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Painel Científico de Aconselhamento do Arpa vai avaliar propostas de criação e consolidação de novas UCs

Por Fábia Galvão e Renata Gatti

O Painel Científico de Aconselhamento (PCA) do Arpa retomou suas atividades na última sexta-feira (13). O grupo de pesquisadores que fornece orientações ao Programa baseado em informações técnicas e científicas esteve reunido em Brasília (DF) com a Unidade de Coordenação do Programa (UCP) para discutir as novidades e mudanças em relação ao início da execução da Fase III do Arpa.

Na abertura do encontro, Sérgio Carvalho, Diretor de Áreas Protegidas da Secretaria de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente (SBF/MMA),  demonstrou seu contentamento em poder contar com a dedicação dos cinco especialistas no processo de continuidade do Programa. “As avaliações e pareceres dos membros do PCA serão especialmente importantes no atual momento, em que estamos nos preparando para apoiar a criação e a consolidação de novas Unidades de Conservação”, ressaltou o gestor.

Sérgio Carvalho se referiu às convocações que o Programa Arpa está fazendo, por meio de chamadas públicas, para apoiar a criação e a consolidação e manutenção de novas Unidades de Conservação (UCs). O planejamento de trabalho para o PCA em 2015, elaborado durante a reunião, terá essas avaliações como foco. Também foi pontuada a importância do envolvimento dos especialistas no planejamento, execução e monitoramento do Programa Arpa.

Durante o encontro, Thiago Barros, coordenador da UCP, elencou a avaliação das propostas submetidas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para apoio financeiro ao desenvolvimento de estudos de criação de UCs na região sul do Amazonas. Todos os participantes da reunião votaram pela aprovação das áreas de Juqui / Sepoti, Acari, Manicorezinho / Aripuanã, Mari-Mari / Sucunduri e Guariba.

Participaram da reunião os membros do PCA Eduardo Martins Venticinque, Mary Alegretti, Marcos Amend e Maria Auxiliadora Drumond. Também participaram Thiago Barros, Marco Bueno, Renata Gatti e Luciana Lima (Departamento de Áreas Protegidas / MMA).

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Sobre o PCA
O Painel Científico de Aconselhamento do Arpa tem a missão de avaliar propostas de apoio à criação e consolidação de novas UCs, analisar a metodologia de seleção de áreas e sugerir a aplicação de recursos e monitoramento. Os especialistas do PCA também devem sugerir melhorias ao processo de planejamento, execução e monitoramento do Programa.

Fazem parte da atual composição do PCA Britaldo Soares Filho (Mudanças Climáticas), Eduardo Martins Venticinque (Biodiversidade), Mary Alegretti (Socioambiental), Marcos Amend (Valoração Ambiental), Maria Auxiliadora Drumond (Efetividade e gestão) e José Antonio Marengo (especialista em mudanças climáticas convidado).

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Diagnóstico da fauna orienta ações de proteção

ICMBio apresentou maior estudo do mundo sobre risco de extinção

Diagnóstico da fauna orienta ações de proteção
A elaboração da nova Lista de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção foi coordenada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e envolveu 1.300 especialistas de mais de 200 instituições. O resultado dos cinco anos de trabalho foi apresentado pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, nesta quarta-feira (17), em Brasília.

Elaborada pela Coordenação Geral de Manejo para Conservação do Instituto Chico Mendes (CGESP/ICMBio), a lista traz um total de 1.173 espécies da fauna ameaçadas de extinção (incluindo peixes e invertebrados aquáticos), num universo de 12.256 espécies analisadas.

Veja a lista completa das espécies ameaçadas de extinção 2014

O estudo representa a maior avaliação de risco de extinção já feita no mundo. 100% dos mamíferos, répteis, anfíbios e aves foram pesquisados. De acordo com a coordenadora substituta de Manejo para Conservação, Rosana Subirá, as metas estabelecidas foram superadas. “O objetivo, que era chegar a 10 mil espécies em 2014, foi ultrapassado com as 12.256 espécies avaliadas. A ideia era também obter registros e informações sobre as espécies que não estão ameaçadas, para identificar lacunas e apontar quais delas ainda precisam de mais estudo”, explicou a coordenadora.

