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ICMBio se reúne com moradores da RESEX Chico Mendes (AC)

Entre os temas tratados estava a criação de gado dentro da UC

 © Todos os direitos reservados. Fotos: Acervo ICMBio

Gestores da Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes, unidade de conservação administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) localizada no Acre, promoveram uma série de reuniões com os moradores da reserva para tratar da criação de gado no interior da unidade.

A discussão trouxe como ponto de partida as regras estabelecidas pelo Plano de Utilização da unidade que autoriza a criação destes animais como atividade complementar, estabelecendo inclusive o tamanho das áreas que devem ser destinadas à atividade.

A chefe da Resex Silvana Lessa afirma que a meta será promover mais reuniões e garantir a maior participação possível dos moradores da Reserva Extrativista Chico Mendes. “Queremos um debate transparente e com maior envolvimento possível das comunidades, com objetivo de garantir a participação efetiva dos moradores na construção e implementação das ações que diminuam os impactos das atividades na floresta”, destaca Lessa.

Segundo o analista ambiental Fluvio Mascarenhas, o principal objetivo da reunião foi estabelecer um dialogo e ouvir dos moradores propostas para que possam ser estabelecidas estratégias que visem diminuir o crescimento da pecuária no interior da unidade.

A pecuária se contrapõe aos objetivos da unidade que tem como princípio a manutenção da floresta e das atividades extrativistas. No entanto, nos últimos anos a atividade tem se intensificado promovendo o aumento do desmatamento. “Durante as reuniões os moradores tem justificado o aumento da atividade bovina, em detrimento da ausência de políticas públicas para os produtos extrativistas”, frisou Mascarenhas.

Segundo o morador do Seringal Santa Ana, o Sr. Raimundinho Lima, não há preço justo para borracha. “Levo dois dias de viagem de barco pelo rio Laco para transportar o nosso produto até o município de Sena Madureira, e quando chegamos na cidade, o preço ofertado pelos nossos produtos não pagam nem as despesas do transporte”,

Segundo ele, se os extrativistas plantam feijão ou arroz, quando vamos vender não se pagam o preço justo. “Já o gado, no caso, o comprador vai na porta de casa buscar”, frisa Sr. Raimundo Lima. Mesmo em meio aos desabafos ocorridos na reunião, a grande maioria se propôs a buscar soluções visando diminuir o aumento da criação bovina.

O vice presidente da Associação de Moradores de Brasiléia e Epitaciolândia e morador do Seringal Amapá, no município de Brasiléia, Sr. Anacleto, declara o reconhecimento dos grandes avanços obtidos ao longo dos anos na unidade, tais como melhorias na educação, saúde, infra-estrutura e preço justo para alguns produtos florestais, a exemplo da castanha.

As reuniões seguem ate o mês de junho, e devem finalizar no final com uma grande assembleia geral, para pactuar acordos estabelecidos a partir de uma discussão participativa. Outros temas, como venda de terras e caça com cachorro no interior da unidade, são pautas de discussão pelas comunidades.

Saiba mais sobre o uso sustentável na Reserva Extrativista Chico Mendes.

Comunicação ICMBio
(61) 2028-9280
* Matéria publicada em 05/06/2015 pelo ICMBio