evento anual. “Queremos dar visibilidade aos moradores das Unidades de Conservação, pois eles têm uma produção muito orgânica, porém pouco conhecida nas cidades da região. Outra finalidade do evento é promover um intercâmbio entre as próprias comunidades. O nosso território é tão grande que muitas delas não se conhecem entre si”, explica Barboza.

Selo-Arpa1Além da Resex Riozinho do Anfrísio, também participam do evento as seguintes Unidades de Conservação federais: Resex Rio Xingu, Resex Rio Iriri, Resex Verde para Sempre, Parque Nacional da Serra do Pardo e Estação Ecológica da Terra do Meio. A Feira terá exibição de filmes, rodas de conversa, mostra fotográfica, comercialização de produtos, entre outras atividades.

Confira a programação.

Comunicação ICMBio
(61) 2028-9280
* Matéria assinada por Nana Brasil e publicada em 10/06/2015 no site do IMCBio
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As lições da Reserva de Mamirauá (AM) para a proteção da Amazônia

Pesquisas científicas e sabedoria popular são a base para os projetos de manejo de recursos naturais

Moradores locais, e seus conhecimentos, são fundamentais nas pesquisas sobre como proteger a região de Mamirauá (Foto: Sônia Vill)

Selo-Arpa1Contrariando a proposta das Reservas de Proteção Integral, as Reservas de Uso Sustentável são criadas para atender demandas locais de caráter social e ambiental. Seu objetivo é conciliar a conservação da natureza com a presença humana, promover a gestão participativa e o manejo sustentável dos recursos naturais. Destaco a importante contribuição da população local nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mamirauá Amanã, criadas em 1990 e 1998, respectivamente, na região do médio Solimões e baixo Japurá, no Amazonas.

Mamirauá foi decretada Estação Ecológica, unidade de proteção integral. Desde o início de sua criação, cujo projeto foi liderado pelo biólogo José Márcio Ayres e pela antropóloga Deborah Lima, a população de residentes e do entorno teve ampla participação nas pesquisas científicas e na gestão da unidade.

O contexto socioambiental da região do médio Solimões na década de 1980 era difundido através de um movimento social apoiado pela Igreja Católica. As comunidades ribeirinhas estavam se articulando para proteger os recursos naturais contra ações predatórias de peixeiros e madeireiros dos centros urbanos. Na área decretada como Reserva Mamirauá, havia pesca e caça predatórias e exploração ilegal de madeira. Muitas espécies estavam ameaçadas, como: o macaco uacari-branco (objeto de estudo do biólogo Márcio Ayres), peixes-boi, tartarugas, pirarucus e espécies madeireiras de valor comercial.

Pesquisas realizadas no começo da década de 1990 registraram até 9 mil árvores exploradas de forma ilegal em apenas uma safra. Espécies de peixes estavam ameaçadas. O pirarucu, por exemplo, que precisa atingir no mínimo 150 centímetros para reproduzir, estava sendo capturado com 80 centímetros. As consequências dessas ações seriam irreparáveis se a Reserva Mamirauá não tivesse sido decretada.

O modelo RDS surgiu como uma solução legal para legitimar a permanência da população na área. Certa vez, a professora Deborah Lima me escreveu em uma carta: “…[a Estação Ecológica Mamirauá] não foi uma invenção a partir de um gabinete ministerial de Brasília ou de uma sala de universidade ou de um escritório de uma ONG… foi contingente, aconteceu num momento de abertura política e de ideias, que resultou na aproximação de ambientalistas a movimentos sociais”. Surgiu, então, da situação no médio Solimões expressada pelo movimento social dos ribeirinhos, somada à demanda de pesquisadores ambientalistas, também preocupados com as demandas sociais, e em um momento de abertura política tanto a nível nacional quanto internacional.

A RDS foi aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas em 1996, quando a então Estação Ecológica Mamirauá foi transformada em Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e, em 2000 foi aprovada pelo Congresso Nacional e incluída no Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). Ainda em 1993, Mamirauá foi reconhecida como um Sítio da Convenção de Ramsar, por estar localizada em uma várzea e ser importante para a conservação desse ecossistema. E em 2003, Mamirauá e Amanã foram reconhecidas pela UNESCO como Sítios do Patrimônio Natural da Humanidade.

