Notícias, Notícias das Unidades de Conservação

Naturatins renova Acordo de Cooperação Técnica para fortalecer ações no Parque Estadual do Cantão (TO)‏

O presidente do Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), Ricardo Fava, renovou o Acordo de Cooperação Técnica com o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), para a execução do Programa Áreas Protegido da Amazônia (ARPA), no Tocantins, que garante um recurso de aproximadamente R$ 1,2 milhão para o biênio de 2016/2017. O acordo foi celebrado nesta terça-feira, 30.

O valor será destinado integralmente para a continuidade para o Parque Estadual do Cantão (PEC) no Programa ARPA, fase III. As ações serão realizadas no PEC, que prevê a manutenção das metas prioritárias dos “marcos referenciais do Programa” na Unidade de Conservação.

Entre as ações previstas no Plano de Trabalho, elaborado pelo Ministério do Meio Ambiente, Naturatins e o Funbio, está à conservação das placas de sinalização dos principais pontos de acessos; manutenção dos equipamentos (barcos, motores, carros, etc); aquisição de aparelhos necessários frente às ameaças e atividades mais avançadas de gestão; e o monitoramento de indicadores de qualidade ambiental.

No que se refere às estruturas físicas e aos limites da unidade, o presidente do órgão, Ricardo Fava, destacou que o Acordo proporciona resultados positivos, através da implementação do Plano de Manejo, além da materialização dos limites da Unidade de Conservação em pontos estratégicos, bem como o levantamento da situação fundiária e a preparação para ações de regularização fundiária.

Ainda em relação aos resultados alcançados o Tocantins, entre os estados parceiros da Amazônia Legal, atingiu o desempenho destacado no âmbito do Programa ARPA, assim o PEC tornou-se referência na gestão de Unidade de Conservação na região amazônica.

Arpa

O ARPA (Programa Áreas Protegidas da Amazônia) é um programa do Governo Federal, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA). Foi criado com o objetivo de expandir e fortalecer o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) na Amazônia, proteger 60 milhões de hectares, assegurar recursos financeiros para a gestão destas áreas a curto / longo prazo e promover o desenvolvimento sustentável naquela região. Sendo o maior Programa de conservação e proteção do bioma amazônico do mundo.

O Parque Estadual do Cantão, 260 km da Capital, além de suas reservas preservadas, é hoje uma das unidades de conservação apoiadas pelo Arpa. Entre as 105 Unidades apoiadas pelo programa, o Parque está entre as sete UCs com os melhores resultados que implicaram no seu ingresso na fase III, que dará continuidade ao Programa pelos próximos 25 anos.

* Publicado no site do Naturatins em 30/06/2015

Notícias, Notícias das Unidades de Conservação

Drones vigiam o Parque do Cantão, no Tocantins

07052015-drone-no-cantao-2Drone detecta atividade de pesca ilegal no parque do cantão. Pequeno barco de pescadores utilizando redes, o GPS ajuda a estabelecer o local exato do barco. Foto: Instituto Araguaia

Há cerca de dois anos, o Instituto Araguaia descobriu que os drones podem ajudar a monitorar áreas remotas na Amazônia. Estes veículos aéreos não tripulados e controlados por GPS ficaram famosos como ferramenta de espionagem da CIA e ataques militares furtivos. Agora, eles caíram de preço, ganharam praticidade e usos civis. Com uma câmera GoPro, estes dispositivos aéreos são capazes de alcançar 300 metros de altitude e sobrevoar áreas na mata onde o homem não consegue chegar. Os drones podem visualizar com mais detalhes espécies de botos, pirarucus ou, até mesmo, detectar a ação de caçadores ilegais.

No extremo norte da Ilha do Bananal, estado do Tocantins, correm as águas do curso médio do rio Araguaia. Lá, fica o Parque Estadual do Cantão – uma área protegida criada em 1998 e gerida pelo órgão público Naturatins (Instituto Natureza do Tocantins). O parque é próximo aos municípios de Caseara e Pium, na região centro-oeste do estado.

Nesta área de 90 mil hectares, Cerrado e Amazônia se encontram. O local abriga uma floresta de igapó – vegetação submersa típica da floresta amazônica. Visualmente é uma floresta densa e alta, com arvores de até 20 metros, com copada fechada, solo arenoso e cheias de sapopembas — raízes de sustentação em forma de tripé na base das árvores, junto ao solo, que lhes dá equilíbrio. Essas árvores ficam submersas em até 9 metros de água, com copas expostas, e é justamente nessa época que florescem e dão frutos.

