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Revista Brasileira de Ecoturismo publica artigo sobre perfil de visitação em comunidade da Resex de Cururupu

A Revista Brasileira de Ecoturismo, produzida pela Sociedade Brasileira de Ecoturismo, publicou no último mês o artigo “Perfi l da visitação na Ilha dos Lençóis, comunidade de pescadores tradicionais, Reserva Extrativista de Cururupu (MA)”. O estudo é resultado de um projeto de pesquisa dos analistas ambientais Carolina Alvite, atualmente na Coordenação Regional (CR) 9; Marcelo Vidal e Oscar Borreani, do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Sociobiodiversidade Associada a Povos e Comunidades Tradicionais (CNPT) e Eduardo Borba, da Reserva Extrativista (Resex) de Cururupu.

A pesquisa foi desenvolvida pelo CNPT em parceria com a Resex de Cururupu (MA) e com os moradores da Ilha dos Lençóis. No estudo, os analistas apresentam o turismo de base comunitária como uma alternativa de visitação nas Reservas Extrativistas, categoria de Unidades de Conservação onde a presença de populações tradicionais é permitida, incorporando não apenas o patrimônio natural, mas também o patrimônio cultural e o modo de vida das comunidades. Essa forma de fazer o turismo possibilita as relações de hospitalidade, intercâmbio cultural, protagonismo e fortalecimento da autoestima das
comunidades e também a conservação ambiental, como valor intrínseco aos seus modos de vida.

O artigo caracteriza a visitação na Ilha dos Lençóis, comunidade de pescadores tracionais inserida na Resex de Cururupu, englobando aspectos como o perfi l do visitante, a organização e motivação da viagem, a forma de estadia e principais atrativos procurados, e sugere ações para o manejo do uso público na área. “Constatamos que o visitante da Ilha dos Lençóis não valoriza apenas as belezas naturais, mas também o enorme patrimônio cultural existente na comunidade. É um público compatível com a proposta de turismo de base comunitária, mostrando para o Instiuto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) que há demanda e que é possível ampliar o leque de oportunidades de visitação nas Unidades de Conservação de Uso Sustentável brasileiras”, afi rmou Carolina Alvite, que coordenou a pesquisa.

O projeto contou com o apoio fi nanceiro do Projeto PNUD BRA/08/023, por meio de edital de projetos de pesquisa da Diretoria de Pesquisa, Avaliação e Monitoramento da Biodiversidade (Dibio/ICMBio). O artigo pode ser acessado em http://migre.me/n8CJK.

* Publicado no Informativo ICMBio em Foco 323

Notícias, Outras Notícias

Amazônia, de novo o pulmão do planeta, artigo de Efraim Rodrigues

Um novo estudo da NASA, publicado na última semana, mostrou que a Amazônia absorve mais carbono que emite.

Porque a descoberta não é óbvia ? Apesar das árvores retirarem carbono da atmosfera enquanto crescem, quando elas se decompõem, este carbono volta para a atmosfera.

Na escala da bacia amazônica, era impossível saber se a entrada era maior que a saída, até que uma equipe da NASA, liderada pelo pesquisador Fernando Espírito-Santo, usar um novo tipo de radar (LIDAR) com resolução suficiente para mapear clareiras de vários tamanhos, incluindo as muito pequenas. Veja o artigo em http://www.nature.com/ncomms/2014/140318/ncomms4434/full/ncomms4434.html

O estudo mostrou que a ocorrência de clareiras e morte de árvores é pequena o suficiente, e que a Amazônia não só umedece o ar de toda América do Sul com sua evaporação úmida, como também retém carbono, neutralizando uma parte de nossas emissões de carbono fóssil. Não chega a resolver o problema, já que mesmo com esta ajuda, os níveis de carbono não param de subir, mas sem ela, estaríamos ainda pior.

Também nesta semana, um estudo do governo norte-americano mostrou a tendência de aumento do uso de madeira para o aquecimento de residências. Veja em http://www.eia.gov/todayinenergy/detail.cfm?id=15431

Ainda não se conhecem os efeitos de usar uma fonte de carbono renovável em substituição a uma fonte de carbono fóssil (gás ou óleo). Por um lado, se conseguirmos manter nosso consumo dentro do carbono que nós mesmo fixamos (nas florestas plantadas), isto será benéfico. No entanto, a madeira libera mais fuligem que aumenta a poluição do ar.

Enquanto não descobrem a solução, sigo rachando a lenha que sobrou da construção de minha casa, para o inverno e peneirando as cinzas que sobram para fertilizar a terra. Do jeito que a coisa vai, talvez eu vá ter que alimentar minha família com aquela pedacinho de chão, é bom estar preparado.

Curioso mesmo foi ver a Floresta Amazônica retornar ao trono de pulmão do planeta onde ela estava nos anos 70. Depois ela foi retirada de lá porque, pensava-se, o carbono fixado pelas florestas em crescimento seria compensado pelas emissões das árvores mortas. Dos anos 80 até esta semana, era kitsch chamar a Amazônia de pulmão.

A vida ficou mais fácil agora.

Efraim Rodrigues, Ph.D. (efraim@efraim.com.br) é Doutor pela Universidade de Harvard, Professor Associado de Recursos Naturais da Universidade Estadual de Londrina, consultor do programa FODEPAL da FAO-ONU, autor dos livros Biologia da Conservação e Histórias Impublicáveis sobre trabalhos acadêmicos e seus autores. Também ajuda escolas do Vale do Paraíba-SP, Brasília-DF, Curitiba e Londrina-PR a transformar lixo de cozinha em adubo orgânico e a coletar água da chuva. É professor visitante da UFPR, PUC-PR, UNEB – Paulo Afonso e Duke – EUA

http://ambienteporinteiro-efraim.blogspot.com/

* Artigo publicado na revista EcoDebate em 25/03/2014