Notícias, Notícias das Unidades de Conservação

Pesquisa fará identificação inédita da biodiversidade no Amapá

Estudo científico vai integrar descrição e análise da diversidade biológica do Estado, considerado o mais preservado do País

Foto: Arquivo/ ICMBio

Pesquisar e entender sobre o mundo complexo da riqueza amazônica será um dos desafios para o Museu Paraense Emílio Goeldi, no Amapá. Através do Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio), o museu terá a missão de desvendas as peculiaridades do Estado mais preservado do Brasil. A iniciativa visa o desenvolvimento de pesquisas para a identificação do Bioma Amazônia na região. A pesquisa tem previsão para ser executada ainda neste ano.

Para o diretor-presidente do Instituto de Pesquisas Ciêntificas e Tecnológicas do Estado do Amapá (Iepa), Wagner Costa, a implantação do programa é um marco no processo de aprofundamento do conhecimento científico sobre a Amazônia, pois as ações que ele propõe contemplam, pela primeira vez, uma abordagem integradora das premissas que envolvem a descrição e a análise da diversidade biológica. “As atividades do programa incluem pesquisa científica em taxonomia, ecologia de espécies e ecossistemas e conservação”, disse.

O PPBio tem a missão de desenvolver uma estratégia de investimento em Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) que priorize e integre competências em pesquisa e transferência de conhecimento em biodiversidade para gerar, integrar e disseminar informações que possam ser utilizadas para diferentes finalidades. A ideia é facilitar a gestão do patrimônio natural, assim como fortalecer ações de pesquisas para o desenvolvimento sustentável da Amazônia.

Selo-Arpa1O  programa terá a duração de dois anos e será financiado por um convênio assinado com a Fundação de Amparo e Desenvolvimento de Pesquisa (Fadesp), ligada à Universidade Federal do Pará (Ufpa). “O programa será realizado em toda a região amazônica, mas irá englobar, principalmente, o Amapá em áreas como o Parque do Tumucumaque e a Flona”, explicou Costa.

A gestão do programa é realizada pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação e adota um modelo descentralizado, composto por Núcleos Executores (NEs) e Núcleos Regionais (NRs). Na Região Norte, cabe ao PPBio Amazônia Oriental, com sede no Museu Paraense Emílio Goeldi, coordenar as atividades de pesquisa, capacitação e gerenciamento da informação de cada rede.

* Publicado no Portal Amazônia

Notícias, Notícias das Unidades de Conservação, Notícias dos Parceiros do Arpa

Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque – Tão Diverso Quanto Grande

Nas notícias de campo dessa semana, vamos falar de um gigante: o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, o maior parque do Brasil e o maior do mundo em florestas tropicais, com uma área de quase quatro milhões de hectares.

Criado em 2002, no estado do Amapá, na divisa com a Guiana Francesa e o Suriname, essa unidade de conservação é fundamental para conservação de toda biodiversidade amazônica, e, em especial, para a vida dos muitos animais e plantas que ela abriga.

E dentre tantas notícias dessa importante UC, hoje vamos falar do papel dela para as espécies que vivem ali – e que não são poucas: mais de 2.300 plantas e animais vertebrados, como aponta a lista do Observatório de UCs, a qual lidera de longe.

Nas pesquisas realizadas em cinco expedições ao parque nacional entre 2004 e 2006 para elaboração do Plano de Manejo (link para o documento do e), foram registradas incríveis 1.578 espécies de plantas.

Entre os animais vertebrados, registrou-se 366 espécies de aves; 70 de anfíbios, sendo algumas novas descobertas – ou seja, nunca vistas ou estudadas antes; 86 répteis, incluindo três espécies de jacarés, três tartarugas e dois jabutis, além das serpentes e lagartos com pelo menos três espécies desconhecidas. Dentre as mais ameaçadas, às quais a UC oferece abrigo garantindo a sobrevivência e reprodução, estão o tatu-canastra, o cachorro-vinagre, a ariranha e a anta.

Espécie de sapo encontrada o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque (Crédito: Claudio Maretti).

Esses números e dados ficam ainda mais impressionantes se considerarmos que eles foram colhidos em apenas uma pequena amostra do parque, e que, levando em conta a extensão, a diversidade de ecossistemas e o grau de conservação da sua área, ainda há muito mais a ser encontrado e que está sendo protegido.

E é pensando nisso, que o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque é uma das UCs escolhidas pelo WWF-Brasil para o apoio a projetos de conservação socioambiental.  Entre as iniciativas apoiadas e desenvolvidas em parceria com a organização na UC está o projeto Biodiversidade nas Costas, que reúne professores da UNIFAP e educadores dos municípios do entorno do Parque.

* Publicado no Observatório de UCs da WWF Brasil em 25 de março de 2014

 

 

Notícias, Notícias das Unidades de Conservação

Amapá recebe o Biodiversidade nas Costas

Tornar conhecida a biodiversidade do estado do Amapá a alunos dos municípios do entorno do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque (PNMT). Essa é a proposta da oficina de capacitação, promovida pelo Projeto Biodiversidade nas Costas – Tumucumaque (BNC-Tumucumaque), que reúne até hoje (25/2), em Macapá, cerca de cem educadores do estado, que fazem parte do Plano Nacional de Formação de Professores (Parfor) e que atuam nos municípios de Oiapoque, Calçoene, Serra do Navio, Pedra Branca do Amaparí e Laranjal do Jari.