Durante o período seco, a paisagem do Cantão revela um mosaico de 850 lagos, que servem como berçários naturais para a reprodução de peixes. Já na temporada de chuvas, as águas do Araguaia transbordam e reconectam os lagos.

O Cantão é rico em biodiversidade, existem 55 espécies de mamíferos, 453 de aves, 301 de peixes e 63 espécies de répteis, algumas endêmicas — que só existem nesta área protegida.

 

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Uso de novas tecnologias

Movido pela dificuldade de acesso e a popularização dos drones, o Instituto Araguaia apostou na tecnologia para reforçar o monitoramento deste parque.

“Como o Cantão é uma área remota e difícil de percorrer, a nossa ideia era usar o drone para detectar invasores nos lagos. Investimos em tecnologia de ponta”, disse Silvana Campello, 56, presidente do instituto, que atua em cooperação técnica com o gestor do parque estadual.

Criado oficialmente em 2010, o Instituto Araguaia também desenvolve pesquisas científicas no interior do parque. A ONG sobrevive com recursos captados por meio de doações e parcerias com instituições internacionais como a Sociedade Zoológica de Frankfurt, o zoológico de Miami, além de editais do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e da Fundação Grupo Boticário.

Na fase piloto, a equipe do Instituto Araguaia comprou um modelo DJI Phantom, na época o mais barato e o mais simples. Acoplado a uma câmera, o Phantom, além de gravar, envia em tempo real toda a paisagem vista durante o sobrevoo. Sua limitação estava na duração da bateria: apenas 20 minutos.

Os vigias do parque

07052015-drone-no-cantao-3O modelo DJI Phantom decolando para mais uma operação de vigilância. Foto: Instituto Araguaia

A experiência foi tão exitosa, conta Silvana, que hoje o instituto tem três drones e acabou de ganhar um quarto. Este último e mais avançado é um modelo Inspire é um quadróptero, um drone com quatro hélices, câmera integrada e com estabilizador de imagem. Transmite vídeo em tempo real Full HD, e grava em 4K, uma resolução ainda maior. E ainda tem o dobro de autonomia. Obtê-lo só foi possível porque a ONG foi um dos selecionados pelo fabricante em um concurso de imagens feitas por drones.

“Eles são os vigias do parque, a extensão dos nossos olhos e da nossa presença. O parque é uma área virgem e inacessível, devido aos seus inúmeros lagos. Hoje já divulgamos que o parque está sendo monitorado por drones, o que assusta os pescadores ilegais”, diz Silvana.

Censo de botos

07052015-drone-no-cantaoContagem de botos pelo método tradicional. Pesquisador, canoa e caderninho. Foto: Instituto Araguaia

Aos poucos, a equipe do instituto percebeu que, além de afugentar criminosos e inibir práticas ilegais, seria possível seguir espécies de animais. Foi aí que surgiu a ideia de fazer o primeiro censo de botos do Araguaia.

Em janeiro de 2014, o Cantão ganhou o status de lar para uma espécie nova e recém descrita, o Inia araguaiensis, no nome científico, ou boto do Araguaia. Até então, pensava-se que os botos da Bacia do Rio Amazonas eram os mesmos da Bacia do Rio Araguaia. Análises de DNA comprovaram que eram espécies distintas, mas sem que se soubesse o tamanho da população do boto descoberto.

“Vimos que poderíamos de cima acompanhar os botos nos lagos, a cada 4 ou 5 minutos eles vêm à tona respirar, pois são mamíferos aquáticos. Constatamos que o drone é mais eficiente para contá-los”, diz Silvana.

O método tradicional dos biólogos para contagem de botos é artesanal. Em uma canoa, munido de binóculo, o pesquisador anota os botos que sobem para respirar. Já com os drones, a visibilidade e o raio de abrangência se multiplica.

O próximo passo será contar quantos botos vivem no Parque do Cantão. Os drones começarão a trabalhar em junho deste ano e a pesquisa durará até o fim da estação seca, em novembro.

O censo piloto dos botos será feito diariamente em três lagos – Grande, das Ariranhas e do Estirão – onde normalmente a concentração do animal é maior. Um membro da equipe será Julia Furstenau Oliveira, pesquisadora brasileira, que está fazendo mestrado sobre boto, no Instituto Araguaia, em convênio com a Universidade de Friburgo, na Alemanha, e com a Universidade de Brasília.