Ressalto a parceria entre as comunidades e a equipe multidisciplinar formada por técnicos e pesquisadores do Instituto Mamirauá que vêm contribuindo com seus estudos, ao longo de quase três décadas. Os resultados das pesquisas científicas somados à sabedoria da população local têm sido a base para a implementação dos projetos de manejo de recursos naturais. Ao longo dos anos, as experiências com o manejo de recursos naturais vêm extrapolando os limites dessas unidades, disseminando-se para outras áreas da Amazônia e da Pan-Amazônia, beneficiando populações ribeirinhas e indígenas.

O modelo de manejo florestal comunitário da Reserva Mamirauá, e aprovado em 2000 pelo IBAMA/AM, é pioneiro no estado do Amazonas. A experiência da assessoria técnica e dos manejadores somada aos resultados de pesquisas realizadas em parceria com o Projeto Max Planck/INPA foram fundamentais para subsidiar a elaboração de uma Instrução Normativa específica para o manejo florestal em ecossistema de várzea, aprovada pelo governo do estado do Amazonas em 2010.

As pesquisas sobre a biologia e a ecologia dos pirarucus aliadas ao conhecimento que os pescadores têm sobre a espécie, resultaram numa metodologia de baixo custo utilizada para realizar o censo populacional. Essa é a base dos projetos de manejo na Reserva Mamirauá, que abriram precedentes para o IBAMA/AM licenciar a captura e a comercialização do pirarucu, não apenas em unidades de conservação, mas também em outras áreas do estado.

Dentre os benefícios proporcionados pelos projetos de manejo de pirarucu, enfatizo a inclusão dos pescadores residentes dos municípios no entorno das reservas, vinculados às colônias e aos sindicatos de pesca. Durante os primeiros anos das unidades, eles ficaram fora do processo, mas aos poucos vêm participando mais. Até 2015 foram implementados cinco projetos de manejo participativo de pirarucus em sistemas de lagos situados dentro dos limites das reservas e no entorno, que incluem pescadores das cidades de Tefé, de Alvarães e de Maraã.

Quando a população se sente parte do processo e se apropria da proposta de conservação, a defesa do território é a consequência. Os projetos de manejo participativo de recursos naturais, principalmente recursos pesqueiros, têm se mostrado uma ferramenta importante para a proteção da área. À medida que os grupos de pescadores reconhecem a proposta de conservação e passam a se beneficiar dos recursos, o desejo de cuidar da área é também aflorado e eles se juntam às comunidades residentes nas reservas com a importante missão de proteção da área.

Essa missão, no entanto, é muito pesada e não deve ser deixada apenas para essa população. O governo estadual, que tem tido presença muito discreta ao longo desses anos, precisa assumir a sua parte e fazer a gestão das unidades, principalmente no que se refere às demandas de fiscalização.

*Isabel Soares de Sousa é antropóloga, pesquisadora do Instituto Mamirauá, organização social fomentada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

** Matéria assinada por Isabel Soares de Sousa e publicada no site da revista Época em 03/06/2015

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Curso de Engenharia Florestal da Ufac promove atividade prática na Resex Chico Mendes (AC)

Selo-Arpa1O curso de Engenharia Florestal da Universidade Federal do Acre (Ufac) promoveu no período de 28 a 31 de maio na Reserva Extrativista Chico Mendes (Resex), atividade prática de manejo florestal referente à disciplina de Exploração e Transporte Florestal. A finalidade é quantificar o volume de madeira existente nos pátios e conhecer a área de Manejo Florestal Comunitário da Resex Chico Mendes. A ação foi coordenada pelo professor Tarcísio Fernandes e contou com a parceria do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), da secretaria de Desenvolvimento Florestal (Sedens), da Cooperfloresta, do Pelotão Ambiental e da comunidade da Resex Chico Mendes.flor

