Notícias, Notícias das Unidades de Conservação, Outras Notícias

Unidades de conservação ajudam a preservar recursos hídricos

Água da chuva chega mais rápido aos cursos d’água e ao mar
Criar e manter unidades de conservação (UCs) da natureza nas áreas urbanas pode ser uma resposta para a falta de água. A escassez está associada a vários fatores, como a carência de planejamento dos assentamentos urbanos, os equívocos no manejo do uso do mineral, a utilização de equipamentos urbanos de distribuição ineficientes e responsáveis por enormes desperdícios, e a pouca consciência do brasileiro em relação à escassez deste recurso.

A avaliação foi feita pelo biólogo e diretor do Departamento de Áreas Protegidas (DAP) do Ministério do Meio Ambiente, Sérgio Henrique Collaço de Carvalho. Segundo ele, a existência de unidades de conservação dentro e no entorno das cidades ajudaria na estabilização do regime de precipitação de chuvas e reteria água no subsolo e lençóis freáticos. O desmatamento e a impermeabilização do solo fazem com que a água da chuva chegue mais rápido aos cursos d’água e ao mar, além de modificar o regime de precipitação.

SEM CONSCIÊNCIA

”Esses fatores influenciam no clima, provocando períodos de estiagem, com escassez de água e crise de abastecimento, sendo que, imediatamente depois, vem o período de chuvas, acarretando alagamentos e a ideia de abundância do recurso”, explica Collaço. Quem vive no Nordeste tem uma percepção mais realista sobre a necessidade de se poupar o recurso, lembra Collaço: “Só o nordestino tem essa percepção e está acostumado com a escassez de água.”

À exceção do Nordeste, as demais regiões não têm essa consciência, avalia o diretor do DAP/MMA. Segundo ele, no país, boa parte das cidades não reservou espaços para UCs, que ajudam na reserva e provimento de água, como ocorre em cidades planejadas como Brasília.

As UCs favorecem a recarga de água nos reservatórios. “Em áreas desflorestadas e asfaltadas, a água que cai no chão impermeabilizado, sem vegetação nativa ou com pasto, corre muito rápido para dentro dos corpos hídricos, escorre e vai embora, em direção a alguma bacia hidrográfica e segue para o mar, ou pode cair num reservatório, que tem superfície muito grande e onde muita água se perde por evaporação”, acrescenta.

PENETRAÇÃO

Num ambiente natural, diz ele, o quadro é outro. ”A água cai nas folhas, há a colaboração do sombreamento, criando um ambiente no qual a água penetra muito mais lentamente no solo e no corpo hídrico, infiltrando mais e fazendo a recarga de mananciais e do sistema superficial, o que garante sua provisão ao longo do tempo”, salienta. “Nessa situação, mais favorável, quando acaba o período de chuva ainda existe água no subsolo, vertendo nas nascentes e chegando aos cursos d’água.”

Sérgio Collaço insiste: as UCs são espaços especialmente protegidos e a principal estratégia de conservação da biodiversidade. “Quando delimitada, é usada como fonte e reserva de recurso natural, além de preservar a paisagem. ”É assim em todo o mundo”, exemplifica. “De forma planejada, uma UC garante a conservação da biodiversidade, estoca recurso natural para se fazer manejo sustentável de longo prazo, sob vários graus de restrições do acesso aos recursos naturais ali existentes.”

AMAZÔNIA

O conceito de Unidade de Conservação surgiu no Brasil ainda na década de 1930, ganhando força no final dos anos 1970 e novamente nos anos 1990 e 2000 na Amazônia. “A questão é que a maior parte das áreas de conservação da biodiversidade está localizada na região Amazônica, fora das áreas urbanas e distantes da população, em ambiente rural ou remoto, como na própria Amazônia, nos rincões do Jalapão, entre outros lugares”, lamenta Collaço.

No caso da crise hídrica, o fim da resiliência (capacidade de se adaptar ou evoluir positivamente na adversidade) está associado ao fim das áreas naturais e a alteração drástica do ambiente que poderia armazenar água da chuva, avalia o diretor do DAP/MMA. “Belo Horizonte não teve esse cuidado e a falta de planejamento urbano, e a explosão demográfica engoliram essas áreas naturais, que deveriam ter sido preservadas para garantir a recarga de água, de forma mais resiliente, no subsolo”, salienta.