Segundo Rosana, o Programa Nacional de Conservação de Espécies Ameaçadas de Extinção (Pró-Espécies), lançado em fevereiro pelo Ministério do Meio Ambiente, definiu a periodicidade para a apresentação de novas listas. “A partir do Pró-Espécies, ficam estabelecidos ciclos de cinco anos para o lançamento de novas listas, com a ressalva de que é possível revisá-las e atualizá-las anualmente”, afirmou.

Resultados da avaliação

Das 720 novas espécies incluídas na lista, muitas não tinham sido avaliadas anteriormente ou os dados disponíveis sobre elas eram insuficientes. Dentre as espécies incluídas, estão o macaco-prego-galego – espécie descrita após 2003 cujo habitat (Mata Atlântica nordestina) vem sofrendo redução desde o século XVII – e o maçarico-rasteirinho – ave migratória com declínio populacional. Outros fatores de inclusão na lista: espécies descobertas recentemente e, em menor número, aquelas que tiveram seu estado de conservação agravado.

Os principais aspectos que contribuem para o risco de extinção das espécies da fauna são: a perda e fragmentação de habitat (expansão agrícola e urbana, grandes empreendimentos etc), a captura direta, a degradação de habitat (poluição, queimadas), as espécies invasoras, a mortalidade indireta (causada pelas queimadas, por exemplo) e o uso não sustentável do habitat (turismo desordenado, extração vegetal etc).

Risco reduzido

Por outro lado, é importante ressaltar que 170 espécies saíram da lista de animais ameaçados de extinção. Outras tantas melhoraram de situação, como o mico-leão-preto, que passou de Criticamente em Perigo para Vulnerável; o bacurau-de-rabo-branco, que saiu da categoria Em Perigo para Vulnerável; a arara-azul-de-lear; e o peixe-boi-marinho, que passaram de Criticamente em Perigo para Em Perigo.

O diagnóstico apresentado é o passo inicial e indispensável para o desenvolvimento de ações de proteção. De acordo com a coordenadora Rosana Subirá, o próximo passo é a criação dos chamados Planos de Ação Nacional (PANs) para as espécies ainda não possuem. O PAN estabelece compromissos e responsabilidades para melhorar a conservação de determinadas espécies.

Proteção da fauna

As Unidades de Conservação (UCs), desempenham importante papel na proteção da fauna. “Temos espécies que só continuam existindo por conta das áreas protegidas, como o bacurau-de-rabo-branco, que hoje só é encontrado no Parque Nacional das Emas”, avaliou Rosana.

Das 1.173 espécies apontadas na lista como ameaçadas de extinção, 663 (56,5%) estão presentes em Unidades de Conservação e 498 (42%) já são contempladas por algum Plano de Ação Nacional. Apenas 20% das espécies ameaçadas não estão sob algum regime de proteção. “Estamos identificando as espécies que não se encontram em Unidades de Conservação e nem possuem Planos de Ação consolidados, pois elas deverão ser priorizadas a partir de agora”, argumentou.

Além da consolidação de novos PANs e da criação de UCs, outras medidas que devem ser tomadas são a qualificação do processo de licenciamento, o estímulo ao uso de recursos da compensação ambiental para proteção da fauna e os programas de apoio à conservação, como o Bolsa Verde.

Casos emblemáticos

Dentre os vários casos de êxito na recuperação das espécies, podemos destacar o peixe-gramma, que aparecia na lista de espécies ameaçadas em 2004 e agora já não corre mais risco de extinção. Com ocorrência no litoral brasileiro (do Maranhão até o Rio de Janeiro), o peixe-gramma teve sua captura e comercialização proibidas após a divulgação da lista de 2004. “Com a proibição, a população dessa espécie conseguiu se recuperar ao longo dos últimos 10 anos”, esclareceu Carlos Eduardo Guidorizzi, analista ambiental do ICMBio.

A arara-azul-grande é mais um exemplo de sucesso das políticas de proteção, pois também saiu da lista de espécies ameaçadas. Incluída em dois Planos de Ação, o PAN para Conservação das Aves do Cerrado e Pantanal e o PAN para Conservação da Fauna do Xingu, a arara-azul-grande foi beneficiada pela intensificação do combate ao tráfico de animais.

