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Entrevista: Franklin Quishpe Oña

Franklin Oña no centro da mesa de representantes dos países membros da OTCA. Foto: Fábia Galvão

Representante do Ministério do Ambiente do Equador, ele foi a voz do seu país na oficina Sistemas Nacionais de Áreas Protegidas nos países membros da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA). Franklin Onã conheceu a experiência do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa) durante o encontro que aconteceu em Brasília (DF) nos dias 2 e 3 de outubro de 2013 e também contou com a participação de interlocutores do Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru e Suriname. Confira as impressões do equatoriano sobre a iniciativa brasileira, as possibilidades de financiamento de áreas protegidas e o intercâmbio de experiências entre o Brasil e o Equador.

Portal Arpa: Como você acredita que a OTCA vai contribuir com o desenvolvimento das áreas protegidas da Amazônia, em especial no Equador?

Franklin Oña – A oficina em que estamos traz uma contribuição transcendental para o que busca a OTCA. Primeiro para que os estados em que estão as áreas protegidas se compreendam e mostrem como esses territórios funcionam. Conhecer os marcos normativos internos de cada um dos países também é fundamental.  Estando tendo a oportunidade de saber quais são os problemas comuns a todas áreas da Amazônia e isso possibilita a geração de acordos comuns. Vamos poder estabelecer metas e definir processos de monitoramento para os objetivos definidos aqui em âmbito regional.

PA: De maneira mais concreta, qual é a sua expectativa em relação a esses acordos que podem ser feitos?

FO – Estabelecer programas de monitoramento e temas de conservação em nossas áreas protegidas e que possibilitem o ajuste de algumas deficiências que temos em cada uma de nossas áreas. A ideia é fazer com que os estados invistam mais nas áreas protegidas, com recursos provenientes dos seus próprios fundos. Precisamos nos preparar para sermos cada vez menos dependentes das corporações internacionais. Nesse sentido, estamos nos ‘auto-obrigando’ a valorizar o que temos e a contribuir economicamente com a conservação da natureza nas nossas áreas protegidas. Elas guardam o patrimônio natural de cada país representado aqui hoje.

PA: Quais experiências do Arpa apresentadas nesta oficina podem ser levadas ao Equador?

FO – A organização do Programa, que é muito bem estruturada. E a maneira como estão trabalhando o tema da conservação entre as comunidades que habitam suas áreas protegidas. Como alguns dos territórios de vocês são realmente intocáveis, isso é muito importante. Estão fazendo um ótimo trabalho na área de planejamento e no campo social.

No caminho inverso, que experiências do Equador podem ser aplicadas às áreas protegidas do Brasil?

FO – Alguns mecanismos de sustentabilidade financeira. Nossas áreas protegidas são algumas das que têm o maior volume de recursos naturais e desenvolvemos uma série de projetos de interesse nacional nesses ambientes. Em outras palavras, nas áreas protegidas encontram-se uma série de bens e serviços que interessam muito à sociedade.

O estado estabelece e implementa esse tipo de projeto em função do bem que cada área oferece. Por exemplo, na construção de uma hidroelétrica: para onde vão seus recursos quando as águas nascem numa área protegida? No caso dos sistemas de carbono, existem os estoques nos bosques úmidos tropicais de todos os países amazônicos.

Precisamos saber quanto desses recursos existem e podem ser explorados sustentavelmente e, a partir desses levantamentos, realizar negociações com empresas públicas, privadas ou internacionais. No estabelecimento de mecanismos de compensação, o Equador está muito avançado – e tudo isso colabora financeiramente para a consolidação das áreas protegidas.