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Reocupação de ariranhas na Reserva Amanã (AM) é monitorada pelo Instituto Mamirauá

Selo-Arpa1Quase extintas na década de 1970, as ariranhas (Pteronura brasiliensis) são animais que historicamente já ocuparam quase todos os biomas brasileiros. Atualmente, as populações estáveis da espécie estão limitadas à Bacia Amazônica e ao Pantanal. A fim de conhecer a dinâmica populacional e espacial desses animais, o Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), realiza pesquisa com com a espécie há mais de dez anos na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, no Amazonas.

Como parte da iniciativa está o estudo da dinâmica espacial, que investiga a distribuição dos animais, as áreas de vida, os locais utilizados por eles, a fidelidade e temporalidade de uso desses sítios e a movimentação dos animais nas diferentes épocas do ano, na cheia e na seca, por exemplo. Outro foco é o estudo populacional, que prevê a identificação dos animais que ocorrem na região, registrando dados como número de indivíduos e grupos, casais dominantes, número de fêmeas e machos e faixa etária (número de adultos, jovens e filhotes).

André Giovanni Coelho, pesquisador do Instituto Mamirauá, destaca a importância de se conhecer a biologia dos animais, sua distribuição geográfica e dados populacionais para o desenvolvimento de estratégias de conservação. “Essas são questões apontadas como metas no Plano Nacional de Conservação da Ariranha, elaborado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), com 42 metas que abrangem desde a parte de genética e ecologia até zoonoses e outros pontos”, afirma.

O esforço do Instituto para acompanhar a reocupação da espécie na região iniciou em 2003. O monitoramento populacional na Reserva Amanã realizado entre 2004 e 2008 registrou 711 indícios da presença de ariranhas, entre animais observados e vestígios, como marcas no substrato, ou seja, camada de terra sob o solo superficial, e vocalizações. Foram identificados 167 indivíduos da espécie. Entre esses, 75 faziam parte de 12 comunidades sociais, e os demais foram avistados individualmente.

“Essa pesquisa é importante porque é um levantamento dez anos depois do primeiro registro de reocupação dos animais nessa região, pretendemos continuar acompanhando o possível crescimento populacional da espécie. Conforme a população aumenta, o conflito com as pessoas também pode aumentar, principalmente pela disputa do recurso pesqueiro”, afirmou o pesquisador.

Para monitorar a ocorrência da espécie, desde o início do projeto nos anos 2000, a equipe percorre os principais cursos d’água ao longo do Lago Amanã de lancha ou canoa em busca de indícios da presença de ariranhas, como rastros ou latrinas e locas, que são abrigos utilizados pelos animais. As localizações dos sítios encontrados são marcadas pelo GPS e os locais avaliados se estão ativos ou inativos, e é observada a continuidade de utilização pelos animais. Uma novidade do projeto realizado atualmente é a instalação de armadilhas fotográficas na área, visando o registro remoto de atividades. As câmeras são ferramentas que auxiliam na identificação dos animais, do tamanho do grupo, da frequência de utilização das áreas e outras informações.

De acordo com o pesquisador, a utilização dos sítios de ocupação por esses animais é muito dinâmica, assim como a movimentação deles dentro das áreas de vida. “Essa variação acontece principalmente em função da disponibilidade do recurso, ou para marcar território”, ressaltou. As fotografias também são feitas nos momentos de encontro da equipe de pesquisadores, técnicos e assistentes de campo e os grupos de animais. As fotografias ajudam na identificação individual de cada animal avistado, pelas marcas que possuem no pescoço.

A espécie sofreu grande redução populacional em meados da década de 1970, principalmente em função da caça para venda de peles, além de outros conflitos com humanos. Atualmente, é considerada ameaçada pela International Union for Conservation of Nature (IUCN) e vulnerável pela lista nacional de espécies ameaçadas do ICMBio e Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A espécie também faz parte da lista Cites CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção) desde 1973.

O estudo já registrou a ocupação de novas áreas da Reserva Amanã por ariranhas. Grupos de animais foram avistados nos igarapés do Ubim, Açu e Samaúma. As áreas já haviam sido monitoradas anteriormente e, embora na época houvesse algum vestígio da presença dos animais, esses grupos nunca foram avistados durante os quatro anos de monitoramento de sua presença nessa área.