PLANEJAMENTO

Brasília é o exemplo contrário. Collaço acredita que a cidade, nesse sentido, foi melhor planejada no seu desenvolvimento e atraiu menos gente por não ter a dinâmica econômica de Belo Horizonte. A capital do país possui amplos espaços de preservação que garantem a qualidade do abastecimento, quase todo proveniente de UCs. São exemplos o sistema Santa Maria-Torto (localizado no Parque Nacional de Brasília e abastece a parte norte da cidade) e o sistema de Sobradinho (na reserva biológica da Contagem), que, há anos, possuem tanto qualidade quanto volume de água. Ele garante: “São sistemas bem estáveis e que flutuam muito menos em função do regime de chuvas do que os sistemas localizados fora de UCs.”

Além destes, o sistema do Descoberto foi protegido pela gestão da Área de Proteção Ambiental (APA) de mesmo nome, hoje sob gestão do Instituto Chico Mentes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), sendo que esta APA garantiu a boa gestão do uso do solo desde sua criação na década de 1980. De forma semelhante, a cidade de Belo Horizonte conta hoje com a APA Sul, criada somente em 2001 pelo governo estadual, e que deve ter o mesmo papel de proteção de mananciais da APA do Descoberto, no DF, com o desafio de recuperar a resiliência do manancial que abastece a cidade de BH e sua região metropolitana.

Assessoria de Comunicação Social (Ascom/MMA) – Telefone: 61.2028.1753/1227

* Matéria assinada por Luciene de Assis e publicada no site do MMA em 05/03/2015

Notícias, Notícias dos Parceiros do Arpa

WWF-Brasil lança livros sobre o Mosaico da Amazônia Meridional

Com o objetivo de disseminar informações sobre uma região de extrema importância da Amazônia brasileira, o WWF-Brasil lançou, este mês, duas publicações sobre o Mosaico da Amazônia Meridional (MAM), que estão disponíveis gratuitamente para download em nosso site.

O Mosaico da Amazônia Meridional é formado por 40 Unidades de Conservação, federais e estaduais, distribuídas entre os estados de Amazonas, Mato Grosso e Rondônia, num território de mais de 7 milhões de hectares – similar ao tamanho da Irlanda.

Com os títulos “Mosaico da Amazônia Meridional: Vencendo limites geográficos e integrando gestão” e “Mosaico da Amazônia Meridional”, os livros buscam tornar esta área mais conhecida por toda a sociedade.

A primeira publicação apresenta o que é o Mosaico da Amazônia Meridional, sua história, importância, criação e gestão atual. Além disso, o livro traz as prioridades, os planos de ação e os projetos do Mosaico, quem têm como objetivo final garantir a integridade daquela região.

O segundo livro, em formato de cartilha, foi ilustrado pela desenhista Érica Bettiol e tem como público as comunidades ribeirinhas que vivem nas pequenas cidades e nas zonas rurais. A obra tem uma linguagem mais didática e objetiva e será distribuída em escolas, associações de classes e prefeituras.

“Queremos que as populações do interior do Mosaico da Amazônia Meridional saibam o que são as unidades de conservação, sua relevância e passem a defendê-las e a protegê-las. Os livros têm uma importância fundamental, porque é através da informação e do conhecimento que as pessoas se engajam em causas vinculadas à proteção e à sustentabilidade”, afirmou a analista de conservação do WWF-Brasil, Jasylene Abreu.

Os dois livros serão distribuídos para órgãos governamentais, associações, cooperativas, sindicatos, servidores públicos e comunidades – e também estão disponíveis para download gratuito em wwf.org.br/publicacoes.

Partilhando recursos

O WWF-Brasil apoiou diretamente os estudos que subsidiaram a criação do Mosaico da Amazônia Meridional. Em outubro de 2011, o WWF-Brasil organizou a primeira reunião dos gestores do MAM para definir o regimento interno, discutir a composição do conselho e analisar o planejamento estratégico do mosaico.

Por meio do Mosaico da Amazônia Meridional, os gerentes das unidades e entes públicos como secretarias estaduais de Meio Ambiente, em conjunto com o governo federal, partilham recursos e realizam planejamentos em conjunto. Deste modo, é mais fácil e produtivo monitorar e defender os recursos naturais.

