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Moradores constroem espigão na Resex Cururupu (MA) para conter erosão

Na reserva extrativista maranhense canal-de-maré está erodindo

© Todos os direitos reservados. Foto: Acervo ICMBio

Selo-Arpa1No final de junho foi concluída a primeira etapa do Projeto Restinga de Guajerutiua, que visa reverter o processo de erosão costeira na Reserva Extrativista de Cururupu, unidade de conservação administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) localizada no Maranhão.

Com o objetivo de se alargar a estreita faixa de areia entre o baixio, como é conhecido o canal-de-maré que está erodindo a linha de costa da ilha de Guajerutiua, e a duna frontal da praia foi construído um pequeno espigão com estruturas não-rígidas medindo 30 metros de comprimento por 5 metros de largura, estabilizando a restinga nessa localidade.

A erosão tem tirado a tranquilidade da comunidade de pescadores da reserva pelo fato dos extrativistas viverem em ilhas na costa do Maranhão distantes dos centros urbanos. E como não se pode usar máquinas nesses ambientes sensíveis da reserva, foi preciso um grande mutirão dos comunitários para construírem o espigão.

Grande parte do trabalho foi feito sobre o banco de areia formado pela ação do baixio, que impede que os sedimentos alcancem a praia. Ali os sacos foram preenchidos e costurados para depois ser feito o transporte.

As Reentrâncias Maranhenses, onde está localizada a Resex Cururupu, possuem um regime de macro-marés, com amplitude variando entre 4 a 8 metros a cada seis horas. Assim, em um turno do dia havia a possibilidade de se usar as carroças da comunidade, nos caminhos deixados durante a vazante da maré, para o transporte dos sacos. Já no outro turno, na preamar, eram os barcos que ajudavam no transporte da sacaria.

Após uma semana de trabalho, o desafio de transportar cerca de 1200 sacos de um lado para outro do canal, pesando mais de 60 kg cada, foi concluído. A soma totalizou uma estrutura com peso de aproximadamente 70 toneladas.

© Todos os direitos reservados. Foto: Acervo ICMBio

Segundo o chefe da Resex de Cururupu, Eduardo de Borba, para se definir a forma e o local do espigão foram consideradas a direção preferencial e a intensidade das correntes, a profundidade e a extensão do canal. São esperadas modificações rápidas no curso d’água que forma o baixio, visto que o ambiente possui alta hidrodinâmica, o que irá requerer outras intervenções e formas de estabilização provocada pelas mudanças subsequentes”, frisou ele.

A Resex de Cururupu conta com apoio do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa) para o desenvolvimento de suas atividades, como as de mitigação de impactos em ambientes vulneráveis.

Além dos comunitários da Ilha de Guajerutiua, estudantes do curso de oceanografia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), a Associação dos Moradores da Reserva Extrativista de Cururupu e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Cururupu e toda a equipe da reserva se envolveu nesta atividade.

* Matéria publicada no site do ICMBio em 17/07/2015