“Esses são indícios de que a população continua crescendo. A região tem ambientes adequados para a espécie ocorrer, mas os grupos ainda não tinham chegado até lá”, ressaltou André. O registro de nova ocupação foi uma contribuição dos comunitários, que informaram aos pesquisadores da recente presença dos animais na localização, confirmada posteriormente com o registro por meio de armadilhas fotográficas.

Os dados levantados nos anos anteriores servem como referência de comparação para o estudo atual. As imagens registradas na época contribuem para a identificação dos animais, possibilitando que os pesquisadores verifiquem se os mesmos grupos continuam ocupando essas áreas, com as mesmas características, o mesmo casal dominante ou mesmo número de indivíduos, por exemplo.

O projeto prevê capturas na próxima estação de seca. Com a captura e marcação de alguns indivíduos será possível monitorar, por meio de telemetria, os padrões de movimentação dos animais pela região.

* Texto assinado por Amanda Lelis e publicado em 16/06/2015

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As lições da Reserva de Mamirauá (AM) para a proteção da Amazônia

Pesquisas científicas e sabedoria popular são a base para os projetos de manejo de recursos naturais

Moradores locais, e seus conhecimentos, são fundamentais nas pesquisas sobre como proteger a região de Mamirauá (Foto: Sônia Vill)

Selo-Arpa1Contrariando a proposta das Reservas de Proteção Integral, as Reservas de Uso Sustentável são criadas para atender demandas locais de caráter social e ambiental. Seu objetivo é conciliar a conservação da natureza com a presença humana, promover a gestão participativa e o manejo sustentável dos recursos naturais. Destaco a importante contribuição da população local nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Mamirauá Amanã, criadas em 1990 e 1998, respectivamente, na região do médio Solimões e baixo Japurá, no Amazonas.

Mamirauá foi decretada Estação Ecológica, unidade de proteção integral. Desde o início de sua criação, cujo projeto foi liderado pelo biólogo José Márcio Ayres e pela antropóloga Deborah Lima, a população de residentes e do entorno teve ampla participação nas pesquisas científicas e na gestão da unidade.

O contexto socioambiental da região do médio Solimões na década de 1980 era difundido através de um movimento social apoiado pela Igreja Católica. As comunidades ribeirinhas estavam se articulando para proteger os recursos naturais contra ações predatórias de peixeiros e madeireiros dos centros urbanos. Na área decretada como Reserva Mamirauá, havia pesca e caça predatórias e exploração ilegal de madeira. Muitas espécies estavam ameaçadas, como: o macaco uacari-branco (objeto de estudo do biólogo Márcio Ayres), peixes-boi, tartarugas, pirarucus e espécies madeireiras de valor comercial.

Pesquisas realizadas no começo da década de 1990 registraram até 9 mil árvores exploradas de forma ilegal em apenas uma safra. Espécies de peixes estavam ameaçadas. O pirarucu, por exemplo, que precisa atingir no mínimo 150 centímetros para reproduzir, estava sendo capturado com 80 centímetros. As consequências dessas ações seriam irreparáveis se a Reserva Mamirauá não tivesse sido decretada.

O modelo RDS surgiu como uma solução legal para legitimar a permanência da população na área. Certa vez, a professora Deborah Lima me escreveu em uma carta: “…[a Estação Ecológica Mamirauá] não foi uma invenção a partir de um gabinete ministerial de Brasília ou de uma sala de universidade ou de um escritório de uma ONG… foi contingente, aconteceu num momento de abertura política e de ideias, que resultou na aproximação de ambientalistas a movimentos sociais”. Surgiu, então, da situação no médio Solimões expressada pelo movimento social dos ribeirinhos, somada à demanda de pesquisadores ambientalistas, também preocupados com as demandas sociais, e em um momento de abertura política tanto a nível nacional quanto internacional.

