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VII Curso de Capacitação dos Monitores do Rio Unini (AM) foi dedicado à conservação de quelônios

Neste ano, já em sua sétima edição, o curso anual de capacitação de monitores realizado no âmbito do Sistema de Monitoramento de Uso de Recursos Naturais no Rio Unini – SiMUR revisitou o rio Jaú. O VII Curso de Capacitação de Monitores do Rio Unini foi realizado entre os dias 31 de outubro e 05 de novembro, na base Carabinani, boca do rio Jaú, onde recebeu, mais uma vez, a acolhida e o apoio da equipe do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) no Parque Nacional do Jaú. Apesar de um atraso de cerca de 2 meses, e uma pequena redução na carga horária, o curso foi realizado com sucesso e foi muito bem avaliada pelos alunos, convidados e pela equipe organizadora da FVA.

Os cursos anuais têm como objetivo não só formar moradores do rio Unini para atuarem como monitores do SiMUR, mas também, oferecer aos monitores a oportunidade de diversificar seu conhecimento sobre biodiversidade, experiências de monitoramento, metodologias de pesquisa e outras linhas temáticas, procurando aumentar, assim, as perspectivas de atuação destes monitores em prol do bem comum da região em que vivem. O tempo dedicado a estes momentos vêm sendo gradativamente ampliados nos conteúdos programáticos ao longo dos anos. A VII edição teve este momento integralmente dedicado ao estudo dos quelônios, diversidade e conservação, deste que representa um recurso animal de grande importância na alimentação dos moradores do rio Unini.

Durante o curso monitores conheceram um pouco mais sobre a diversidade e o estado de conservação deste grupo taxonômico que é representado por mais de 300 espécies recentes, entre espécies terrestres, dulcícolas e marinhas. Os quelônios são naturalmente vulneráveis à predação, e séculos de consumo de ovos e indivíduos pela população humana, além de outros fatores de ameaça, já levaram sete espécies à extinção e mais de 60% à categoria de espécies ameaçadas. Populações de quelônios na Amazônia e em vários outros pontos do mundo tem sido alvo de iniciativas de proteção. No rio Unini são confirmadas as ocorrências de nove espécies de quelônios, das quais quatro têm destaque pela importância na alimentação dos moradores (cabeçudo, irapuca, tracajá e tartaruga-da-Amazônia).

 

Em que situação de conservação as populações de quelônios do rio Unini se encontram no cenário global do grupo? A partir de conceitos básicos sobre categorias e critérios para avaliação do estado de conservação das espécies, avaliações global e regional, recomendações de ações para conservação, etc., os monitores realizaram um exercício de avaliar o estado de conservação das populações de quelônios do rio Unini, utilizando alguns parâmetros de uso com base nos dados captados pelo SiMUR entre os anos de 2008 e 2013. Os resultados desta avaliação na escala da bacia do rio Unini foram comparados às avaliações globais das espécies pela IUCN. Também realizaram um exercício de identificação de ações e estratégias de proteção utilizadas por diferentes iniciativas na Amazônia e discutiram sua aplicabilidade para cada uma das espécies avaliadas como quase ameaçadas ou ameaçadas em cada uma das comunidades da bacia do rio Unini.

 

 

Rachel Acosta, analista ambiental do ICMBio e Ademílson dos Santos Cabral, vigilante do Parque Nacional do Jaú, apresentaram os contextos de criação, objetivos e métodos utilizados pelos projetos Monitoramento Participativo de Biodiversidade em Unidades de Conservação nos Rios Unini e Jaú, e Monitoramento Comunitário Participativo de Quelônios no Parque Nacional do Jaú e no Parque Estadual do Rio Negro Setor Norte. Em suma, essas inciativas envolvem monitoramento de populações de quelônios em lagos (Unini e Jaú), vigilância e proteção nas praias de desova, monitoramento de ninhos (desova e nascimento) nas praias e, assim como o SiMUR, têm como premissa o envolvimento e a participação direta das comunidades das unidades de conservação. A complementaridade das informações sobre estoques populacionais de quelônios do rio Unini e as informações geradas pelo SiMUR sobre a população de quelônios extraída pelos moradores deste rio foi apresentada e discutida com os monitores.

 

Os monitores perceberam a importância da pesquisa biológica e conhecimento científico para o planejamento de ações adequadas de manejo e monitoramento de populações de quelônios, a partir da apresentação de Camila Ferrara, pesquisadora da WCS-Brasil e do Projeto Tartarugas da Amazônia do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Os monitores puderam conhecer os resultados surpreendentes sobre comportamento e comunicação das tartarugas-da-Amazônia, obtidos a partir das pesquisas conduzidas por ela e as possíveis implicações de certas técnicas de manejo de ninhos no deslocamento e na sobrevivência de filhotes de algumas espécies.

 

O VII Curso de Capacitação de Monitores do Rio Unini contou com a participação de 13 monitores do SiMUR e dois monitores do Projeto Monitoramento Comunitário Participativo de Quelônios. A FVA parabeniza e agradece a participação de todos eles e das pesquisadoras Camila Ferrara e Rachel Acosta, e também às famílias residentes no Unini que têm feito parte do SiMUR desde 2008. A FVA agradece Ademílson dos Santos Cabral, Edivam Saldanha e Alex, responsáveis pela base e que acolheram os participantes fornecendo todas as condições para o bom andamento do curso, e também Mariana Leitão, chefe do Parque Nacional do Jaú por ter apoiado a realização de mais um curso no rio Jaú.

* Matéria de Simone Iwanaga e Francisca Saldanha publicada em 14/11/2014 no site da FVA