Se der certo, em 2016, Silvana pretende fazer um censo de pirarucu – um dos maiores peixes de água doce do Brasil, em risco de extinção devido à pesca predatória. “A importância da preservação desses lagos é enorme, a pesca comercial está arrasando os rios da Amazônia. Como já há um declínio da pesca, os pescadores recorrem aos lagos do Araguaia”.

* Publicado originalmente no site O Eco em 07/05/2015 e assinado por Fábio Ortiz

 

 

Notícias, Notícias das Unidades de Conservação

Naturatins avalia parceria com instituições envolvidas no Projeto para Desenvolvimento do Ecoturismo no Parque Cantão (TO)

O Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), órgão responsável pela gestão das Unidades de Conservação Estaduais, vem implementando ações para fomentar o ecoturismo no Parque Estadual do Cantão. Para isso, o órgão firmou um termo de cooperação técnica entre Instituto Araguaia e Associação Onça d´Água para juntos realizarem o Projeto de Desenvolvimento do Ecoturismo no Parque Estadual do Cantão –Pró-Cantão, que vem estimulando a visitação ordenada na unidade, com cerca de 3 mil visitantes desde a sua abertura ao público, em junho do ano passado.

Considerada fundamental na conservação da biodiversidade por meio das ações de proteção, monitoramento e uso público do Parque, essa parceria propiciou a aprovação do Projeto Pró Cantão, por meio da Chamada de Projetos 01/2011. Os investimentos para a execução do mesmo são de R$ 611.578, sendo R$ 327.880 provenientes do Fundo Brasileiro para Biodiversidade – FUNBIO, e os restantes R$ 3.698 de contrapartida das ONGs executoras – a Associação Onça D’água, responsável pelo recebimento dos recursos do FUNBIO e administração do projeto; e Instituto Araguaia, responsável pela execução em campo e pela contrapartida financeira, e o Naturatins responsável pelo acompanhamento, apoio técnico, e monitoramento do projeto.

Esse projeto teve início em 2012 com uma série de oficinas de planejamento, realizadas em campo e com a participação de técnicos das instituições parceiras e consultores nacionais e internacionais.  Nessas oficinas foram definidos impactos aceitáveis, normas de uso e procedimentos de monitoramento específicos para os atrativos do PEC, assim como um roteiro interpretativo para visitação. Na ocasião também foram complementadas com mais infraestrutura as duas trilhas existentes e ainda a construção de duas pontes e seis bancos com encosto para os trabalhos de visitação.

Ainda no Projeto, foi produzido e instalado material explicativo e interpretativo (vídeos e painéis) para o Centro de Visitantes do PEC; adquiridos mobiliários e decorações adicionais foram obtidos por cessão do Naturatins, e também o incentivo aos moradores locais para confeccionarem artesanato com temas relacionados ao Cantão, como miniaturas de canoas e ariranhas talhadas em madeiras nativas e doces feitos de frutas nativas, e assim foi montada uma loja de artesanato dentro do Centro de Visitantes.

Também foram realizadas oficinas de treinamento para preparar membros da comunidade local para trabalhar com visitantes ao PEC, sendo que os guias e barqueiros locais receberam orientações adicionais da equipe do Projeto em suas primeiras atuações, para garantir sua adaptação bem-sucedida ao trabalho com visitantes em unidade de conservação.

Para dar continuidade às ações, um técnico do Instituto Araguaia permanece em campo pela duração do projeto, onde percorre duas vezes por semana o roteiro turístico, compilando dados geo-referenciados sobre ameaças e infrações, visando orientar o planejamento das atividades de proteção. A partir de 2015 um técnico atuará também no monitoramento do comportamento e grau de satisfação dos visitantes e do impacto da visitação sobre o ecossistema.

Também estão previstos para 2015 a implementação de um circuito de trilhas interpretativas no ambiente de Cerrado do PEC, com estabelecimento de infraestrutura para visitação e pernoite em área designada para camping, e finalização do projeto do centro de visitantes.

Para os parceiros, e principalmente para o Naturatins, a expectativa com o projeto foi atingida. “O monitoramento permanente e gestão adaptativa do uso público garante qualidade e o mínimo impacto possível, criando uma alternativa econômica para a região. Quando completamente implementado, o Pro-Cantão contribuirá para a proteção efetiva do ecossistema do Parque Estadual do Cantão e para o estabelecimento de uma economia sustentável em seu entorno”, avaliou o gestor do órgão, Stalin Júnior.

