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ICMBio participa do Congresso Mundial de Parques na Austrália

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) participou do Congresso Mundial de Parques, realizado em Sydney, Austrália, entre 12 e 19 de novembro. O evento ocorre a cada dez anos e reúne especialistas de todo o mundo para discutir a situação das áreas protegidas ao redor do planeta, além de definir uma agenda voltada para a conservação dessas regiões na próxima década.

Promovido desde 1962 pela União Internacional pela Conservação da Natureza (UICN), o Congresso Mundial de Parques é o único fórum global dedicado às áreas protegidas, como parques nacionais, reservas extrativistas e terras indígenas. Este ano, cerca de 170 países enviaram representantes ao evento, que reuniu mais de 6 mil participantes.

Tendo em vista que, em um mundo com população de 7 bilhões de pessoas, é cada vez mais necessária a inserção do Acervo Congresso Mundial de Parques ser humano na gestão e no dia a dia das áreas protegidas, o Congresso optou pelo tema “Parques, pessoas e planeta, inspirando soluções” como fio condutor do debate em 2014. Durante o evento, muitas apresentações destacaram a importância da conservação da natureza enquanto estratégia de valorização e desenvolvimento local, promovendo o envolvimento da sociedade e o sentido de pertencimento.

“Ficou evidente que casos bem sucedidos de conservação são aqueles que envolvem parcerias dos mais diversos tipos, sejam elas de gestão territorial integrada, gestão compartilhada, cogestão com comunidades locais, programas de voluntariado, articulações com o setor privado, universidades, ONGs, dentre outros”, avaliou a assessora da Diretoria de Ações Socioambientais e Consolidação Territorial em Unidades de Conservação (Disat), Tatiana Rehder, que integrou o grupo do ICMBio presente no Congresso.

EXPERIÊNCIA BRASILEIRA
De acordo com os servidores do Instituto Chico Mendes que compareceram ao evento, a dimensão do sistema brasileiro de áreas protegidas e a imensa diversidade de nossos ecossistemas geram uma expectativa mundial em relação à participação do Brasil no fórum.

Segundo eles, a experiência brasileira encontra-se avançada em vários aspectos que mereceram ser compartilhados: a extensão do sistema de áreas protegidas, a diversidade de categorias que potencializa uma gestão territorial mais complexa, o arcabouço legal, algumas experiências de financiamento e de gestão (como o Programa Áreas Protegidas da Amazônia – Arpa) e o investimento continuado em capacitação a partir da consolidação da Academia Nacional da Biodiversidade (Acadebio).

“Por outro lado, ainda precisamos avançar nas estratégias de comunicação e divulgação das áreas protegidas, na utilização de novas tecnologias para auxiliar a gestão, a fiscalização e o monitoramento, bem como na efetivação da participação social no processo de gestão”, pontuou Tatiana Rehder.

A PROMESSA DE SYDNEY
As discussões e grupos de trabalho do Congresso Mundial de Parques resultaram em um documento final, denominado “A Promessa de Sydney”, que define uma agenda com recomendações de diversos atores (ONGs, lideranças comunitárias e indígenas, setor privado, academia e governos). A ideia central do documento é que o desenvolvimento humano possa acontecer cada vez mais em harmonia com a conservação da natureza e dos modos de vida tradicionais.

Entre outros compromissos, os países signatários prometem intensificar a proteção de paisagens, zonas úmidas e
marinhas; apoiar áreas conservadas por povos indígenas, comunidades locais e entidades privadas; investir em soluções que ajudem a impedir a perda da biodiversidade; reduzir o risco e impacto dos desastres; melhorar a segurança alimentar e hídrica; responder à mudança climática e inspirar as pessoas para que experimentem a maravilha da natureza através de áreas protegidas.

Além disso, os países também assumiram compromissos específicos para conservar seus ecossistemas. A anfitriã Austrália, por exemplo, se comprometeu a investir AU$ 14 milhões na defesa de espécies ameaças em parques nacionais e na área marinha, enquanto o Brasil prometeu proteger 5% de sua área costeiro-marinha e consolidar a proteção de 60 milhões de hectares da Amazônia até 2020.

Os resultados do Congresso foram apresentados em uma carta redigida pelos servidores do ICMBio, que pode ser acessada em http://migre.me/np2hO.