Integram o Mosaico da Amazônia Meridional, entre outras unidades, o Parque Nacional do Juruena; o Parque Nacional dos Campos Amazônicos; e as nove unidades localizadas no Sul do Amazonas que compõem o Mosaico do Apuí.

Mosaicos são conjuntos de Unidades de Conservação e outras áreas protegidas que são geridos de forma integrada.

* Matéria assinada por Jorge Eduardo Dantas e publicada no site da WWF Brasil em 27/11/2014

Notícias, Outras Notícias

Governo vai investir R$ 67 milhões no monitoramento da Amazônia

Acordo assinado entre MMA e MCTI garante investimento em ações de combate ao desmatamento

A Floresta Amazônica terá as ações de monitoramento e controle do desmatamento aprimoradas por projeto do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), financiado pelo Fundo Amazônia. Na tarde desta quarta-feira (29/10), a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, e o ministro da Ciência e Tecnologia e Inovação, Clélio Campolina, assinaram contrato de colaboração financeira não reembolsável com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no valor total de R$ 67 milhões.

Com prazo de três anos e meio, o projeto Monitoramento Ambiental por Satélites no Bioma Amazônia apoiará o Inpe nas atividades de controle ambiental e de estudos sobre uso e cobertura do território. Em determinadas ações, será possível compartilhar a metodologia e o uso dos dados, tecnologias e equipamentos para monitoramento ambiental em outras regiões e biomas brasileiros e em outros países tropicais.

Segundo a ministra Izabella Teixeira, esse projeto é prioridade para chegar num segundo momento. “Acabaremos com o desmatamento na Amazônia e desenvolvermos políticas específicas para aquela região com novos padrões produtivos, mantendo a floresta mas assegurando o desenvolvimento social, ambiental e econômico”, afirmou. Destacou que não se faz isso sem conhecimento científico, informação ou instituições robustas para dar respostas à sociedade local e globalmente. Para ela, é preciso evoluir na captação de mais recursos para o desenvolvimento de novas ferramentas tecnológicas, de forma que o Brasil tenha protagonismo na inovação tecnológica associada a satélites de monitoramento.

O PROJETO
Confira as ações previstas no projeto:

– Mapeamento do uso e cobertura da terra na Amazônia Legal;

– Aprimoramento do software TerraAmazon;

– Melhoria dos serviços de recepção, distribuição e uso das imagens de sensoriamento remoto do INPE;

– Aprimoramento do monitoramento de focos de queimadas e incêndios florestais;

– Estudo das trajetórias de padrões e processos na caracterização de dinâmicas do desmatamento na Amazônia;

– Disponibilização de ferramentas de modelagem de mudanças de uso da terra;

– Melhoria dos métodos de estimativa de biomassa e de modelos de estimativa de emissões por mudança de uso da terra.

COMO FUNCIONA

Conheça os quatro sistemas de monitoramento por satélite que já são realizados pelo Inpe:

Programa de Cálculo do Desmatamento da Amazônia (PRODES) – Mede taxas anuais de corte raso para os períodos de agosto do ano anterior a julho do ano corrente, considerando desmatamentos com área superior a 6,25 hectares. Considerado o maior programa de acompanhamento de florestas do mundo, acompanha mais de 4 milhões de km2 na Amazônia.

Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) – Divulga quinzenalmente um mapa de alertas com áreas totalmente desmatadas (corte raso) e em processo de degradação por outras razões como queimadas naturais. O sistema detecta, com rapidez, novos desmatamentos e gera, em um curto período de tempo, dados para a fiscalização em terra.

Sistema de Mapeamento da Degradação Florestal na Amazônia Brasileira (Degrad) – Usa as imagens dos satélites para mapear anualmente áreas em processo de desmatamento, onde a cobertura florestal ainda não foi totalmente removida e, portanto, não é computada pelo sistema Prodes.
Sistema de Monitoramento da Exploração Seletiva de Madeira (Detex) – O programa, desenvolvido em conjunto com o Serviço Florestal Brasileiro (SFB), tem como principal finalidade gerar subsídios à fiscalização efetiva dos planos de manejo das concessões florestais e das florestas públicas em geral.

