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Diagnóstico da fauna orienta ações de proteção

ICMBio apresentou maior estudo do mundo sobre risco de extinção

Diagnóstico da fauna orienta ações de proteção
A elaboração da nova Lista de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção foi coordenada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e envolveu 1.300 especialistas de mais de 200 instituições. O resultado dos cinco anos de trabalho foi apresentado pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, nesta quarta-feira (17), em Brasília.

Elaborada pela Coordenação Geral de Manejo para Conservação do Instituto Chico Mendes (CGESP/ICMBio), a lista traz um total de 1.173 espécies da fauna ameaçadas de extinção (incluindo peixes e invertebrados aquáticos), num universo de 12.256 espécies analisadas.

Veja a lista completa das espécies ameaçadas de extinção 2014

O estudo representa a maior avaliação de risco de extinção já feita no mundo. 100% dos mamíferos, répteis, anfíbios e aves foram pesquisados. De acordo com a coordenadora substituta de Manejo para Conservação, Rosana Subirá, as metas estabelecidas foram superadas. “O objetivo, que era chegar a 10 mil espécies em 2014, foi ultrapassado com as 12.256 espécies avaliadas. A ideia era também obter registros e informações sobre as espécies que não estão ameaçadas, para identificar lacunas e apontar quais delas ainda precisam de mais estudo”, explicou a coordenadora.

Segundo Rosana, o Programa Nacional de Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção (Pró-Espécies), lançado em fevereiro pelo Ministério do Meio Ambiente, definiu a periodicidade para a apresentação de novas listas. “A partir do Pró-Espécies, ficam estabelecidos ciclos de cinco anos para o lançamento de novas listas, com a ressalva de que é possível revisá-las e atualizá-las anualmente”, afirmou.

Resultados da avaliação

Das 720 novas espécies incluídas na lista, muitas não tinham sido avaliadas anteriormente ou os dados disponíveis sobre elas eram insuficientes. Dentre as espécies incluídas, estão o macaco-prego-galego – espécie descrita após 2003 cujo habitat (Mata Atlântica nordestina) vem sofrendo redução desde o século XVII – e o maçarico-rasteirinho – ave migratória com declínio populacional. Outros fatores de inclusão na lista: espécies descobertas recentemente e, em menor número, aquelas que tiveram seu estado de conservação agravado.

Os principais aspectos que contribuem para o risco de extinção das espécies da fauna são: a perda e fragmentação de habitat (expansão agrícola e urbana, grandes empreendimentos etc), a captura direta, a degradação de habitat (poluição, queimadas), as espécies invasoras, a mortalidade indireta (causada pelas queimadas, por exemplo) e o uso não sustentável do habitat (turismo desordenado, extração vegetal etc).

Risco reduzido

Por outro lado, é importante ressaltar que 170 espécies saíram da lista de animais ameaçados de extinção. Outras tantas melhoraram de situação, como o mico-leão-preto, que passou de Criticamente em Perigo para Vulnerável; o bacurau-de-rabo-branco, que saiu da categoria Em Perigo para Vulnerável; a arara-azul-de-lear; e o peixe-boi-marinho, que passaram de Criticamente em Perigo para Em Perigo.

O diagnóstico apresentado é o passo inicial e indispensável para o desenvolvimento de ações de proteção. De acordo com a coordenadora Rosana Subirá, o próximo passo é a criação dos chamados Planos de Ação Nacional (PANs) para as espécies ainda não possuem. O PAN estabelece compromissos e responsabilidades para melhorar a conservação de determinadas espécies.

Proteção da fauna

As Unidades de Conservação (UCs), desempenham importante papel na proteção da fauna. “Temos espécies que só continuam existindo por conta das áreas protegidas, como o bacurau-de-rabo-branco, que hoje só é encontrado no Parque Nacional das Emas”, avaliou Rosana.

Das 1.173 espécies apontadas na lista como ameaçadas de extinção, 663 (56,5%) estão presentes em Unidades de Conservação e 498 (42%) já são contempladas por algum Plano de Ação Nacional. Apenas 20% das espécies ameaçadas não estão sob algum regime de proteção. “Estamos identificando as espécies que não se encontram em Unidades de Conservação e nem possuem Planos de Ação consolidados, pois elas deverão ser priorizadas a partir de agora”, argumentou.

Além da consolidação de novos PANs e da criação de UCs, outras medidas que devem ser tomadas são a qualificação do processo de licenciamento, o estímulo ao uso de recursos da compensação ambiental para proteção da fauna e os programas de apoio à conservação, como o Bolsa Verde.