A RDS foi aprovada pela Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas em 1996, quando a então Estação Ecológica Mamirauá foi transformada em Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e, em 2000 foi aprovada pelo Congresso Nacional e incluída no Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). Ainda em 1993, Mamirauá foi reconhecida como um Sítio da Convenção de Ramsar, por estar localizada em uma várzea e ser importante para a conservação desse ecossistema. E em 2003, Mamirauá e Amanã foram reconhecidas pela UNESCO como Sítios do Patrimônio Natural da Humanidade.

Ressalto a parceria entre as comunidades e a equipe multidisciplinar formada por técnicos e pesquisadores do Instituto Mamirauá que vêm contribuindo com seus estudos, ao longo de quase três décadas. Os resultados das pesquisas científicas somados à sabedoria da população local têm sido a base para a implementação dos projetos de manejo de recursos naturais. Ao longo dos anos, as experiências com o manejo de recursos naturais vêm extrapolando os limites dessas unidades, disseminando-se para outras áreas da Amazônia e da Pan-Amazônia, beneficiando populações ribeirinhas e indígenas.

O modelo de manejo florestal comunitário da Reserva Mamirauá, e aprovado em 2000 pelo IBAMA/AM, é pioneiro no estado do Amazonas. A experiência da assessoria técnica e dos manejadores somada aos resultados de pesquisas realizadas em parceria com o Projeto Max Planck/INPA foram fundamentais para subsidiar a elaboração de uma Instrução Normativa específica para o manejo florestal em ecossistema de várzea, aprovada pelo governo do estado do Amazonas em 2010.

As pesquisas sobre a biologia e a ecologia dos pirarucus aliadas ao conhecimento que os pescadores têm sobre a espécie, resultaram numa metodologia de baixo custo utilizada para realizar o censo populacional. Essa é a base dos projetos de manejo na Reserva Mamirauá, que abriram precedentes para o IBAMA/AM licenciar a captura e a comercialização do pirarucu, não apenas em unidades de conservação, mas também em outras áreas do estado.

Dentre os benefícios proporcionados pelos projetos de manejo de pirarucu, enfatizo a inclusão dos pescadores residentes dos municípios no entorno das reservas, vinculados às colônias e aos sindicatos de pesca. Durante os primeiros anos das unidades, eles ficaram fora do processo, mas aos poucos vêm participando mais. Até 2015 foram implementados cinco projetos de manejo participativo de pirarucus em sistemas de lagos situados dentro dos limites das reservas e no entorno, que incluem pescadores das cidades de Tefé, de Alvarães e de Maraã.

Quando a população se sente parte do processo e se apropria da proposta de conservação, a defesa do território é a consequência. Os projetos de manejo participativo de recursos naturais, principalmente recursos pesqueiros, têm se mostrado uma ferramenta importante para a proteção da área. À medida que os grupos de pescadores reconhecem a proposta de conservação e passam a se beneficiar dos recursos, o desejo de cuidar da área é também aflorado e eles se juntam às comunidades residentes nas reservas com a importante missão de proteção da área.

Essa missão, no entanto, é muito pesada e não deve ser deixada apenas para essa população. O governo estadual, que tem tido presença muito discreta ao longo desses anos, precisa assumir a sua parte e fazer a gestão das unidades, principalmente no que se refere às demandas de fiscalização.

*Isabel Soares de Sousa é antropóloga, pesquisadora do Instituto Mamirauá, organização social fomentada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

** Matéria assinada por Isabel Soares de Sousa e publicada no site da revista Época em 03/06/2015

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Renda com manejo de pirarucu ultrapassa 2,5 milhões de reais em 2014

A renda com a pesca manejada de pirarucu aumentou cerca 8% em 2014, comparando com o ano anterior, totalizando faturamento bruto para os pescadores de R$ 2.604.069,75. A informação foi reunida pelo Programa de Manejo de Pesca do Instituto Mamirauá, e consta no relatório do manejo de 2014 entregue ao  Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no dia 02 de março. Foram beneficiados 1.351 pescadores, de nove sistemas de manejo. Duas áreas não realizaram a pesca em função do elevado nível d’ água na região.

