Notícias, Notícias das Unidades de Conservação, Notícias dos Parceiros do Arpa

Assembleia reúne castanheiros do rio Unini (AM) para definição de metas da safra 2015

Reunindo cerca de 70 cooperados e comunitários, a Fundação Vitória Amazônica (FVA) em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), realizou entre os dias 23 e 24 de fevereiro, o 3º Encontro de Castanheiros do Rio Unini, a 4ª Assembleia Geral Ordinária da Cooperativa Mista Agroextrativista dos Moradores do rio Unini (Coomaru).

Os eventos realizados na comunidade Vista Alegre (AM), pautaram as principais definições e metas da safra 2015, a proposição de novas regras de uso  que regem a coleta de castanha da Amazônia integrantes no plano de gestão da Reserva Extrativista (Resex) do rio Unini, além da realização das eleições para o novo conselho administrativo e fiscal da Coomaru.

Segundo o coordenador do Programa Desenvolvimento Humano Integrado (PDHI) da FVA, Ignácio Oliete Josa, a reunião também foi um momento de integração e balanço das atividades cooperativistas desenvolvidas durante o ano de 2014.

“O encontro de castanheiros foi importante para revisar todos os acordos e tudo que foi executado desde 2009, visto que, o ano de 2014 foi decisivo para o negócio com a Central de Beneficiamento e a cooperativa operando comercialmente”, explicou.

Ainda de acordo com Oliete Josa, com maior empoderamento dos castanheiros nos negócios cooperativos e aumento da experiência produtiva e comercial, junto com as exigências higiênico-sanitárias do mercado, os cooperados dedicaram mais esforços no controle de qualidade dos processos ainda mais rigorosos, além de aprendizado e alinhamento constante com as questões operacionais.

“A eleição da nova diretoria e conselho fiscal mostrou este envolvimento cada vez maior dos cooperados. Com uma equipe que integra pessoas antigas e novas, a segunda diretoria desde a criação da Coomaru, foi empossada com a intenção de dar continuidade ao trabalho de fortalecimento cooperativo e associativo”, ressaltou o coordenador.

Para o novo diretor presidente da cooperativa, João Evangelista, o cooperativismo é o braço econômico da Associação de Moradores do Rio Unini (Amoru), e que as duas juntas são fundamentais para a gestão e uso sustentável da bacia.

Mercado

O coordenador frisou que, o mercado principal de venda da castanha do rio Unini ainda é Manaus e outros municípios do Amazonas, porém devido seu alto valor agregado de comercialização, a procura pelo produto expandiu para pontos fora do Estado como, Bahia, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

Para Oliete Josa, estes esforços de vendas continuarão ao longo de 2015 com a nova diretoria da cooperativa. Neste sentido, um contrato comercial entre a FVA e a Coomaru foi assinado com propósito de fortalecimento da aliança em benefício do negócio cooperativo da castanha no rio Unini. Pelo acordo, a FVA presta serviços nas áreas de vendas e administrativos à Coomaru, possibilitando acesso oa mercado das comunidades ribeirinhas da Amazônia.

Beneficiamento

A FVA apoia projetos socioambientais na Resex do rio Unini, com o fortalecimento da cadeia produtiva da castanha da Amazônia e de outros produtos. A da implementação da Central Agroextrativista da União dos Moradores do Rio Unini (Caumoru) como a fábrica de beneficiamento de castanha, localizada na comunidade do Patauá/AM dentro do Rio Unini, possibilita expandir a agregação de valor a outros produtos da sociobiodiversidade e aumentar a geração de renda.

A iniciativa beneficia atualmente famílias de nove comunidades, reunindo aproximadamente 92 cooperados, na Safra 2015, além de manter a produção de castanha beneficiada, espera-se novas experiências para a agregação de valor de banana, aproveitando a tecnologia de desidratação para a produção de ‘banana passa’.

* Originalmente publicado no site da FVA

 

Notícias, Notícias das Unidades de Conservação

VII Curso de Capacitação dos Monitores do Rio Unini (AM) foi dedicado à conservação de quelônios

Neste ano, já em sua sétima edição, o curso anual de capacitação de monitores realizado no âmbito do Sistema de Monitoramento de Uso de Recursos Naturais no Rio Unini – SiMUR revisitou o rio Jaú. O VII Curso de Capacitação de Monitores do Rio Unini foi realizado entre os dias 31 de outubro e 05 de novembro, na base Carabinani, boca do rio Jaú, onde recebeu, mais uma vez, a acolhida e o apoio da equipe do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) no Parque Nacional do Jaú. Apesar de um atraso de cerca de 2 meses, e uma pequena redução na carga horária, o curso foi realizado com sucesso e foi muito bem avaliada pelos alunos, convidados e pela equipe organizadora da FVA.