De acordo com o professor Tarcísio Fernandes muitos desafios precisam ser superados no manejo florestal comunitário. Fernandes destaca que as parcerias firmadas com o ICMBio, com a Sedens, com a Resex Chico Mendes e com a Cooperfloresta permitem a continuidade do manejo comunitário na Resex e, nesse sentido, o curso de Engenharia Florestal da Ufac tem muito a contribuir. “Foi uma experiência única vivenciada pelos alunos, o momento foi muito especial, houve uma grande interação entre todos, um grande comprometimento com a atividade e eles (os alunos) puderam sentir na ‘pele’ alguns desafios que a floresta e o manejo florestal comunitário oferecem”, explicou.flores

O analista ambiental do ICMBio, Fluvio Mascarenhas, e ex-aluno do curso de Engenharia Florestal da Ufac, complementa que é a parceria mais importante para a Reserva Extrativista Chico Mendes nesse momento e que esta prática para os alunos tende a aperfeiçoar e encontrar a melhor saída para viabilidade do manejo florestal sustentável, “formar especialistas na nossa universidade e unir o aprendizado com o laboratório real que existe na floresta da Reserva Extrativista Chico Mendes faz com que essa atividade seja única para quem está se formando em Engenharia Florestal. Deixo aqui os meus agradecimentos ao professor Tarcísio e ao magnífico reitor Minoru Kinpara por está viabilizando a formação real de nossos futuros engenheiros florestais”, ressaltou Mascarenhas.

A Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes foi concebida em 22 de março de 1990 e conta com uma área de 970.570 hectares. É considerada a segunda maior reserva extrativista do país, sendo pioneira no Manejo Florestal Comunitário (dentro desta categoria de Unidades de Conservação) que constitui uma atraente fonte de renda e trabalho para os extrativistas.

* Matéria publicada em 08/06/2015 no site da UFAC

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ICMBio se reúne com moradores da RESEX Chico Mendes (AC)

Entre os temas tratados estava a criação de gado dentro da UC

 © Todos os direitos reservados. Fotos: Acervo ICMBio

Gestores da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes, unidade de conservação administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) localizada no Acre, promoveram uma série de reuniões com os moradores da reserva para tratar da criação de gado no interior da unidade.

A discussão trouxe como ponto de partida as regras estabelecidas pelo Plano de Utilização da unidade que autoriza a criação destes animais como atividade complementar, estabelecendo inclusive o tamanho das áreas que devem ser destinadas à atividade.

A chefe da Resex Silvana Lessa afirma que a meta será promover mais reuniões e garantir a maior participação possível dos moradores da Reserva Extrativista Chico Mendes. “Queremos um debate transparente e com maior envolvimento possível das comunidades, com objetivo de garantir a participação efetiva dos moradores na construção e implementação das ações que diminuam os impactos das atividades na floresta”, destaca Lessa.

Segundo o analista ambiental Fluvio Mascarenhas, o principal objetivo da reunião foi estabelecer um dialogo e ouvir dos moradores propostas para que possam ser estabelecidas estratégias que visem diminuir o crescimento da pecuária no interior da unidade.

A pecuária se contrapõe aos objetivos da unidade que tem como princípio a manutenção da floresta e das atividades extrativistas. No entanto, nos últimos anos a atividade tem se intensificado promovendo o aumento do desmatamento. “Durante as reuniões os moradores tem justificado o aumento da atividade bovina, em detrimento da ausência de políticas públicas para os produtos extrativistas”, frisou Mascarenhas.

Segundo o morador do Seringal Santa Ana, o Sr. Raimundinho Lima, não há preço justo para borracha. “Levo dois dias de viagem de barco pelo rio Laco para transportar o nosso produto até o município de Sena Madureira, e quando chegamos na cidade, o preço ofertado pelos nossos produtos não pagam nem as despesas do transporte”,

Segundo ele, se os extrativistas plantam feijão ou arroz, quando vamos vender não se pagam o preço justo. “Já o gado, no caso, o comprador vai na porta de casa buscar”, frisa Sr. Raimundo Lima. Mesmo em meio aos desabafos ocorridos na reunião, a grande maioria se propôs a buscar soluções visando diminuir o aumento da criação bovina.

