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Oficina de Prestação de Contas treina moradores da Resex Ituxi (AM)

Com o objetivo de dar continuidade ao fortalecimento organizacional da Associação dos Produtores Agroextrativista da Assembleia de Deus do Rio Ituxi (APADRIT), o Instituto Floresta Tropical (IFT) realizou nos dias 13, 14 e 15 de abril, no campus da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), no município de Lábrea (AM), a “Oficina de prestação de Contas para Associações: teoria e prática”.

Sob a liderança da consultora Maria Antônia Nascimento, especialista em Gestão de Organizações do Terceiro Setor, a atividade apresentou à diretoria e associados os direitos e deveres da instituição junto aos órgãos de fiscalização tributária e a legislação que rege as atividades exercidas por associações, para que seja possível comercializar os produtos florestais. A APADRIT possui a Autorização de Exploração (AUTEX) para retirar madeira da Resex Ituxi. As atividades exploratórias devem iniciar em junho.

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“A expectativa é que, após passarem por esse treinamento, as lideranças possam adquirir conhecimentos para fortalecer a associação e principalmente aprender a fazer a prestação de contas de forma correta, evitando que a entidade caia na inadimplência”, explica Maria.

Foram abordados temas como: relatório de comprovação de gastos; conciliação bancária, e relatório financeiro. Dividida em dois momentos, a oficina garantiu aprendizado prático e teórico. “Todos receberam uma cartilha contendo uma lista de providências a serem adotadas pela associação junto com um check list das obrigações da instituição. No segundo dia, foi efetuada a prestação de contas na prática, formação necessária para que eles se mantenham regularizados. É necessário que a APADRIT esteja com a documentação toda em ordem para continuar lutando para utilizar os recursos naturais da Resex”, explicou Maria.

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De acordo com o presidente da APADRIT, Silvério Ramos Maciel, há o interesse por parte dos comunitários em compreender todo o processo que envolve desde a gestão da associação até a comercialização da madeira. “Quando o Chicão [vice-tesoureiro da APADRIT] chegou com os rapazes, os jovens, eu fiquei muito feliz, vejo que há interesse, eu fico alegre com eles querendo ser treinados. Esse envolvimento aponta para o desejo de mudança e desenvolvimento que nosso povo tem. Sem esse interesse e as atividades dos apoiadores, nada daria certo”, comenta.

Silvério lembra que só o conhecimento pode mudar realidades e se diz grato em poder contar com os apoiadores para garantir o acesso à informação. “É importante aprendermos sobre tudo que precisamos fazer para manter a associação quite. Tudo está mudado e é preciso saber esse novo formato. Nós estamos tendo apoio dos parceiros, como IFT, para ter acesso às essas informações, imagina quem não tem essa oportunidade? Muita associação vai fechar porque não saberão como prestar contas”, diz.

DSC_4096Arranjo Comercial

O IFT está debatendo junto aos comunitários o arranjo comercial que será adotado pela associação para comercializar a madeira oriunda da primeira Unidade de Produção Anual – subdivisão da área de manejo florestal, destinada a ser explorada em um ano. “Durante a oficina ficou claro que não existe saída para as comunidades que desejam explorar madeira de forma comunitária, eles precisam criar uma Cooperativa, mas falta saber como ficará a situação do Plano de Manejo que está em nome da Associação e não há como mudar isso, mesmo criando a Cooperativa ainda teríamos que resolver essa questão e outras questões’, argumenta Maria Antônia.

Aos participantes da oficina ficou o compromisso de organizar toda a documentação necessária para que a APADRIT esteja adimplente junto aos órgãos competentes e possa comercializar a madeira oriunda do Plano de Manejo Florestal Sustentável.

* Matéria publicada no site Observatório Florestal em 23/04/2015