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PARNA dos Campos Amazônicos (AM) avança nas ações preventivas aos incêndios florestais em 2013

Foi encerrado na última semana de novembro de 2013 o contrato temporário dos brigadistas da UC, na oportunidade os gestores do parque apresentaram aos brigadistas os principais resultados alcançados no ano e realizaram a entrega dos certificados referente ao curso de formação ocorrido em abril. Na ocasião, foi aplicada também uma avaliação com os brigadistas para que os mesmos pudessem apontar os pontos positivos e negativos inerentes a atuação dos brigadistas e ao apoio prestado pela UC.

Brigadistas e alguns gestores da UC. Foto: Acervo da Unidade

Os brigadistas apontaram como aspectos positivos o trabalho em equipe, a rapidez e a determinação do grupo, enquanto que situações como brincadeiras em excesso, pouco preparo físico e falta de vontade em ir a campo por parte de alguns brigadistas foram apontados como fatores negativos.

Com relação ao apoio da UC, identificaram como aspectos positivos a permanência de 02 veículos durante todo o período do contrato, incluindo um Marruá que possibilitou a ida a campo de um maior número de brigadistas e equipamentos de maior porte. Também citaram a estruturação de uma base provisória no interior da UC com infraestrutura mínima para apoio, incluindo gerador, freezer e caixa d’água.

O uso de uma base no interior da UC contribuiu para uma maior permanência da brigada em campo evitando os vários deslocamentos do município sede para a UC (cerca de 200 km), o que contribuiu também para a preservação dos veículos. Por outro lado, alguns brigadistas observaram que os gestores da UC precisam participar mais das ações realizadas em campo pela Brigada.

É importante salientar que o aporte de recursos financeiros através do Programa ARPA foi essencial para que os resultados fossem alcançados. A manutenção da base provisória, a maior parte do combustível utilizado, além da aquisição de toda a alimentação e materiais de higiene/limpeza somente foram possíveis devido ao ARPA.

Para orientar as ações em 2013, o enclave de cerrado da UC foi setorizado em sub-regiões considerando a presença de corpos hídricos e estradas e contribuiu para a priorização dos locais de confecção de aceiros. Consideraram-se também a presença de comunidades, características da vegetação e histórico de queima. Como resultado realizou-se cerca de 10 km de aceiros em cinco locais estratégicos.

Também houve uma interação com a Terra Indígena Tenharin do Igarapé Preto (território vizinho ao parque), onde os brigadistas da UC participaram de atividade de queima de roças em conjunto com a brigada indígena do PREVFOGO da região.

No ano, foram apenas duas ocorrências de incêndio florestal registradas, totalizando 1.052 hectares atingidos, uma área 90% menor que a registrada em 2012. Com relação aos focos de calor, detectou-se 88 focos de calor¹, tendo uma redução de 75% no comparativo com o ano anterior. É importante salientar que este resultado não se deve exclusivamente as ações preventivas, mas também aos fatores climatológicos ocorridos em 2013 onde as chuvas na região se prolongaram além da média histórica, ocorrendo inclusive precipitações isoladas durante os meses de agosto e setembro, fato que não é comum na região. Esta situação colaborou para que a vegetação mantivesse certo grau de umidade ao longo do período mais seco acarretando numa maior inibição da ação do fogo.

Bruno Cambraia, Analista Ambiental e Gerente do Fogo da UC, lembra que é importante registrar que devido ao ano de 2013 ter sido relativamente tranqüilo no que diz respeito aos incêndios florestais na região, podemos esperar um 2014 bem complicado, com grandes possibilidades de ocorrência de incêndios com grades proporções devido ao acúmulo de combustíveis ocorrido neste ano, pois praticamente não houve queima dos ambientes abrangidos pela UC.

¹ O satélite de referência para quantitativo foi o AQUA UMD – Tarde conforme padrão estabelecido pelo CPTEC/INPE.

* Texto e foto do aceiro: Bruno Contursi Cambraia