Pelo mesmo motivo, a cota autorizada pelo Ibama, de 11.910 peixes, não foi atingida. Foram capturados 8.307 pirarucus, ou seja, 69,7% da autorização recebida pelos grupos de manejo. “Apesar da cota geral não ter sido alcançada, em 2014, a equipe técnica avaliou que os grupos apresentaram desempenho satisfatório, na maioria das etapas do manejo. O que significa o cumprimento dos calendários de reunião e vigilância, o respeito ao zoneamento proposto para a área, a realização da contagem, o empenho na captura mesmo diante de condições ambientais adversas, o monitoramento da produção e a distribuição dos rendimentos, o que possibilita que as quotas de alguns grupos se elevem”, disse Ana Cláudia Torres, coordenadora do Programa de Manejo de Pesca do Instituto Mamirauá.

Em 2014, a safra resultou na pesca de 484.903 quilos de peixe. Desse total, foram negociados 484.203 quilos. Dessa produção, 63,6% foi comercializada na categoria inteiro eviscerado, 35,3%, inteiro e 1,1% em Manta Fresca.  A média de peso dos pirarucus capturados foi de 58,4 kg e a média do comprimento foi de 181,3 cm. A maior parte da produção (74,4%) foi comercializada no mercado local (Tefé e Maraã) e 25,6 % da produção no mercado regional (Manaus, Manacapuru, Iranduba e Parintins). O preço médio obtido foi de R$ 5,38/kg, gerando um faturamento bruto médio por pescador de R$ 1.927,51, variando entre R$ 53,17 e R$ 8.890,00. O novo pedido de quota para 2015 totaliza 12.675 peixes, que representa um acréscimo de 765 peixes, em relação ao ano de 2014.

Atualmente, o Programa de Manejo de Pesca assessora 11 grupos de pescadores, que atuam em sistemas de lagos, distribuídos nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã (AM), e em seu entorno, na região do médio Solimões. A assessoria técnica estende-se a 40 comunidades ribeirinhas, três colônias e um sindicato de pescadores dos municípios vizinhos (Tefé, Alvarães e Maraã), totalizando 1.537 pescadores. Edição: Eunice Venturi.

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Cresce número de mulheres pescadoras de pirarucu na Amazônia

O aumento de mulheres na pesca do pirarucu tem chamado a atenção de pesquisadores que acompanham a atividade na região do Médio Solimões, no Amazonas.

Em 2014, o Instituto Mamirauá iniciou um projeto de pesquisa com o objetivo de caracterizar o trabalho e o perfil destas mulheres que participam das etapas de manejo do pirarucu nas reservas Mamirauá e Amanã.

A antropóloga Edna Alencar, pesquisadora do instituto desde 1993, é a coordenadora da pesquisa e explica que a pesca deste peixe sempre teve o predomínio dos homens, mas que agora muita mulheres têm participado de diferentes etapas do processo até a venda.

“Tradicionalmente a pesca do pirarucu não é uma pesca feminina, está muito associado a uma questão da afirmação de uma identidade do homem como pescador, então a gente resolveu saber quem são estas mulheres, como é que elas estão participando”, afirmou ela.

De acordo com dados do Instituto, atualmente 420 mulheres e 712 homens fazem parte dos projetos de manejo de pesca desenvolvidos na área da Reserva Mamirauá, e 120 mulheres e 324 homens na Reserva Amanã. O percentual de participação feminina na atividade já é de 34,26%.

Mas a pesquisadora destaca que, em geral, as pescadoras na região amazônica ainda encontram algumas dificuldades no reconhecimento da profissão. Uma barreira que as mulheres do Médio Solimões estão conseguindo ultrapassar.
“Elas têm uma grande dificuldade de serem reconhecidas como pescadoras. As próprias entidades não querem reconhecê-las como pescadoras…. de dar a carteira, de aceitá-las como sócias..então estas informações a gente quer obter nessa região aí que o Mamirauá tá atuando pra saber que levou essa maior aceitação da presença das mulheres nessa atividade que é essencialmente masculina que é a pesca do pirarucu”, explicou.

