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Cresce número de mulheres pescadoras de pirarucu na Amazônia

O aumento de mulheres na pesca do pirarucu tem chamado a atenção de pesquisadores que acompanham a atividade na região do Médio Solimões, no Amazonas.

Em 2014, o Instituto Mamirauá iniciou um projeto de pesquisa com o objetivo de caracterizar o trabalho e o perfil destas mulheres que participam das etapas de manejo do pirarucu nas reservas Mamirauá e Amanã.

A antropóloga Edna Alencar, pesquisadora do instituto desde 1993, é a coordenadora da pesquisa e explica que a pesca deste peixe sempre teve o predomínio dos homens, mas que agora muita mulheres têm participado de diferentes etapas do processo até a venda.

“Tradicionalmente a pesca do pirarucu não é uma pesca feminina, está muito associado a uma questão da afirmação de uma identidade do homem como pescador, então a gente resolveu saber quem são estas mulheres, como é que elas estão participando”, afirmou ela.

De acordo com dados do Instituto, atualmente 420 mulheres e 712 homens fazem parte dos projetos de manejo de pesca desenvolvidos na área da Reserva Mamirauá, e 120 mulheres e 324 homens na Reserva Amanã. O percentual de participação feminina na atividade já é de 34,26%.

Mas a pesquisadora destaca que, em geral, as pescadoras na região amazônica ainda encontram algumas dificuldades no reconhecimento da profissão. Uma barreira que as mulheres do Médio Solimões estão conseguindo ultrapassar.
“Elas têm uma grande dificuldade de serem reconhecidas como pescadoras. As próprias entidades não querem reconhecê-las como pescadoras…. de dar a carteira, de aceitá-las como sócias..então estas informações a gente quer obter nessa região aí que o Mamirauá tá atuando pra saber que levou essa maior aceitação da presença das mulheres nessa atividade que é essencialmente masculina que é a pesca do pirarucu”, explicou.

A vice-presidente da Associação de Produtores do Setor Jarauá, Maria Luziliane Lima de Castro, explica que na comunidade do Jarauá as mulheres sempre participaram do processo, e ganhavam menos que os homens. Mas, segundo ela, depois de muita luta, foi possível um tratamento mais igualitário.
“Quem era só associado, os homens ganhavam mais e as mulheres menos. E aí nós lutamos por isso né, de dizer porque que os homens ganhavam mais que as mulheres. Aí nós reunimos né, e aí criamos este grupo e dissemos: ‘não, as mulheres vão ter que se envolver!’. Fomos conquistando espaço… e hoje quando é pra escolher alguém pra diretoria, sempre estão apontando as mulheres. É assim que a gente sabe que a gente tem o nosso lugar na sociedade”, conta.

A pesquisa sobre o perfil dessas mulheres ainda está no início e tem o apoio do CNPq, O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. A previsão de finalização é 2016, quando será possível conhecer um pouco mais da vida das pescadoras do Amazonas.

* Matéria assinada por Maíra Heinen e publicada no site da EBC em 11/01/2015