SAIBA MAIS
Criado em 2008, o Fundo Amazônia tem o objetivo de captar recursos para investimentos não reembolsáveis em iniciativas de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento e de conservação e uso sustentável do bioma. Entre as áreas de atuação, estão projetos como os de gestão de áreas protegidas, manejo florestal e redução de emissões de gases de efeito estufa.

* Texto de Lucas Tolentino e Letícia Verdi Publicado no site do MMA em 29/10/2014

Notícias, Outras Notícias

Desmatamento na Amazônia é o segundo menor em 25 anos

Com o resultado, o Brasil poderá receber até 2,5 bilhões de dólares em pagamentos por redução de emissões na região

O desmatamento na Amazônia para o período de agosto de 2012 a julho de 2013 foi confirmado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) em 5.891 km2 e é a segunda menor taxa registrada anualmente nos últimos 25 anos. A diferença entre a estimativa divulgada pelo governo em novembro de 2013 (5.843 km2) e o número consolidado pelo INPE foi menor que 1%.

A partir do número consolidado pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal (Prodes), o Comitê Técnico Científico do Fundo Amazônia (CTFA) validou nesta quarta-feira (10/09) o cálculo das reduções de emissões de CO2 oriundas do desmatamento, que ficou na ordem de 516 milhões de toneladas de CO2 – uma redução de 64% em relação ao referencial adotado. O CTFA é formado por cientistas de notório saber.

Com o resultado, o Brasil poderá receber até 2,5 bilhões de dólares em pagamentos por redução de emissões de desmatamento alcançados na região da Amazônia Legal, baseado em dados do Fundo Amazônia, que adota o valor de US$ 5,00 por tonelada de CO2 para captação de recursos de doações junto aos governos estrangeiros, empresas, instituições multilaterais, organizações não governamentais e pessoas físicas. O cálculo das emissões provenientes do desmatamento pelo Fundo Amazônia toma como base a média de carbono na biomassa de 132,3 tC/ha.

Os números confirmam, ainda, uma redução de 79% desde a criação do Plano de Ação para Prevenção e Combate ao Desmatamento na Amazônia Legal, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e pela Casa Civil da Presidência da República, em 2004.

DADOS DE SATÉLITE

O Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal (Prodes/INPE) registra, via satélite, áreas equivalentes a pouco mais de seis campos de futebol (6,25 hectares). Os dados são coletados periodicamente de imagens do satélite Landsat 8/OLI. O resultado preliminar é divulgado no final do mês de novembro. Em meados do ano seguinte, após o detalhamento dos estudos e a coleta de dados em campo, as taxas são consolidadas oficialmente. O Pará lidera as taxas por estado, com uma área desmatada de 2.346 Km2, representando um aumento de 35% com relação ao período anterior. O segundo a lista é o Mato Grosso, com 1.139 Km2, o que corresponde percentualmente a um aumento de 50% em relação ao ano anterior. O Acre e o Amapá registraram reduções na área desmatada, de 28% e 15% respectivamente.

*Matéria publicada no site do MMA em 10/09/2014

Notícias, Outras Notícias

Reserva extrativista produz castanha da Amazônia

Projeto piloto na bacia do Rio Negro leva aos ribeirinhos oportunidade de reconhecimento e escoamento da produção.

 

 

 

Central está localizada no pé da castanheira, evitando problemas de contaminação.

 

 

Moradores da Reserva Extrativista (Resex) do Rio Unini (AM) construíram uma central agroextrativista para produzir a castanha da Amazônia e, ao mesmo tempo, facilitar a comercialização dela. A central está equipada para a produção de castanha de alta qualidade e valor nutritivo, desidratada e embalada à vácuo. Ela é composta por duas estruturas: uma para o beneficiamento de produtos brutos e outra para o armazenamento e distribuição.

Diferente de outras fábricas, a Central Agroextrativista do Rio Unini está localizada no pé da castanheira, o que evita problemas de contaminação provocada por longos períodos de transporte e armazenamento. O projeto piloto acontece na bacia do Rio Negro e leva para os ribeirinhos oportunidades economicamente importantes, uma vez que os próprios moradores controlam todo o processo produtivo – coleta, armazenamento, processamento e embalagem.