Casos emblemáticos

Dentre os vários casos de êxito na recuperação das espécies, podemos destacar o peixe-gramma, que aparecia na lista de espécies ameaçadas em 2004 e agora já não corre mais risco de extinção. Com ocorrência no litoral brasileiro (do Maranhão até o Rio de Janeiro), o peixe-gramma teve sua captura e comercialização proibidas após a divulgação da lista de 2004. “Com a proibição, a população dessa espécie conseguiu se recuperar ao longo dos últimos 10 anos”, esclareceu Carlos Eduardo Guidorizzi, analista ambiental do ICMBio.

A arara-azul-grande é mais um exemplo de sucesso das políticas de proteção, pois também saiu da lista de espécies ameaçadas. Incluída em dois Planos de Ação, o PAN para Conservação das Aves do Cerrado e Pantanal e o PAN para Conservação da Fauna do Xingu, a arara-azul-grande foi beneficiada pela intensificação do combate ao tráfico de animais.

Outro destaque é o do albatroz-de-sobrancelha, mais uma espécie que deixou a lista de animais ameaçados de extinção. Segundo Carlos Eduardo Guidorizzi, o albatroz-de-sobrancelha é uma ave migratória cujo estado de conservação melhorou fora do Brasil. As ações internas, porém, foram de grande importância para a espécie, que está contemplada no PAN para Conservação dos Albatrozes e Petréis desde 2006 e pela Convenção Internacional sobre Espécies Migratórias, da qual o Brasil é signatário. “É preciso destacar também o Projeto Albatroz, parceiro do ICMBio, que vem realizando atividades de educação ambiental com pescadores para diminuir a captura incidental do albatroz-de-sobrancelha, uma das aves que mais sofrem com esse tipo de captura”, ressaltou a coordenadora Rosana Subirá.

Veja o painel de conservação da fauna

* Matéria assinada por Nana Brasil e publicada no site do ICMBio em 18/12/2014

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Termina primeira fase da expedição de diagnóstico ambiental em Unidades de Conservação

Terminou em 11 de agosto a primeira expedição para Elaboração do Diagnóstico Ambiental das Unidades de Conservação Federais do Interflúvio Purus-Madeira – “Fase Terra”, parte integrante do processo de elaboração dos planos de manejo das 11 Unidades de Conservação (UCs) localizadas no Amazonas e em Rondônia. Esta primeira atividade, iniciada em 21 de julho, percorreu as Florestas Nacionais do Iquiri e Balata-Tufari e os Parques Nacionais Mapinguari e Nascentes do Lago do Jari, que representam mais de 4,5 milhões de hectares de áreas naturais protegidas.

O diagnóstico envolve a Avaliação Ecológica Rápida (AER) – metodologia para elaboração de planos de manejo – do meio físico, vegetação, aves, peixes e mamíferos, além da investigação do potencial de uso público e turístico das UCs. A expedição também avalia esses aspectos de forma integrada para oferecer informações que possam ser aplicadas diretamente na gestão e manejo das Unidades. Mônia Fernandes, analista ambiental da Equipe de Planejamento dos Planos de Manejo, explica que “os pesquisadores também vão a campo direcionados a responder alguns dos desafios de gestão das Unidades de Conservação, apontados pelos gestores em oficinas prévias. Esse é um dos grandes diferenciais do processo”.

Lilian Hangae, coordenadora-geral de Criação, Planejamento e Avaliação de Unidades de Conservação (CGCAP/ Diman), destacou a dimensão e importância da elaboração do diagnóstico. “Este trabalho traz o pioneirismo de elaborar 11 planos de manejo de diferentes categorias, que estão integrados em uma área de mais de 8 milhões de hectares de áreas protegidas. Um enorme esforço pessoal e institucional está sendo realizado desde seu planejamento”, destacou Hangae.

A primeira expedição envolveu mais de 50 pessoas, entre pesquisadores, servidores do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Serviço Florestal Brasileiro e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), auxiliares, mecânico, piloteiros e cozinheiras, além de ter recebido apoio de sargentos e médicos do Exército. Sergio Brant, diretor de Criação e Manejo de Unidades de Conservação (Diman/ICMBio), também acompanhou parte da expedição. O Instituto Chico Mendes foi o responsável pelo custeio e organização das atividades.

A “fase água” da expedição será realizada de 7 a 30 de outubro, nos rios Madeira e Purus, e percorrerá as Unidades de Conservação que não foram amostradas na primeira fase. O Interflúvio Purus-Madeira compreende as Reserva Biológica Abufari; Estação Ecológica Cuniã; Parques Nacionais Mapinguari e Nascentes do Rio Jari; Florestas Nacionais Balata-Tufari, Humaitá e Iquiri; Reservas Extrativistas do Lago do Cuniã, do Lago do Capanã Grande do Médio-Purus e Reserva Extrativista Rio Ituxi.

Primeira fase da expedição percorreu as Florestas Nacionais do Iquiri e Balata-Tufari e
os Parques Nacionais Mapinguari e Nascentes do Lago do Jari

*Matéria publicada no ICMBio em foco no dia 22/08/2014