O vice presidente da Associação de Moradores de Brasiléia e Epitaciolândia e morador do Seringal Amapá, no município de Brasiléia, Sr. Anacleto, declara o reconhecimento dos grandes avanços obtidos ao longo dos anos na unidade, tais como melhorias na educação, saúde, infra-estrutura e preço justo para alguns produtos florestais, a exemplo da castanha.

As reuniões seguem ate o mês de junho, e devem finalizar no final com uma grande assembleia geral, para pactuar acordos estabelecidos a partir de uma discussão participativa. Outros temas, como venda de terras e caça com cachorro no interior da unidade, são pautas de discussão pelas comunidades.

Saiba mais sobre o uso sustentável na Reserva Extrativista Chico Mendes.

Comunicação ICMBio
(61) 2028-9280
* Matéria publicada em 05/06/2015 pelo ICMBio
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Reserva Extrativista Ipaú-Anilzinho (PA) planeja seminário de gestão ambiental

Evento acontecerá de 18 a 21 de junho

Com o objetivo avaliar os principais avanços, limites e desafios ao longo dos seus 10 anos de criação, a Reserva Extrativista (Resex) Ipaú-Anilzinho (PA) se prepara para realizar, no período de 18 a 21 de junho, seu “1º Seminário de Gestão Ambiental”. O evento está previsto para ocorrer no Salão Comunitário da Igreja Santíssima Trindade, localizado na comunidade de Joana Peres, uma das seis que integram a Unidade de Conservação (UC).

O seminário pretende promover um grande espaço de debate, articulação, troca de ideias, experiências e confraternização entre população local, comunidade científica, setor público e privado e sociedade civil, firmando parcerias e estratégias importantes para o fortalecimento institucional e comunitário da Resex Ipaú-Anilzinho.

A mesa de abertura contará com a presença de representantes da Resex, de outros setores do Instituto Chico Mendes, da Procuradoria-Geral da República em Tucuruí (PA) e da Prefeitura de Baião. Outras atividades técnico-científicas, culturais e de lazer também estão previstas.

O 1º Seminário de Gestão Ambiental da Resex Ipaú-Anilzinho é uma promoção conjunta do Instituto Chico Mendes e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no Brasil. As inscrições para participar do evento podem ser feitas por meio de formulário on-line (http://goo.gl/forms/lQKLG43vFn) ou durante o evento. Os participantes receberão certificados de comparecimento.

O evento conta com apoio do Grupo de Pesquisa “Biodiversidade, Sociedade & Educação na Amazônia” (BIOSOE), vinculado ao Núcleo de Ciências Agrárias e Desenvolvimento Rural da Universidade Federal do Pará (NCADR/UFPA), e do Centro de Pesquisa e Gestão de Recursos Pesqueiros do Litoral Norte (Cepnor).

Comunicação ICMBio
(61) 2028-9280
* Matéria publicada no site do ICMBio em 04/06/2015
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Anavilhanas (AM) recebe obra de arte

“Bendito seja o azul divino” é o nome da obra

© Todos os direitos reservados. Foto: Maibritt Wolthers

O Parque Nacional de Anavilhanas – unidade de conservação administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) localizada no Amazonas – recebeu no final do mês de maio a obra de arte “Bendito seja o azul divino”, da artista dinamarquesa Maibritt Wolthers.

A obra ficará em exposição por um ano em uma Arapari próxima a um furo de igapó muito utilizado pelos turistas, moradores e operadores da região e foi apoiada pelo Anavilhanas Jungle Lodge, hotel do roteiro de charme que fica às margens do Parque.

“Hoje a tarde fizemos os últimos registros da instalação e um grupo de turistas passou para apreciar no momento e foi o máximo ver a alegria deles ao ver a obra. Um dos turistas chegou agora e me abraçou de felicidade e me contou que o guia deles, que é local da região ao ver a exposição ficou tão feliz, dizendo não estar acreditando estar apreciando uma obra de arte!”, frisou a artista Maibritt Wolthers.