Dessa forma, a castanha passa a ter um valor maior e aquece a economia local. “Isso elimina os atravessadores, ou seja, aquelas pessoas ligadas aos feirantes das cidades que pagam preços muito baixos aos produtores”, explicou Sérgio Sá, coordenador do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) na região.

Atualmente, 188 famílias dependem exclusivamente dos produtos da floresta e da agricultura familiar para sobreviver na região, que é rica em biodiversidade. Ao todo, três Unidades de Conservação (UCs) cortam a bacia do Rio Unini, afluente do Rio Negro: o Parque Nacional do Jaú, a Reserva Extrativista do Rio Unini e a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Amanã.

Além de melhorar a qualidade de vida das pessoas que moram na Resex, o projeto também pode ajudar a conter o desmatamento no Parque Nacional do Jaú. “Desenvolvimento socioeconômico e conservação ambiental são os dois elementos cruciais para a efetiva sustentabilidade da Floresta Amazônica”, comentou Inácio Oliete, coordenador do Programa Nacional Integrado da Fundação Vitória Amazônica (FVA), responsável técnica pelo projeto.

Capacidade de produção

Tecnicamente, a Central Agroextrativista tem uma capacidade de produção inicial de 300 quilos por dia de castanha em amêndoa embalada à vácuo em pacotes de até 10 quilos. No processo produtivo, é feita uma seleção por tamanho e qualidade para atender as exigências higiênico-sanitárias da legislação brasileira.

Além do potencial socioeconômico, a expectativa é que a central, com apoios técnicos, comerciais e financeiros, estenda os benefícios para outras comunidades, oferecendo preços melhores aos coletores de castanha de outros tributários do Rio Negro.

“A Cooperativa Mista Agroextrativista do Rio Unini (Coomaru) é a gestora do empreendimento e junto com a FVA busca parcerias que reconheçam o valor social e ambiental deste produto excepcional”, disse Inácio Oliete.

Sobre o projeto

O projeto começou em 2006 com debates envolvendo as comunidades e aquisição de materiais para construir a fábrica. Em 2014, a comunidade começou a colher os frutos do trabalho que pode ser exemplo de produção sustentável para outras Unidades de Conservação.

“Os moradores estão bem empolgados. Eles recebem grandes encomendas para escoamento da produção e agora querem buscar novos compradores”, finalizou Sérgio Sá.

Além da castanha, a população agora estuda iniciar o processo produtivo da farinha, bananas desidratada e batatas.

Saiba mais

Reservas Extrativistas, chamadas também de Resex, são uma categoria de unidade de conservação de uso sustentável, estabelecida pela Lei 9.985/2000 (Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação – Snuc).

As Resex são utilizadas por populações extrativistas tradicionais, cuja subsistência baseia-se no extrativismo e, complementarmente, na agricultura de subsistência e na criação de animais de pequeno porte, e tem como objetivos básicos proteger os meios de vida e a cultura dessas populações e assegurar o uso sustentável dos recursos naturais da unidade.

*Matéria publicada no Portal Brasil dia 22/08/2014

Notícias, Outras Notícias

Brasil e Alemanha constroem torre de observação do clima na Amazônia

A floresta tropical da Amazônia vai ganhar, ainda este ano, uma torre de 325 metros de altura para observação de mudanças climáticas na região. Batizada como Torre Atto (sigla em inglês para Amazon Tall Tower Observatory), será resultado de parceria entre Brasil e Alemanha. Os dois países vão investir R$ 7,5 milhões no observatório, que teve suas bases lançadas hoje (15) na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Uatumã, a 150 quilômetros de Manaus. A previsão é de que a obra seja concluída em novembro próximo.

Como um dos ecossistemas mais sensíveis do planeta, que desempenha papel importante na estabilização do clima, o objetivo da torre é medir os impactos das mudanças climáticas globais nas florestas de terra firme da Amazônia, medindo a interação da floresta com a atmosfera. Além disso, a torre também servirá para pesquisas inéditas de química da atmosfera, como trocas gasosas, reações químicas e aerossóis, processos de transporte de massa e energia na camada limite da atmosfera.

De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), o local de instalação da torre foi escolhido após uma série de estudos em conjunto com o Instituto Max Planck, da Alemanha, e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Os técnicos optaram por uma área de terra firme na floresta – ambiente mais comum na variada paisagem amazônica. A Torre Atto será a primeira do tipo na América do Sul, quatro vezes mais alta do que a atual torre de observação do Inpa, que tem 80 metros.