Segundo levantamento da unidade, as principais ameaças ao Parque Estadual do Cantão (PEC) são a pesca predatória, a caça ilegal, o turismo desordenado, e os incêndios que frequentemente resultam dessas atividades. Para enfrentar essas ameaças, o Plano de Manejo do PEC prevê a fiscalização de pontos críticos que controlam o acesso ao interior da unidade, e a implantação de atividades de visitação e ecoturismo para substituir o turismo desordenado e contribuir para a economia local.

* Matéria assinada por Edvânia Peregrini e publicada no site Naturantins em 05/12/2014

Notícias, Notícias das Unidades de Conservação, Notícias sobre o Arpa

Com apoio do MMA, Parque Estadual do Cantão (TO) avança para fase III do Programa ARPA

O Parque Estadual do Cantão, situado a 260 km da Capital, além de suas belas paisagens preservadas, é hoje uma das unidades de conservação apoiadas pelo Programa Áreas Protegidas da Amazônia – Arpa. Entre as 95 Unidades apoiadas pelo programa, o Parque está entre as sete UCs com os melhores resultados que implicaram no seu ingresso na fase III, que dará continuidade ao Programa pelos próximos 25 anos. Conforme divulgação do Ministério do Meio Ambiente – MMA estão previsto os investimentos de R$8,9 milhões para o biênio 2014-2015 a serem aplicados nestas Unidades da fase III.

Segundo informações da Unidade de Coordenação do Programa Arpa – UCP/MMA, o PEC alcançou todos os Marcos Referenciais do Programa. A fase I iniciou em 2004, sendo os recursos destinados em 2005, com a continuidade à fase II, e no momento implementando a fase III.

Nestas duas primeiras etapas concluídas, conforme relatório financeiro apresentando pelo Funbio – Fundo Brasileiro para a Biodiversidade, parceiro executor do Programa Arpa, foram investidos cerca R$1,7 milhões para obtenção dos resultados.

Com relação aos resultados, o Instituto Natureza do Tocantins – Naturatins, órgão gestor das Unidades de Conservação Estaduais, destaca as diversas ações desenvolvidas para tal desempenho, dentre elas, a atualização do Plano de Manejo do PEC; a formação, capacitação e funcionamento do Conselho Consultivo e a construção e assinatura dos Termos de Compromisso no âmbito do Programa.

Ainda nos investimentos, no que se refere às estruturas físicas e aos limites da unidade, o programa proporcionou resultados como a manutenção e reforma da sinalização da UC em alinhamento com o Plano de Manejo; a materialização dos limites da Unidade de Conservação em pontos estratégicos; o levantamento da situação fundiária; a preparação para ações de regularização fundiária; e ainda, dentro destes resultados, um fator que também contou como resultado nos marcos referenciais a ser atingido pelo Parque em seu desempenho, foi o fato de o Parque ter ingressado no Programa com suas estruturas físicas já construídas (sede administrativa, centro de visitantes, alojamentos e garagem, hangar, pista de pouso de aeronaves, píer, guarita e casa da gerência).

No que se refere à proteção e operacionalização da UC alinhada ao seu Plano de Manejo, o parque foi fortalecido com a aquisição de equipamentos para fiscalização e administração, bem como a manutenção dos mesmos, necessários para a UC fazer frente às ameaças e atividades mais avançadas de gestão.

Além de todas essas ações, a Unidade, com apoio do Arpa, por sua vez, apoia com logística o desenvolvimento de pesquisas e estudos sobre desafios de manejo da UC.

No momento, a Unidade também vem trabalhando na implementação de protocolos de monitoramento da biodiversidade; e mantém a equipe mínima acima de cinco servidores, que conta como mais um resultado pré-requisito estabelecido pelo Programa.

Para o presidente do Naturatins, Stalin Júnior, este avanço coloca o Tocantins em destaque em relação aos estados da Amazônia Legal no âmbito do Programa Arpa, porém o Parque Cantão ainda tem grandes desafios a serem superados. “Com esse apoio e também o potencial da Unidade, acreditamos que iremos superar os desafios, e continuar sendo referência no Programa”, concluiu.

Para mais informações, acesse o site do Programa Arpa www.programaarpa.gov.br.

* Matéria de Edvânia Peregrini publicada no site Naturatins em 28/11/2014