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Parque Nacional dos Campos Amazônicos promove integração com comunidade do entorno

O Parque Nacional (Parna) dos Campos Amazônicos (AM/RO/MT) desenvolve desde 2013 um projeto contínuo de educação ambiental e aproximação na comunidade de Santo Antônio do Matupi, distrito do município de Manicoré (AM), mais conhecida como km 180. Entre os dias 29 de outubro e 1º de novembro mais uma série de oficinas foi realizada.

A comunidade está localizada ao sul do estado do Amazonas, às margens da Rodovia Transamazônica, em pleno arco do desmatamento. No local, foi iniciado um trabalho que busca desenvolver a consciência ambiental crítica junto aos moradores, despertando o sentimento de pertencimento e afetividade pela Unidade de Conservação (UC). “Este é um grande desafio. O Parque é visto pela maior parte da comunidade como um transtorno ao modo de vida local, que é baseado na exploração madeireira e na implantação de pastagens para a pecuária”, explicou Aline Polli, analista ambiental do Parna.

Para se aproximar da comunidade, a equipe da UC passou a desenvolver atividades com os educadores locais de forma coletiva e participativa. Todo início de ano uma reunião de planejamento participativo é realizada, momento em que se elabora conjuntamente um plano de ação. Segundo Bruno Contursi Cambraia, chefe do Parque, este ano foi ainda mais complicado, pois além
da logística difícil – a sede administrativa do parque fica a 500 km da comunidade – aconteceram conflitos entre indígenas, enchentes e incêndios florestais na região.

Na semana passada, a comunidade de Santo Antônio do Matupi participou de oficinas de produção de sabão ecológico com essência de plantas locais, confecção de embalagens de presente e enfeites natalinos com materiais reutilizáveis e artesanato com pó de serra e resíduos florestais. Para aprenderem a produzir sabão ecológico, foi realizada uma campanha de arrecadação de óleo utilizado nas casas, hotéis e restaurantes do distrito. A partir dessa ação, foram divulgados temas como uso adequado a água e descarte correto e reaproveitamento de óleo de cozinha. A oficina proporcionou a produção de cerca de 300 litros de sabão líquido, que foram distribuídos na vila. A programação também contou com oficinas de sensibilização ambiental quanto à importância da manutenção do Parque e sua relevância na regulação hídrica na região.

A realização das oficinas contou com o apoio da Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento e do Museu do Babaçu de Porto Velho (RO). “Nossa rede de apoio ao projeto vem crescendo. Os parceiros participam
e se encantam com a possibilidade de realmente conseguirmos interferir positivamente em uma região bastante conflituosa, sobretudo na esfera ambiental. Este projeto tem sido um grande avanço na gestão da UC no que se
refere à aproximação com a comunidade, o que era bastante difícil anteriormente”, afirmou Aline.