A torre funcionará ininterruptamente, e terá vida útil estimada entre 20 e 30 anos. Estão previstas também quatro torres menores – com 80 metros de altura, cada – em volta da Torre Atto, com o objetivo de medir fluxos e transportes horizontais, dando auxilio na obtenção de dados da torre principal. A estrutura de observação climática é um empreendimento conjunto, liderado pelo Inpa, Instituto Max Planck e pela UEA, mas com participação também de outras instituições.

*Matéria publicada por Stênio Ribeiro no dia 15/08/2014

Notícias, Outras Notícias

Brasil avança na conservação da Amazônia, diz relatório norueguês

País é um importante doador para a preservação ambiental.
Taxa de desmatamento e emissões de gases-estufa caíram fortemente.

O Brasil teve bom progresso em proteger a floresta amazônica, disse nesta segunda-feira (18) um relatório da Noruega, um importante doador para a preservação ambiental.

A Noruega, país rico por seu petróleo e gás, pagou 10,3 bilhões de coroas (US$ 1,7 bilhão) para combater o desmatamento tropical de 2008 a 2013 no Brasil e em outros lugares, de acordo com um relatório feito pela Agência Norueguesa de Cooperação para o Desenvolvimento (Norad, na sigla em inglês), financiada pelo governo.

Ipê amarelo é visto em meio à floresta perto de Novo Progresso (PA). Os fotógrafos Nacho Doce e Ricardo Moraes, da agência Reuters, viajaram pela Amazônia registrando várias formas de desmatamento. Foto de 20/9/2013. (Foto: Nacho Doce/Reuters)

“A taxa de desmatamento do Brasil e as correspondentes emissões de gases-estufa caíram fortemente”, disse o relatório sobre o progresso da proteção na Amazônia, a maior floresta tropical do mundo.

Projetos financiados com dinheiro norueguês no Brasil estão “traçando o caminho para futuras reduções”, disse o documento.

A Noruega destinou ao Brasil US$ 720 milhões para ajudar a apoiar programas no país, informou o relatório. A Noruega prometeu ao Brasil, em 2008, até US$ 1 bilhão para ajudar a desacelerar o desmatamento, dependendo do desempenho brasileiro.

Sob um acordo semelhante em 2010, a Noruega se comprometeu em destinar até US$ 1 bilhão para a Indonésia, a qual tem a terceira maior floresta tropical, atrás apenas da Amazônia e de uma floresta no Congo, afetada por desmatamento de grandes áreas para dar espaço para plantações.

A Indonésia teve “bom progresso” no planejamento de proteger florestas, disse a Norad. Mas, segundo a agência, “a mudança de governo e as fraquezas nas bases legais” para a proteção da floresta “representam um sério risco de que as conquistas possam ser perdidas”.

O presidente-eleito Joko Widodo assume no lugar do antecessor Susilo Bambang Yudhoyono em outubro. “Pode haver novas prioridades”, disse à Reuters Ida Hellmark, que coordenou a relatório na Norad, apontando para os riscos de mais destinação de território para plantio de palma.

Até agora, a Indonésia só obteve 2% dos pagamentos totais da Noruega, segundo a Norad.

Florestas absorvem dióxido de carbono quando crescem e o liberam quando apodrecem ou queimam. O desmatamento, feito principalmente para abrir espaço para plantação, responde por um quinto das emissões humanas dos gases do efeito estufa, de acordo com estimativa da ONU.

*Matéria publicada no dia 18/08/2014

Notícias, Outras Notícias

Ibama registra redução nos índices de corte da vegetação na Amazônia

Combate ao crime e a adoção de medidas de inteligência em terra são responsáveis pela diminuição das estatísticas

A Amazônia Legal registrou queda nos indicativos de corte da vegetação nativa. Entre agosto de 2013 e 30 de abril deste ano, os alertas de desmatamento na região foram de 1,5 mil km2, o que representa a redução de 20% na comparação com os 1,872 mil km2 registrados no período imediatamente anterior. Os dados foram contabilizados pelo Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real (Deter).

Feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o sistema se baseia em imagens diárias de até 25 hectares capturadas por satélite. Os dados funcionam como uma análise da mudança de paisagem da região amazônica, que podem ocorrer por conta de questões como desmatamento ou até queimadas. O Deter funciona, portanto, como um suporte para a fiscalização.

APRIMORAMENTO

A intensificação das operações de combate ao crime e a adoção de medidas táticas de inteligência em terra são responsáveis pela diminuição das estatísticas. “Os resultados se devem ao aprimoramento da fiscalização e da forte presença em campo de equipes do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e da Força Nacional”, afirmou o presidente do Ibama, Volney Zanardi. “Há um esforço para integrar todas as ações realizadas na Amazônia.”

Entre as estratégias, está a cooperação com os índios kayapó no combate ao desmatamento nas imediações da BR-163, no Pará. Na operação, foram aplicados R$ 50 milhões em multados e evitado o equivalente a 63 hectares de área desmatada por dia. Ao todo, 11 acampamentos e 26 motoserras foram destruídas. “Não vamos permitir que os grileiros e demais criminosos avancem pelas florestas, em especial nas unidades de conservação e terras indígenas”, garantiu o diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Luciano Evaristo.

MOBILIDADE

A redução foi verificada em estados que costumavam a apresentar histórico de avanços no desmatamento. Em Mato Grosso, os alertas contabilizaram 583 km2, queda de 29% em relação aos 818 km2 registrados no período anterior. O Pará seguiu a mesma tendência, com redução de 29%, no comparativo dos 306 km2 atuais com os 430 km2 anteriores. Em Rondônia, a diminuição foi ainda maior: 33%.

Nesse período, o Ibama aplicou R$ 1,139 bilhão em autos de infração e embargou área total de 131 mil hectares na Amazônia Legal. A criação de bases móveis com equipes de fiscalização foi fundamental para o alcance desses resultados. “A mobilidade é o mais importante porque o crime migra dentro da floresta, afirmou o coronel Alexandre Aragon, da Força Nacional. “Estamos trabalhando no sentido de coibir essas prática.”

* Matéria assinada por Lucas Tolentino e publicada no site do MMA em 23/05/2014

Notícias, Outras Notícias

Terras indígenas da Amazônia terão investimentos de 70 milhões

Projetos de gestão ambiental e territorial devem ser enviados até outubro
A partir desta quinta-feira (08/05), fundações de direito privado, associações civis e organizações indígenas, indigenistas e socioambientalistas que tenham Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs) em Terras Indígenas da Amazônia podem enviar seus projetos para concorrer a R$ 70 milhões em recursos não reembolsáveis do Fundo Amazônia. Os projetos receberão entre R$ 4 milhões e R$ 12 milhões e devem atender aos princípios e diretrizes da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental em Terras Indígenas (PNGATI). O prazo para envio é até outubro deste ano. Confira aqui a chamada pública.

 

Em cerimônia no Salão Negro do Ministério da Justiça, o edital foi lançado durante a 22ª Reunião Ordinária da Comissão Nacional de Política Indigenista (CNPI) e contou com a presença de representantes do governo federal, de povos indígenas e dos governos da Noruega e da Alemanha. “Se observarmos hoje, 21% do território da Amazônia legal é de terras indígenas, mas apenas 3% do desmatamento ocorreram nessas terras [dados do projeto Prodes de monitoramento da floresta amazônica por satélite de 2013]”, afirmou o ministro interino de Meio Ambiente, Francisco Gaetani. “O que estamos tentando fazer é um pouco de justiça, pela grande contribuição que os povos indígenas têm dado à preservação da Amazônia. As populações indígenas são guardiãs dos recursos naturais”.

PARTICIPAÇÃO

A presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Maria Augusta Assirati, lembrou que a PNGATI foi construída de forma participativa, com lideranças indígenas, desde a sua concepção até o processo de implantação. “Essa participação é fundamental para uma política pública”, disse. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou que a PNGATI foi um grande avanço. “Hoje é um grande dia, de valorização e respeito aos povos indígenas e ao meio ambiente”, comemorou.

Participaram também da mesa de lançamento o diretor de infraestrutura social e meio ambiente do BNDES, Guilherme Narciso de Lacerda, e o representante da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), Maximiliano Correa. A Coiab participou da elaboração da chamada pública, uma articulação da Funai com o MMA e o BNDES.