Os cursos anuais têm como objetivo não só formar moradores do rio Unini para atuarem como monitores do SiMUR, mas também, oferecer aos monitores a oportunidade de diversificar seu conhecimento sobre biodiversidade, experiências de monitoramento, metodologias de pesquisa e outras linhas temáticas, procurando aumentar, assim, as perspectivas de atuação destes monitores em prol do bem comum da região em que vivem. O tempo dedicado a estes momentos vêm sendo gradativamente ampliados nos conteúdos programáticos ao longo dos anos. A VII edição teve este momento integralmente dedicado ao estudo dos quelônios, diversidade e conservação, deste que representa um recurso animal de grande importância na alimentação dos moradores do rio Unini.

Durante o curso monitores conheceram um pouco mais sobre a diversidade e o estado de conservação deste grupo taxonômico que é representado por mais de 300 espécies recentes, entre espécies terrestres, dulcícolas e marinhas. Os quelônios são naturalmente vulneráveis à predação, e séculos de consumo de ovos e indivíduos pela população humana, além de outros fatores de ameaça, já levaram sete espécies à extinção e mais de 60% à categoria de espécies ameaçadas. Populações de quelônios na Amazônia e em vários outros pontos do mundo tem sido alvo de iniciativas de proteção. No rio Unini são confirmadas as ocorrências de nove espécies de quelônios, das quais quatro têm destaque pela importância na alimentação dos moradores (cabeçudo, irapuca, tracajá e tartaruga-da-Amazônia).

 

Em que situação de conservação as populações de quelônios do rio Unini se encontram no cenário global do grupo? A partir de conceitos básicos sobre categorias e critérios para avaliação do estado de conservação das espécies, avaliações global e regional, recomendações de ações para conservação, etc., os monitores realizaram um exercício de avaliar o estado de conservação das populações de quelônios do rio Unini, utilizando alguns parâmetros de uso com base nos dados captados pelo SiMUR entre os anos de 2008 e 2013. Os resultados desta avaliação na escala da bacia do rio Unini foram comparados às avaliações globais das espécies pela IUCN. Também realizaram um exercício de identificação de ações e estratégias de proteção utilizadas por diferentes iniciativas na Amazônia e discutiram sua aplicabilidade para cada uma das espécies avaliadas como quase ameaçadas ou ameaçadas em cada uma das comunidades da bacia do rio Unini.

 

 

Rachel Acosta, analista ambiental do ICMBio e Ademílson dos Santos Cabral, vigilante do Parque Nacional do Jaú, apresentaram os contextos de criação, objetivos e métodos utilizados pelos projetos Monitoramento Participativo de Biodiversidade em Unidades de Conservação nos Rios Unini e Jaú, e Monitoramento Comunitário Participativo de Quelônios no Parque Nacional do Jaú e no Parque Estadual do Rio Negro Setor Norte. Em suma, essas inciativas envolvem monitoramento de populações de quelônios em lagos (Unini e Jaú), vigilância e proteção nas praias de desova, monitoramento de ninhos (desova e nascimento) nas praias e, assim como o SiMUR, têm como premissa o envolvimento e a participação direta das comunidades das unidades de conservação. A complementaridade das informações sobre estoques populacionais de quelônios do rio Unini e as informações geradas pelo SiMUR sobre a população de quelônios extraída pelos moradores deste rio foi apresentada e discutida com os monitores.

 

Os monitores perceberam a importância da pesquisa biológica e conhecimento científico para o planejamento de ações adequadas de manejo e monitoramento de populações de quelônios, a partir da apresentação de Camila Ferrara, pesquisadora da WCS-Brasil e do Projeto Tartarugas da Amazônia do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Os monitores puderam conhecer os resultados surpreendentes sobre comportamento e comunicação das tartarugas-da-Amazônia, obtidos a partir das pesquisas conduzidas por ela e as possíveis implicações de certas técnicas de manejo de ninhos no deslocamento e na sobrevivência de filhotes de algumas espécies.

 

O VII Curso de Capacitação de Monitores do Rio Unini contou com a participação de 13 monitores do SiMUR e dois monitores do Projeto Monitoramento Comunitário Participativo de Quelônios. A FVA parabeniza e agradece a participação de todos eles e das pesquisadoras Camila Ferrara e Rachel Acosta, e também às famílias residentes no Unini que têm feito parte do SiMUR desde 2008. A FVA agradece Ademílson dos Santos Cabral, Edivam Saldanha e Alex, responsáveis pela base e que acolheram os participantes fornecendo todas as condições para o bom andamento do curso, e também Mariana Leitão, chefe do Parque Nacional do Jaú por ter apoiado a realização de mais um curso no rio Jaú.

* Matéria de Simone Iwanaga e Francisca Saldanha publicada em 14/11/2014 no site da FVA