O Amapá é o primeiro estado da Amazônia a receber uma capacitação do BNC, anteriormente só havia acontecido no Cerrado. Os participantes, reunidos desde o dia 20, têm a oportunidade de conhecer os materiais da coleção do BNC-Tumucumaque, produzidos de forma participativa, com atores locais. A partir do curso, os professores poderão futuramente debater em sala de aula formas inovadoras para elaboração e desenvolvimento de atividades ambientais com os estudantes.

Parque Nacional Montanhas de Tumucumaque (AP). Foto: Claudio Maretti

O Projeto funciona da seguinte forma: os materiais pedagógicos são elaborados com base na análise das realidades socioambientais de cada município e são incluídos em uma mochila para a utilização de seus respectivos educadores. O kit de educação ambiental propõe um conjunto de instrumentos educacionais voltados à formação, mobilização e engajamento social para a conservação da natureza e é direcionado aos três níveis de ensino (educação infantil, ensino fundamental e médio). As atividades propostas foram desenvolvidas para não dependerem de tecnologias, muitas vezes inacessíveis no interior do país.

O Programa Educação para Sociedades Sustentáveis (PESS) do WWF-Brasil é o guardião deste projeto. A oficina de Macapá, em especial, contou ainda com a parceria do Programa Amazônia da organização, que coordena a implementação da estratégia em unidades de conservação, e com o apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que tem acompanhado as atividades no estado.

De acordo com Luiz Coltro, analista de conservação do WWF-Brasil, a partir da análise da implementação do Projeto, será possível verificar se a ferramenta pedagógica, considerada inédita, despertará maior sensibilização da sociedade amapaense ao PNMT. “Queremos apresentar, de forma lúdica e leve, o Parque e seu principal instrumento de gestão, o plano de manejo, além de suas belezas e biodiversidade a professores e alunos. A proposta é mitigar a falta de informação e conhecimento sobre a unidade de conservação e auxiliá-la em sua implementação por meio do engajamento da sociedade pela escola”, revela.

Um parceiro fundamental para o desenvolvimento do plano de ação foi a Universidade Federal do Amapá (Unifap), que desenvolveu a concepção inicial dos instrumentos educacionais, por meio dos departamentos de Ciências Biológicas e de Geografia. “A capacitação celebra a finalização da primeira fase do BNC-Tumucumaque, que é a produção dos materiais pedagógicos a partir do plano de manejo do PNMT. Além disso, contempla a segunda fase com a formação dos professores e lança as diretrizes para o desenvolvimento da fase III com o monitoramento e a avaliação da proposta, colocando a mochila dentro das salas de aulas”, ressalta Bruno Reis, educador do Ecocentro IPEC – Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado, parceiro do projeto.

Sobre o PNMT

Criada em 22 de agosto de 2002, o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque (PNMT) é o maior Parque Nacional do Brasil e uma das maiores áreas de floresta tropical protegidas do mundo, com aproximadamente 3.867.000 hectares.

Está localizado numa porção da Floresta Amazônica bem peculiar, na região conhecida como Escudo das Guianas, ao noroeste do estado do Amapá, que possui características únicas e ainda pouco conhecidas. O Parque abrange parte dos municípios de Oiapoque, Calçoene, Pedra Branca do Amaparí, Serra do Navio e Laranjal do Jari, além de uma pequena porção do município de Almeirim, no estado do Pará.

O principal objetivo da unidade de conservação é a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica. A proposta é possibilitar a realização de pesquisas científicas, o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação com a natureza e de turismo ecológico, que contribuam com a melhoria da qualidade de vida das populações de seu entorno.

* Matéria publicada em 25/02/2014 no site da WWF-Brasil

Notícias, Notícias das Unidades de Conservação, Notícias dos Parceiros do Arpa

Mosaico da Amazônia Oriental recebe operação de fiscalização

Ocorreu na segunda quinzena de janeiro atividade de fiscalização no Mosaico da Amazônia Oriental, que abrange áreas protegidas do Amapá e norte do Pará. Composta por fiscais do Instituto Chico Mendes de Consevação da Biodiversidade (ICMBio) e policiais do Batalhão Ambiental e contando com a colaboração dos indíos Wajãpi, a operação percorreu mais de 1.000 km de rios no Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, Floresta Nacional do Amapá, Floresta Estadual do Amapá e Terra Indígena Wajãpi.

A equipe de fiscalização flagrou um caçador no limite da Floresta Estadual do Amapá com o Parna Tumucumaque e dois no limite entre aquela e a Flona Amapá. Além disso, foram apreendidos três espingardas de calibre 12 e uma de calibre 22, munição, um badoque (arma artesanal utilizada em armadilhas), duas pacas (Agouti paca) e um veado-mateiro (Mazama americana). Os infratores foram conduzidos para as delegacias de Polícia Civil de Pedra Branca do Amapari e Ferreira Gomes.

A caça se constitui na maior ameaça à integridade da Flona Amapá e porção sudoeste do Parna Tumucumaque. Os caçadores que agem na região se deslocam de suas moradias, muitas vezes localizadas em comunidades ou cidades distantes a mais de 50 km, para estas unidades de conservação (UCs). Há evidências de que a carne de caça é comercializada para uma clientela urbana que geralmente encomenda e arca com os custos logísticos das caçadas.

Na ação de fiscalização as equipes do parque nacional e da floresta nacional tiveram a oportunidade de compartilhar suas vivências nas atividades de fiscalização, além de discutir estratégias de repressão à caça. O objetivo é experimentar e consolidar práticas de fiscalização para realização de outras operações de forma integrada e construção de um plano de proteção para o mosaico.

 

Comunicação ICMBio
(61) 3341-9291

* Matéria publicada no site do ICMBio em 06/02/2014