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No AM, cientistas debatem objetivos sustentáveis da Amazônia para ONU

Encontro reuniu representantes de seis países em reserva no Rio Negro. Carta deve nortear políticas ambientais, sociais e econômicas a partir de 2015

Um encontro reuniu, na manhã deste sábado (6), cientistas da América Latina para discutir modelos de desenvolvimento sustentável na região amazônica. O evento, promovido pela Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (SDSN Amazônia), projeto ligado às Organizações das Nações Unidas (ONU), em parceria com a Academia Brasileira de Ciências (ABC), foi realizado na comunidade do Tumbira, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Rio Negro.

De acordo com a FAS, responsável pela coordenação da SDSN Amazônia, o principal objetivo da rede é ajudar a ONU a definir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs), documento para nortear a criação de políticas ambientais, sociais e econômicas a partir de 2015. O ODSs deve substituir os Objetivos do Milênio, que expiram nesta data e abordam temas como a erradicação da pobreza e da fome, o acesso ao ensino universal e a redução da mortalidade infantil. Após a redefinição, a SDSN Amazônia será responsável ainda por implementar as metas. O primeiro rascunho das ODSs foi lançado em maio de 2013 como um desdobramento de decisões tomadas na Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20.

Durante o evento realizado na RDS do Rio Negro, a pesquisadora ambiental Ana Toni apresentou como objetivos da rede a criação de uma plataforma de acesso livre na internet a círculos de conhecimento e soluções práticas, articulação dos objetivos de desenvolvimento sustentável para a realidade da Amazônia, incentivo ao intercâmbio com a diversidade de participantes científicos e tecnológicos, promoção de iniciativas de educação, e o lançamento de um prêmio de ações de desenvolvimento sustentável.

Ana Toni apresentou objetivos, pilares e desafios para desenvolvimento sustentável na Amazônia (Foto: Marina Souza/G1 AM)
Ana Toni apresentou objetivos, pilares e desafios para desenvolvimento sustentável na Amazônia (Foto: Marina Souza/G1 AM)

 

No entanto, Toni listou como desafios definidos pelos membros da rede mobilizar recursos, driblar o isolamento geográfico da Amazônia, agilidade em processos para aproveitar recursos que estão sendo degradados, falta de recursos humanos, barreiras tecnológicas e de comunicação, falta de entendimento de boa parte da população sobre a importância da Amazônia em ponto de vista geopolítico, e inserir as soluções de desenvolvimento sustentável na vida da sociedade. Entre os pilares das ODSs, segundo ela, estão lutar contra a degradação da floresta e atuar no desenvolvimento humano, priorizar ciência, tecnologia e educação, e trabalhar em cima das similaridades de cada área da região para atingir um modelo com abrangência geral das necessidades da Amazônia.

Após a apresentação, os cientistas debateram alternativas para o modelo pré-definido. Entre as mudanças apontadas, eles indicaram “a necessidade de fazer com que a plataforma faça a voz do povo amazônida ser ouvido por todo o mundo”.

Para o superintendente da FAS, Virgílio Viana, o encontro alcançou o seu objetivo e deve ser o pontapé inicial para um intercâmbio de informações que leve aos melhores projetos para a região amazônica. “Estamos trazendo neste encontro representantes da Academia Brasileira de Ciências, da Academia de Ciências do Peru, da Colômbia, Bolívia, Equador e Venezuela. Foram seis academias de ciência que participaram deste encontro muito desafiador que é o desenho de uma rede de intercâmbio entre instituições de pesquisa, Organizações Não-Governamentais (ONGs), as organizações da sociedade civil e governos da bacia amazônica para que essas instituições possam trocar informações e experiências, já que os problemas são muito parecidos”, explicou.

Com o debate, alguns dos tópicos abordados – voltados para melhoria de qualidade de vida, geração de renda e empoderamento comunitário – devem voltar a ser discutidos na COP 20, Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que iniciou no dia 1º de dezembro em Lima, no Peru. No evento, que terá a participação de cientistas que estavam em Manaus e de representantes da FAS, deve ser definido o “rascunho zero” de um acordo multilateral que obriga as nações a cortar emissões de gases-estufa a partir de 2020. Na ocasião, também haverá a assinatura da criação da área protegida da nascente do Rio Amazonas, localizada no Peru, sob o Vulcão Mismi, com 5.180 metros de altitude, interligando diversos países da Bacia Amazônica.