SAIBA MAIS

Instituída pelo Decreto presidencial 7.747/2012, a Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI) tem como objetivo principal promover e garantir a proteção, recuperação, conservação e o uso sustentável dos recursos naturais nos territórios indígenas. Além disso, a iniciativa assegura a melhoria da qualidade de vida dos indígenas com condições plenas para a reprodução física e cultural das atuais e futuras gerações e garante a integridade do patrimônio material e imaterial desses povos.

Criado em 2008, o Fundo Amazônia tem por finalidade captar doações para investimentos não-reembolsáveis em ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento, e ações de conservação e uso sustentável das florestas no Bioma Amazônia, nos termos do Decreto nº 6.527, de 1º de agosto de 2008. O Fundo é gerido pelo BNDES e já recebeu recursos do governo da Noruega, do Banco de Desenvolvimento Alemão- KFW e da Petrobrás.

(*) Letícia Verdi Com Ascom/Funai

**Matéria publicada no site do MMA em 08/05/2014
Notícias, Outras Notícias

Amazônia, de novo o pulmão do planeta, artigo de Efraim Rodrigues

Um novo estudo da NASA, publicado na última semana, mostrou que a Amazônia absorve mais carbono que emite.

Porque a descoberta não é óbvia ? Apesar das árvores retirarem carbono da atmosfera enquanto crescem, quando elas se decompõem, este carbono volta para a atmosfera.

Na escala da bacia amazônica, era impossível saber se a entrada era maior que a saída, até que uma equipe da NASA, liderada pelo pesquisador Fernando Espírito-Santo, usar um novo tipo de radar (LIDAR) com resolução suficiente para mapear clareiras de vários tamanhos, incluindo as muito pequenas. Veja o artigo em http://www.nature.com/ncomms/2014/140318/ncomms4434/full/ncomms4434.html

O estudo mostrou que a ocorrência de clareiras e morte de árvores é pequena o suficiente, e que a Amazônia não só umedece o ar de toda América do Sul com sua evaporação úmida, como também retém carbono, neutralizando uma parte de nossas emissões de carbono fóssil. Não chega a resolver o problema, já que mesmo com esta ajuda, os níveis de carbono não param de subir, mas sem ela, estaríamos ainda pior.

Também nesta semana, um estudo do governo norte-americano mostrou a tendência de aumento do uso de madeira para o aquecimento de residências. Veja em http://www.eia.gov/todayinenergy/detail.cfm?id=15431

Ainda não se conhecem os efeitos de usar uma fonte de carbono renovável em substituição a uma fonte de carbono fóssil (gás ou óleo). Por um lado, se conseguirmos manter nosso consumo dentro do carbono que nós mesmo fixamos (nas florestas plantadas), isto será benéfico. No entanto, a madeira libera mais fuligem que aumenta a poluição do ar.

Enquanto não descobrem a solução, sigo rachando a lenha que sobrou da construção de minha casa, para o inverno e peneirando as cinzas que sobram para fertilizar a terra. Do jeito que a coisa vai, talvez eu vá ter que alimentar minha família com aquela pedacinho de chão, é bom estar preparado.

Curioso mesmo foi ver a Floresta Amazônica retornar ao trono de pulmão do planeta onde ela estava nos anos 70. Depois ela foi retirada de lá porque, pensava-se, o carbono fixado pelas florestas em crescimento seria compensado pelas emissões das árvores mortas. Dos anos 80 até esta semana, era kitsch chamar a Amazônia de pulmão.

A vida ficou mais fácil agora.

Efraim Rodrigues, Ph.D. (efraim@efraim.com.br) é Doutor pela Universidade de Harvard, Professor Associado de Recursos Naturais da Universidade Estadual de Londrina, consultor do programa FODEPAL da FAO-ONU, autor dos livros Biologia da Conservação e Histórias Impublicáveis sobre trabalhos acadêmicos e seus autores. Também ajuda escolas do Vale do Paraíba-SP, Brasília-DF, Curitiba e Londrina-PR a transformar lixo de cozinha em adubo orgânico e a coletar água da chuva. É professor visitante da UFPR, PUC-PR, UNEB – Paulo Afonso e Duke – EUA

http://ambienteporinteiro-efraim.blogspot.com/

* Artigo publicado na revista EcoDebate em 25/03/2014