A expectativa é de que a instalação seja apreciada por muitos locais e turistas. “Pretendo fazer uma página no Facebook na qual todos possam postar suas fotos da instalação durante o ano” disse Wolthers. A instalação passa a integrar o roteiro do Parque de Anavilhanas sendo mais um atrativo durante o período que estiver em exibição.

Saiba mais sobre visitação no Parque Nacional de Anavilhanas.

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(61) 2028-9280
* Matéria publicada no site do ICMBio em 03/06/2015
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Alto do Tarauacá (AC) define Perfil da Família Beneficiária

O objetivo é identificar famílias que terão acesso a políticas públicas

© Todos os direitos reservados. Foto: Acervo ICMBio

A equipe da Reserva Extrativista (Resex) do Alto Tarauacá – Unidade de Conservação administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) localizada no Acre – e da base do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Sociobiodiversidade Associada a Povos e Comunidades Tradicionais (CNPT) no Acre participaram de uma expedição na Unidade de Conservação (UC). Entre os dias 1º e 14 de maio foram realizadas sete reuniões comunitárias com os moradores da Resex.

O objetivo principal foi discutir com as comunidades aspectos que auxiliarão na definição do Perfil da Família Beneficiária da Resex. Com isso, será possível identificar quais famílias terão acesso às políticas públicas voltadas a esse público, garantindo-lhes legalmente também o direito de uso do território.

“Este é mais um importante instrumento de gestão em processo de construção. As reuniões foram muito proveitosas e com grande participação dos moradores”, afirmou Camilla Helena da Silva, analista ambiental da Resex.

Segundo Rosenil de Oliveira, analista ambiental do CNPT/AC, os moradores entenderam a importância de se construir este instrumento de gestão ouvindo indistintamente todos os comunitários que usam e acessam os recursos naturais da Resex.

Durante as oficinas foi possível também a aplicação de uma metodologia que discute e relembra com os comunitários o papel e funcionamento do Conselho Deliberativo da Reserva, ativo desde junho de 2011.

© Todos os direitos reservados. Foto: Acervo ICMBioO método utiliza ilustrações e foi desenvolvido pelas consultoras Érica Bettiol e Marina Minari e pelas analistas ambientais Camilla Helena, Ana Luiza Figueiredo e Mariana Leitão, em oficinas na Reserva Extrativista (Resex) do Rio Unini e no Parque Nacional do Jaú (AM).

“A metodologia é muito esclarecedora, pois demonstra todo o processo de gestão das Unidades nos conselhos gestores, além de explicitar a importância da participação comunitária. Nesse sentido, é muito gratificante perceber que eles saem mais apropriados sobre o papel do conselheiro e seu próprio papel na gestão da Unidade”, diz Camilla Helena.

Mudanças na equipe

A expedição também foi uma oportunidade para apresentar Mariléia de Araújo da Silva aos comunitários, que desde 30 de abril compõe a equipe de gestão da Resex e assumiu a chefia da UC. “É muito importante iniciar os trabalhos de gestão visitando todas as comunidades e conhecer localmente a região. Além disso, tive o privilégio de contar com a presença dos três ex-chefes da Unidade numa mesma expedição, o que demonstra respeito aos moradores e a certeza de que as ações serão continuadas”, afirmou a atual chefe.

Na mesma expedição, a analista Camilla Helena se despediu dos moradores, com muita gratidão e lágrimas, após um trabalho de cinco anos: “Sempre terei a Resex do Alto Tarauacá no meu coração. Me despedir pessoalmente e apresentar a nova chefia era uma questão fundamental para seguir o meu caminho com muita tranquilidade e sentimento de dever cumprido. Minha gratidão aos colegas de equipe, do escritório de Cruzeiro do Sul e aos moradores por todo o aprendizado será eterna”, finalizou Camilla.

