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Operação de fiscalização combate invasão no Médio Juruá (AM)

210 quilos de pescado foram doados e 36 quelônios soltos na natureza

© Todos os direitos reservados. Foto: Acervo ICMBio

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) realizou, em parceria com o Batalhão de Polícia Ambiental do AM e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), operação de fiscalização na Reserva Extrativista do Médio Juruá e entorno – município de Carauari ( AM) – no período de 12 a18 de junho.

O objetivo foi mitigar os ilícitos ambientais cometidos dentro da Resex do Médio Juruá e da Reserva de Desenvolvimento Sustentável estadual – RDS Uacari,localizada no entorno da Resex. A operação foi coordenada pelos agentes de fiscalização do ICMBio, Helder Oliveira e do Ibama, Porfírio Gondim.

Durante a operação foram encontrados pescadores e caçadores com carnes de caça (paca, macaco guariba, nambu e jacaré), além de quelônios (tartaruga, iaçá, tracajá e jabuti) e pescados (pirarucu e tambaqui) todos extraídos ilegalmente da área das reservas.

Ao final 210 quilos de pescado foram doados e 36 quelônios foram soltos na natureza. A carne de caça foi destruída, como forma de não incentivar o consumo de tais espécies capturadas ilegalmente. Seis curiós, encontrados em cativeiro em uma comunidade, foram soltos.

Dada a riqueza e abundância de recursos naturais na região, a Resex e RDS são áreas muito procuradas pelos moradores de Carauari, que invadem as unidades de conservação nesta época de vazante do rio para capturar e comercializar pescados e quelônios. Em muitos casos eles se utilizame de práticas predatórias, como fechar bocas de lagos e igarapés, que facilitam a captura dos animais nas malhadeiras.

Plano de Proteção

No momento está em elaboração o Plano de Proteção da Resex do Médio Juruá e da RDS Uacari, que irá subsidiar as ações de proteção na região. Além da fiscalização nas UCs, o plano aponta para a necessidade de se controlar o comércio ilegal em Carauari, visto que grande parte dos recursos naturais extraídos ilegalmente nas reservas é levada para venda na cidade.

Ibama e Polícia Ambiental, com apoio do ICMBio, tem atendido às denúncias de crimes ambientais na cidade de Carauari. Um exemplo foi denúncia feita recentemente e que resultou em ações fiscalizatórias entre os dias 19 a 25 de junho. Entre os autuados estão proprietários de uma movelaria, uma serraria e três pessoas com animais em cativeiro, sendo um curió, dois quelônios, dois macacos e cinco antas. Outras três pessoas foram pegas em flagrante com duas mantas de pirarucu (24kg), 20 quelônios e 80kg de carne de caça, entre paca, veado e caititu.

Riquezas

Apesar dos problemas ambientais, as UCs do médio Juruá apresentam grande diversidade de espécies e cobrem extensa área de florestas preservadas, consideradas de extrema importância para a conservação. Possuem inúmeros lagos e grande produtividade pesqueira, que abastece o mercado local e regional. São áreas estratégicas para a conservação na bacia do rio Juruá, ambas apoiadas pelo Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa).

Além da fiscalização, o ICMBio há muitos anos apóia ações de vigilância comunitária de lagos e tabuleiros de desova de quelônios e, junto com parceiros, fomenta iniciativas de geração de renda baseadas no extrativismo, no intuito de inibir a pressão sobre os recursos naturais da região. Entre os projetos de geração de renda, estão o manejo de pirarucu, manejo de sementes oleaginosas e produção de óleos vegetais, produção de borracha e açaí.

Necessária maior fiscalização estadual

Além da fiscalização pelos órgãos federais, é fundamental que a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) atue conjuntamente na proteção da RDS Uacari, cuja gestão estadual. A RDS é constantemente invadida por moradores da cidade e barcos de outras regiões, que vêem na ausência dos órgãos fiscalizadores uma oportunidade para extração ilegal de madeira, caça, peixes e quelônios. Apesar das frequentes denúncias e pedidos de apoio das comunidades da RDS, há sete anos o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM) não realiza fiscalização na região.

* Matéria publicada no site do ICMBio em 16/07/2015