A vice-presidente da Associação de Produtores do Setor Jarauá, Maria Luziliane Lima de Castro, explica que na comunidade do Jarauá as mulheres sempre participaram do processo, e ganhavam menos que os homens. Mas, segundo ela, depois de muita luta, foi possível um tratamento mais igualitário.
“Quem era só associado, os homens ganhavam mais e as mulheres menos. E aí nós lutamos por isso né, de dizer porque que os homens ganhavam mais que as mulheres. Aí nós reunimos né, e aí criamos este grupo e dissemos: ‘não, as mulheres vão ter que se envolver!’. Fomos conquistando espaço… e hoje quando é pra escolher alguém pra diretoria, sempre estão apontando as mulheres. É assim que a gente sabe que a gente tem o nosso lugar na sociedade”, conta.

A pesquisa sobre o perfil dessas mulheres ainda está no início e tem o apoio do CNPq, O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. A previsão de finalização é 2016, quando será possível conhecer um pouco mais da vida das pescadoras do Amazonas.

* Matéria assinada por Maíra Heinen e publicada no site da EBC em 11/01/2015

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Peixes-boi reabilitados no AM serão devolvidos à natureza

Seis animais chegaram à RDS Amanã com poucos meses de vida, após se perderem das mães, em decorrência de acidentes como emalhes em redes de pesca ou pela caça. Peixes-boi receberam atendimento e foram reabilitados

Seis peixes-boi amazônicos que estão em reabilitação serão devolvidos à natureza. Os animais estão sob os cuidados da equipe do Instituto Mamirauá e de moradores de comunidades ribeirinhas, no Centro de Reabilitação de Peixe-Boi Amazônico de Base Comunitária, o “Centrinho”, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, no município de Maraã (AM).

Todos os animais chegaram ao Centrinho com poucos meses de vida, após se perderem das mães, em decorrência de acidentes como emalhes em redes de pesca ou pela caça. Esse será o terceiro evento de soltura de peixes-boi amazônicos reabilitados, realizado pelo Instituto Mamirauá.

A soltura acontece no Lago Arati, em frente à comunidade Vila Nova do Amanã, setor Paranã do Amanã, no dia 11 de janeiro. Durante o dia estão programadas atividades nas comunidades Vila Nova do Amanã e Boa Esperança, com participação dos moradores dessas e outras comunidades da Reserva.

Os animais foram acompanhados por uma equipe formada por veterinários, oceanógrafos, educadores ambientais e técnicos, além dos comunitários que também participam e contribuem para os cuidados. Desde a chegada no Centrinho, é acompanhado o estado clínico dos animais e verificada a necessidade de cuidados especiais, no caso de ferimentos, desidratação ou doenças.

“Ao chegar no Centrinho, nossa primeira preocupação é hidratar o animal, verificar se ele está bem, avaliar o estado clínico, e oferecer a alimentação. Acompanhamos com a biometria periódica, monitorando o desenvolvimento do filhote”, afirmou Miriam Marmontel, pesquisadora do Instituto Mamirauá.

Os seis espécimes, dois machos e quatro fêmeas, serão soltos na natureza por terem apresentado desenvolvimento adequado ao longo do tempo em que permaneceram no Centrinho. Após a soltura, os animais continuam sendo monitorados pelos pesquisadores em ambiente natural. É adaptado à cauda um cinto equipado com transmissor de sinais de rádio.

“Cada cinto tem uma frequência única, então conseguimos acompanhar esses animais individualmente. É o momento de verificar se eles estão se adaptando bem ou não. Saber se estão fazendo a rota migratória, se estão em local rico em alimentação, se estão juntos ou não, se estão se deslocando ou se permaneceram parados em algum local”, reforça Miriam.

O último evento de soltura dos animais reabilitados pelo Instituto Mamirauá aconteceu em agosto de 2012. Na época, cinco peixes-boi foram devolvidos à natureza, sendo que quatro deles foram adaptados com cintos com radiotransmissores. Foram acompanhados durante cinco meses, até a perda de sinal do último peixe-boi monitorado.

Piti foi o primeiro peixe-boi a chegar no Centrinho e participou da primeira soltura. No entanto, não se adaptou ao ambiente natural e precisou ser recapturado, para impedir a contínua perda de peso observada na época pelos pesquisadores. Nessa nova soltura, espera-se que ele esteja mais adaptado ao ambiente e se desenvolva bem.