Comunicação ICMBio
(61) 2028-9280
* Matéria publicada no site do ICMBio em 01/06/2015
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Reserva Extrativista Cururupu (MA) reúne conselho deliberativo

Reunião recebeu 12 entidades representativas do conselho

O conselho deliberativo da Reserva Extrativista (Resex) Marinha Cururupu (MA) realizou sua nona reunião, entre os dias 24 e 26 de abril. O evento, realizado na ilha de Valha-me-Deus, uma das treze comunidades que fazem parte da UC, contou com presença de 12 entidades representativas do conselho e abordou assuntos sobre a Unidade de Conservação e seus beneficiários.

Saiba mais sobre os Conselhos Deliberativos.

Na ocasião, o gerente do Projeto Pesca para Sempre, Enrico Marone, apresentou a metodologia proposta pela Organização Não-Governamental (RARE), que já se difundiu em outras partes do mundo e que na UC terá como foco a Pescada-Amarela.

O objetivo é propor medidas de conservação e de engajamento social a partir de levantamentos in loco e da realização de campanhas para diminuir as capturas da espécie Pescada-Amarela (Cynoscion acoupa).

Segundo Josenilde Ferreira, beneficiária da UC e coordenadora de campo do projeto, a produção dos pescadores que utilizam a rede malhão e têm a pescada-amarela como alvo está diminuindo gradativamente.

Os conselheiros apontaram que a captura desta espécie está associada a seus hábitos de permanecer no fundo do mar para alimentação e reprodução, formando cardumes nos poços e em regiões profundas.

Outro assunto debatido tratou da Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER), serviço executado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), que consiste em visitas técnicas para identificar as necessidades e potencialidades de cada família extrativista.

Também esteve em pauta o Acordo de Gestão (Portaria n. 122 de 06 de novembro de 2014), que diminui o recrutamento do camarão marinho do período de três para dois meses e a inserção da modalidade de pesca conhecida como fuzarca dentre as artes de pesca proibidas nas áreas conhecidas como Cabeceiras na Unidade de Conservação.

Houve ainda uma apresentação do Projeto Restinga da Ilha de Guajerutiua como forma de conter/mitigar a erosão de praias, além de ser debatidos a elaboração do plano de manejo, os futuros encaminhamentos para o Programa Bolsa Verde e a homologação das famílias beneficiárias da Reserva Extrativista. Todas estas pautas foram conduzidas pela gestão da UC.

Além dos servidores do Instituto Chico mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), participaram da reunião os conselheiros da Prefeitura Municipal de Cururupu, da Universidade Federal do Maranhão, do Instituto Gestão e Desenvolvimento Ambiental (GEDA), da Associação dos Moradores da Resex Marinha de Cururupu (AMREMC), e das comunidades de Bate-Vento, Caçacueira, Lençóis, Peru, Porto Alegre, São Lucas e Valha-me-Deus. Outras duas entidades, além das que integram o conselho estiveram presentes, a RARE do Brasil (sede no Rio de Janeiro) e a Cooperativa de Trabalho, Pesquisa e Assessoria Técnica (COOSPAT), com sede em São Luís (MA).

Comunicação ICMBio
(61) 2028-9280
* Matéria publicada no site do ICMBio em 27/05/2015
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Maracá (RR) reúne conselheiros

Quarenta conselheiros da Estação Ecológicade Maracá, unidade de conservação administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) localizada no município de Amajari (RR), reuniram-se no início do mês de maio.

A reunião foi possível graças ao custeio integral promovido pelo Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), reunindo conselheiros titulares, suplentes e convidados, alcançando um patamar de 84% de presença.

O destaque da reunião ficou por conta da revisão do regimento interno do conselho, instituído em 2007 quando da origem do próprio conselho, tornando-o mais focado na realidade atual. A reunião também foi uma oportunidade para aproximar diferentes entidades e população, possibilitando direcionamentos em relação a futuras capacitações.

Na ocasião pesquisadora da Embrapa/RR, Hyanameyka Evangelista de Lima promoveu curso sobre produção de mudas e enxertia de cupuaçu, que auxiliará as comunidades rurais do entorno.

O Plano de Ação do conselho se encontra em andamento, o que possibilitou mais um ciclo de avaliação para possível encaminhamento de outras demandas.

Comunicação ICMBio
(61) 2028-9280
* Matéria publicada no site do ICMBio em 28/05/2015