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Coleta de tecidos permitirá análise genética de botos em Anavilhanas (AM)

Análise trará informações como sexo, relações de parentesco e quantidade exata de animais

© Todos os direitos reservados. Foto: Marcelo Derzi Vidal

O Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Sociobiodiversidade Associada a Povos e Comunidades Tradicionais (CNPT/ICMBio) iniciou no mês de março a coleta de tecidos biológicos dos botos-vermelhos (Inia geoffrensis) que frequentam o Flutuante dos Botos, localizado no Parque Nacional de Anavilhanas (AM), Unidade de Conservação administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

A atividade é realizada em parceria com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), e faz parte do projeto “Pesquisa e manejo do turismo interativo com botos no Parque Nacional de Anavilhanas”, desenvolvido pelo CNPT/ICMBio. Em dois dias de coletas, foram obtidas amostras de tecidos de sete botos (Chico, Curumim, Dany, Eide, Fefa, Josafá, Reginaldo).

De acordo com Marcelo Vidal, analista ambiental do CNPT e coordenador do projeto, o objetivo da coleta é realizar uma análise genética dos tecidos e obter a identificação técnica dos botos, que poderá ser comparada com o conhecimento adquirido pelos funcionários ao longo dos anos em que a atividade de turismo interativo vem sendo desenvolvida.

A análise genética trará também informações como o sexo de cada um, relações de parentesco e quantidade exata de animais que frequentam o Flutuante. “Existem, pelo menos, mais três botos que ainda não tiveram seu material coletado. Posteriormente, é possível que seja feito algum tipo de marcação nos animais, para facilitar a identificação”, informou Vidal.

Segundo Waleska Gravena, pesquisadora da Ufam, durante a coleta do material para análise, os animais não sofrem nenhum tipo de dano ou molestamento, já que o tecido retirado é muito pequeno e superficial.

O reconhecimento individual dos botos foi feito com o auxílio dos funcionários do Flutuante, que identificam cada animal por meio de marcas naturais, que equivalem a impressões digitais, ou por cicatrizes adquiridas em virtude de arranhões profundos no corpo, causados por interações com animais da mesma espécie, predadores ou humanos.

“As informações reunidas poderão ser repassadas aos visitantes do Parque Nacional de Anavilhanas de maneira didática, contribuindo para um maior conhecimento das atividades de pesquisa relacionadas ao turismo com os botos na Unidade de Conservação”, ressaltou o coordenador.

Sobre o projeto

O projeto “Pesquisa e manejo do turismo interativo com botos no Parque Nacional de Anavilhanas” tem por objetivo gerar informações sobre o turismo interativo com botos (Inia geoffrensis) no Parque Nacional de Anavilhanas, contribuindo para a conservação da espécie e o manejo da visitação na Unidade.

Além da coleta de tecidos, também serão estimadas a frequência de cada boto nas sessões de alimentação do turismo interativo e identificadas nos roteiros turísticos oferecidos no Parque as principais áreas de ocorrência e suas formas de utilização pelos botos.

O projeto é desenvolvido pelo CNPT e tem como parceiros a Ufam, o Instituto Dharma, o Flutuante dos Botos, a Reserva Extrativista do Rio Unini e o Parque Nacional de Anavilhanas.

Comunicação ICMBio
(61) 2028-9280
* Matéria assinada por Nana Brasil e publicada no site do ICMBio em 10/10/2015