Outro destaque é o do albatroz-de-sobrancelha, mais uma espécie que deixou a lista de animais ameaçados de extinção. Segundo Carlos Eduardo Guidorizzi, o albatroz-de-sobrancelha é uma ave migratória cujo estado de conservação melhorou fora do Brasil. As ações internas, porém, foram de grande importância para a espécie, que está contemplada no PAN para Conservação dos Albatrozes e Petréis desde 2006 e pela Convenção Internacional sobre Espécies Migratórias, da qual o Brasil é signatário. “É preciso destacar também o Projeto Albatroz, parceiro do ICMBio, que vem realizando atividades de educação ambiental com pescadores para diminuir a captura incidental do albatroz-de-sobrancelha, uma das aves que mais sofrem com esse tipo de captura”, ressaltou a coordenadora Rosana Subirá.

Veja o painel de conservação da fauna

* Matéria assinada por Nana Brasil e publicada no site do ICMBio em 18/12/2014

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Cientistas investigam nuvens amazônicas

Pesquisadores brasileiros coordenam um esforço internacional para investigar os mecanismos físicos de formação de nuvens e de chuva, algo que a ciência ainda está longe de compreender totalmente.

Para isso, decidiram estudar o interior das imensas massas de nuvens que se acumulam sobre a Amazônia e, por suas características especiais, influenciam o clima do continente.

Um recurso inédito foi usado para viabilizar o estudo: os cientistas trouxeram ao Brasil um avião a jato da Agência Aeroespacial Alemã e uma aeronave americana (ambos de uso científico), equipados com sensores de alta tecnologia e capazes de examinar pela primeira vez a estrutura molecular das gotas de chuva e gelo dentro das nuvens.

Segundo líderes do projeto, Paulo Artaxo, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), e Luiz Augusto Machado, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram feitos em setembro 14 voos sobre a Amazônia para coletar dados a uma altitude de 18 quilômetros, limite da estratosfera.

Estudos anteriores haviam usado, no máximo, aviões Bandeirante, que voam a cerca de 4 km do solo e, por isso, não conseguem estudar a física das nuvens convectivas (que se desenvolvem verticalmente).

Voando a 600 km/h, o avião alemão conseguiu enxergar o que há entre as microscópicas gotas de chuva e partículas de gelo no meio das nuvens.

Segundo Artaxo, a coleta de dados nessa altitude, sem precedentes, proporcionou dados científicos importantes para aprimorar os modelos climáticos.

“Como se formam as gotas de chuva no interior das nuvens? Como se inicia e termina o processo de precipitação? Como a poluição influencia o ciclo de chuvas? Para onde está indo o vapor d’água emitido pela Amazônia nos últimos meses e que não se transformou em chuvas em São Paulo? Estamos tentando responder questões como essas”, explicou Artaxo.

Conhecimento

Os trópicos, de acordo com o pesquisador, correspondem ao principal núcleo de produção de vapor de água no planeta e as nuvens profundas, como as da Amazônia, são fundamentais no sistema climático global.

O conhecimento limitado que se tem dos processos que regulam a redistribuição de água no planeta e da formação da precipitação na Amazônia, segundo o cientista, explica por que é tão difícil que os modelos meteorológicos façam previsões confiáveis de chuvas.

“As previsões até acertam razoavelmente as temperaturas. Mas não conseguimos saber o quanto vai chover. Por isso, ocorrem inundações enormes que nenhum modelo prevê.” O experimento nas alturas será crucial para aprimorar esses modelos, segundo ele.

A pesquisa também ajudará a entender a dinâmica das nuvens amazônicas nas chuvas da América do Sul. Todos os dias, as árvores da Amazônia enviam para a atmosfera cerca de 20 bilhões de litros de água que extraem das profundezas do solo – volume hídrico cerca de 15% maior que a vazão do Rio Amazonas. Esses enormes fluxos de água, apelidados de “rios voadores”, viajam pelo ar e encontram uma barreira na Cordilheira dos Andes, provocando chuvas no sul do continente.

De acordo com Machado, ao voar no interior das nuvens medindo as gotas, cristais e partículas microscópicas, o avião auxiliará ainda os radares meteorológicos, deixando um legado para os pesquisadores brasileiros.

“Esses radares nunca foram calibrados para as condições brasileiras. As características termodinâmicas da atmosfera na Europa e Estados Unidos são muito diferentes e a quantidade de água bem menor que na Amazônia. Vamos desenvolver um modelo para as nuvens brasileiras”, disse Machado.

* Matéria assinada por Fábio de Castro e publicada no site EXAME.com em 08/01/2015