Virgílio Viana, superintendente da Fundação Amazonas Sustentável, foi um dos três brasileiros que trabalharam na elaboração das metas, que devem orientar um grupo diplomático oficial da ONU, com chefes de Estado e ministros, no desenvolvimento do rascunho (Foto: Marina Souza/G1 AM)
Virgílio Viana, superintendente da Fundação Amazonas Sustentável, foi um dos três brasileiros que trabalharam na elaboração das metas das ODSSs, que devem orientar um grupo diplomático oficial da ONU, com chefes de Estado e ministros, no desenvolvimento do rascunho (Foto: Marina Souza/G1 AM)

Rede de Soluções
A SDSN Amazônia é uma iniciativa secretariada pela FAS que visa mobilizar o conhecimento existente na busca por soluções práticas para os problemas relacionados ao desenvolvimento sustentável. Através da mobilização de universidades, centros de pesquisa, organizações da sociedade civil, empresas e outros centros de conhecimento, a rede procura contribuir para o desenho e futuro monitoramento da implementação da Agenda do Desenvolvimento Pós-2015, a ser definida pela ONU.

* Matéria assinada por Marina Souza e publicada no G1 AM em 06/12/2014

Notícias, Outras Notícias

Ministra fala na ONU de exclusão social e injustiças ambientais

“Transição para padrões mais sustentáveis de produção e consumo é, acima de tudo, um desafio urbano”, afirma Izabella.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, participou, nesta terça-feira (24/09), do painel sobre cidades sustentáveis da Cúpula do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. O encontro fez parte da programação de debates do evento e contou com representantes dos governos de países Itália, Tunísia e China, das prefeituras de Paris, Rio de Janeiro e Seul e de integrantes da iniciativa privada.

Documentos:

 Leia a íntegra do discurso (versão português)
 Leia a íntegra do discurso (versão inglês)

* Publicado no site do MMA em 24/09/2014

 

 

Notícias, Outras Notícias

Brasil avança na conservação da Amazônia, diz relatório norueguês

País é um importante doador para a preservação ambiental.
Taxa de desmatamento e emissões de gases-estufa caíram fortemente.

O Brasil teve bom progresso em proteger a floresta amazônica, disse nesta segunda-feira (18) um relatório da Noruega, um importante doador para a preservação ambiental.

A Noruega, país rico por seu petróleo e gás, pagou 10,3 bilhões de coroas (US$ 1,7 bilhão) para combater o desmatamento tropical de 2008 a 2013 no Brasil e em outros lugares, de acordo com um relatório feito pela Agência Norueguesa de Cooperação para o Desenvolvimento (Norad, na sigla em inglês), financiada pelo governo.

Ipê amarelo é visto em meio à floresta perto de Novo Progresso (PA). Os fotógrafos Nacho Doce e Ricardo Moraes, da agência Reuters, viajaram pela Amazônia registrando várias formas de desmatamento. Foto de 20/9/2013. (Foto: Nacho Doce/Reuters)

“A taxa de desmatamento do Brasil e as correspondentes emissões de gases-estufa caíram fortemente”, disse o relatório sobre o progresso da proteção na Amazônia, a maior floresta tropical do mundo.

Projetos financiados com dinheiro norueguês no Brasil estão “traçando o caminho para futuras reduções”, disse o documento.

A Noruega destinou ao Brasil US$ 720 milhões para ajudar a apoiar programas no país, informou o relatório. A Noruega prometeu ao Brasil, em 2008, até US$ 1 bilhão para ajudar a desacelerar o desmatamento, dependendo do desempenho brasileiro.

Sob um acordo semelhante em 2010, a Noruega se comprometeu em destinar até US$ 1 bilhão para a Indonésia, a qual tem a terceira maior floresta tropical, atrás apenas da Amazônia e de uma floresta no Congo, afetada por desmatamento de grandes áreas para dar espaço para plantações.

A Indonésia teve “bom progresso” no planejamento de proteger florestas, disse a Norad. Mas, segundo a agência, “a mudança de governo e as fraquezas nas bases legais” para a proteção da floresta “representam um sério risco de que as conquistas possam ser perdidas”.

O presidente-eleito Joko Widodo assume no lugar do antecessor Susilo Bambang Yudhoyono em outubro. “Pode haver novas prioridades”, disse à Reuters Ida Hellmark, que coordenou a relatório na Norad, apontando para os riscos de mais destinação de território para plantio de palma.

Até agora, a Indonésia só obteve 2% dos pagamentos totais da Noruega, segundo a Norad.

Florestas absorvem dióxido de carbono quando crescem e o liberam quando apodrecem ou queimam. O desmatamento, feito principalmente para abrir espaço para plantação, responde por um quinto das emissões humanas dos gases do efeito estufa, de acordo com estimativa da ONU.

*Matéria publicada no dia 18/08/2014