O Centro de Reabilitação de Peixe-Boi Amazônico de Base Comunitária foi criado pelo Instituto Mamirauá em 2008, e é um criatório conservacionista autorizado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Ibama). Há 15 anos, antes da criação do Centrinho, o Instituto Mamirauá realizou a primeira soltura de um peixe-boi reabilitado da Amazônia.

*Com informações da assessoria de imprensa

** Matéria publicada no Portal A Crítica em 08/01/2015

 

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Instituto Mamirauá inicia pesquisa afim de identificar zoonoses na região do Médio Solimões

Compreender o grupo de doenças existentes em uma região, que podem ser transmitidas entre animais e seres humanos, é importante para avaliar possíveis estratégias de prevenção. Com esse objetivo, o Instituto Mamirauá desenvolve pesquisas sobre esta temática, como o projeto “Diversidade de Tripanossomatídeos de Animais Selvagens e seus vetores, presentes nas Reservas Mamirauá e Amanã”.

“Queremos entender o ciclo epidemiológico das doenças, visando não só a qualidade de vida da população, mas buscando entender por exemplo qual o impacto da criação de animais como cães e gatos na comunidade, em relação aos animais silvestres que também circulam por essa região”, afirma a pesquisadora Marina Galvão.

Também está no planejamento para 2015 o início de uma pesquisa da qual serão estudados agentes infecciosos em roedores, morcegos e animais domésticos, e também em cães e gatos na cidade de Tefé (AM) e comunidades das Reservas Mamirauá e Amanã.

Durante a pesquisa, é feita coleta de material biológico dos animais para identificação em laboratório dos principais parasitas. Também será realizado questionário socioeconômico com os donos, no caso dos animais domésticos. “Vamos aplicar um questionário para conhecer o perfil do proprietário daqui, dando foco à importância da posse responsável”, reforçou Marina.

Coletas de material biológico de animais já foram obtidas na campanha de castração de animais, em Tefé (AM), para análise nos dois projetos. Foram coletados sangue, fezes, carrapatos e pulgas dos animais que participaram da campanha. Os animais também passaram por exame clínico.

Campanha de castração

A campanha de castração de cães e gatos domésticos aconteceu entre os dias 08 e 13 de dezembro em Tefé (AM). A campanha foi idealizada e realizada pela Associação de Proteção Animal de Tefé (APAT) em parceria com a Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais de São Paulo (ANCLIVEPA/SP), Fórum Nacional de Defesa e Proteção Animal (FNDPA), Secretaria Municipal de Saúde de Tefé (SEMSA) e Exército. Além disso, contou com o apoio do Instituto Mamirauá e outras instituições do município.

De acordo com Fernanda Viana e Camila Pires, ambas diretoras da APAT, foram castrados cerca de cem animais durante o período da campanha. “Tefé apresenta um grave problema de abandono de animais, associado a isto vem a questão dos maus tratos, animais doentes, reprodução em massa. A castração é o método mais eficiente de controle da reprodução destes animais e ajuda a solucionar um grande problema de saúde pública do município, contribuindo para a diminuição de animais abandonados nas ruas, consequentemente reduzindo acidentes de trânsito e a  proliferação de doenças (zoonoses)”, reforçou Fernanda.

Também como parte da campanha, durante toda a semana foram realizados cursos na área de Educação Ambiental Humanitária em Bem-estar Animal direcionados a professores das redes municipal e estadual, alunos e professores do Instituto Federal do Amazonas (IFAM), alunos do Centro Vocacional Tecnológico (CVT/IDSM) e agentes de saúde do Município. Os cursos foram ministrados por Elizabeth Mac Gregor, Diretora de Educação do Fórum Nacional de Proteção Animal e tiveram como finalidade a formação de multiplicadores na sensibilização e conscientização da população sobre bem estar animal, senciência animal e posse responsável de animais domésticos. No domingo (dia 14/12), a equipe visitou a comunidade Catuirí de Baixo, situada na região de Alvarães, AM para uma ação junto à população. Os moradores tiveram a oportunidade de assistir o curso e paralelamente a esta atividade a equipe de veterinários explicou a importância da vermifugação dos animais, distribuindo vermífugos e orientando a forma de administrar os medicamentos em cães e gatos que vivem na comunidade.

Texto: Amanda Lelis

* Publicado no site Mamirauá em 17/12/2014